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IA entra numa nova fase: de responder a perguntas a executar tarefas complexas

Mais de 2000 pessoas participam no Google Cloud Summit Doha 2026
Mais de 2 000 pessoas participam no Google Cloud Summit Doha 2026 -  Direitos de autor  Google Cloud
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De Aadel Haleem
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Na Google Cloud Summit, em Doha, agentes de IA estiveram em destaque, num Qatar que reforça a formação e testes em IA, levantando dúvidas sobre supervisão e emprego

A inteligência artificial está a ir além da geração de texto, imagens e respostas. Os desenvolvedores estão agora a tentar que a IA realize tarefas em nome dos utilizadores.

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Essa mudança para sistemas autónomos, ou “IA agente”, foi tema central na Google Cloud Summit em Doha, onde a empresa assinalou três anos desde a abertura da sua infraestrutura de cloud no Qatar.

A IA generativa cria conteúdos em resposta a um comando. Os agentes de IA vão mais longe, executando as etapas necessárias para concluir uma tarefa.

“Na prática, a IA generativa é a utilização de IA, através de grandes modelos de linguagem, para criar conteúdo totalmente novo”, disse Alex Rutter, diretor-geral da área de Inteligência Artificial da Google Cloud na Europa, Médio Oriente e África, à Euronews.

“A IA agente está muito mais focada… no fluxo dos processos empresariais”, acrescentou.

Alex Rutter, diretor-geral da área de IA da Google Cloud na Europa, Médio Oriente e África, na Google Cloud Summit em Doha.
Alex Rutter, diretor-geral da área de IA da Google Cloud na Europa, Médio Oriente e África, na Google Cloud Summit em Doha. Google Cloud

Responder a perguntas e executar tarefas

Uma das áreas em que as empresas estão a apostar é o trabalho repetitivo que implica verificar informação em diferentes sistemas.

Rutter apontou como exemplo a reconciliação de faturas, em que os dados de uma fatura têm de ser confrontados com registos de pagamentos e de fornecedores antes de aprovar o pagamento.

“Um agente é particularmente adequado a esse tipo de trabalho de base de dados altamente repetitivo, onde pode gerar ganhos significativos de eficiência”, afirmou.

Quanto mais se deixa a IA atuar de forma autónoma, mais importante se torna a supervisão humana.

Rutter afirmou que a Google defende, para já, que as pessoas se mantenham envolvidas na verificação dos resultados produzidos pelos agentes de IA.

“Continuamos, nesta fase, a defender que haja sempre um humano no processo para validar, para a empresa, os resultados que está a analisar, mas os humanos passam a olhar para as exceções e não para todo o conjunto de dados”, explicou.

Segundo Rutter, o nível de supervisão necessário depende tanto da tarefa como da tolerância ao risco de cada organização. Em áreas como a medicina, disse, a IA deve apoiar e não substituir a decisão dos clínicos.

Participantes na Google Cloud Summit em 22 de setembro de 2026, em Doha, Qatar.
Participantes na Google Cloud Summit em 22 de setembro de 2026, em Doha, Qatar. Google Cloud

Qatar reforça formação e testes em IA

A Google Cloud aproveitou a cimeira de Doha para assinalar o terceiro aniversário da sua região de cloud local e anunciar um novo programa nacional de qualificação em parceria com a Qatar Digital Academy.

Segundo a Google Cloud, o programa deverá oferecer mais de 50 000 oportunidades de aprendizagem no Qatar até 2030, com formação dirigida a diferentes grupos, incluindo trabalhadores, gestores e executivos, bem como desenvolvedores.

Ghassan Kosta, diretor-geral regional da Google Cloud para o Qatar, Omã, Bahrein e Iraque, disse que a empresa está também a expandir os seus serviços para suportar sistemas de IA mais avançados.

“Estamos a reforçar os nossos serviços para responder a esta era da IA agente”, disse Kosta à Euronews.

“Nos nossos centros de dados, para acompanhar a evolução da tecnologia e da própria IA, é preciso ter também a infraestrutura adequada”, acrescentou.

Ghassan Kosta, diretor-geral regional da Google Cloud para o Qatar, Omã, Bahrein e Iraque, intervém na Google Cloud Summit em Doha.
Ghassan Kosta, diretor-geral regional da Google Cloud para o Qatar, Omã, Bahrein e Iraque, intervém na Google Cloud Summit em Doha. Google Cloud

Outra iniciativa anunciada na cimeira é um laboratório de inovação desenvolvido pelo Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação do Qatar (MCIT), em parceria com a Google Cloud.

Amna Al-Kaabi, responsável por Tecnologias Emergentes no ministério, explicou à Euronews que o laboratório permitirá testar projetos de IA antes de serem implementados.

“O valor central desta parceria está em ligar a experimentação tecnológica no laboratório às necessidades reais dos diferentes setores”, afirmou Amna Al-Kaabi, acrescentando que o objetivo é ajudar os projetos a passar ‘da fase de prova de conceito para implementações sustentáveis no mundo real’.

Amna Al-Kaabi, responsável por Tecnologias Emergentes no Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação do Qatar, fala à Euronews na Google Cloud Summit em Doha.
Amna Al-Kaabi, responsável por Tecnologias Emergentes no Ministério das Comunicações e Tecnologia da Informação do Qatar, fala à Euronews na Google Cloud Summit em Doha. Euronews

Mudanças na força de trabalho

Essa capacidade de transferir mais trabalho para a IA traz novamente a discussão para o emprego.

Rutter advertiu que continua a ser difícil prever essas mudanças, mas disse esperar que a gestão de agentes de IA passe a fazer parte das funções de algumas pessoas.

“Creio que algo muito concreto é que vamos ter gestores que não gerem pessoas, depois gestores de agentes e, por fim, pessoas que gerem simultaneamente pessoas e agentes”, afirmou.

Isso poderá significar que, no futuro, alguns trabalhadores vão gerir agentes de IA como parte do seu trabalho.

Mas Rutter reconheceu ser difícil antecipar a rapidez com que isso poderá acontecer. Para já, as empresas continuam a perceber em que situações os agentes de IA são úteis e quanta supervisão humana exigem.

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