As Tecnologias de Informação continuam a ser a área mais atrativa do mercado de trabalho português, combinando os salários médios mais elevados com uma forte criação de emprego, segundo o mais recente Estudo de Tendências Salariais da Randstad.
Onde se encontram as melhores oportunidades de emprego e os salários mais altos em Portugal? As conclusões da 3.ª edição do Estudo de Tendências Salariais 2026/2027, lançado pela Randstad Research, apontam para as Tecnologias de Informação. O setor continua a liderar com as médias salariais mais altas do país (entre 40.000 euros e 55.000 euros).
Segundo o relatório, que cruza a base de dados de contratação da Randstad com as estatísticas oficiais do INE e Eurostat, no 2º trimestre de 2026, a população empregada no setor de informação e comunicação situou-se em 237.200 pessoas, representando cerca de 4,4% do total de trabalhadores em Portugal.
Em termos homólogos, registou-se um aumento sustentado de 27.600 empregos (+13,2%). De acordo com a Randstad, nesta área, as cinco funções mais procuradas pelas empresas são os especialistas em cloud & security, data analytics BI & AI, software development, business applications (CRM/ERP) e IT management & strategy.
Logo de seguida, destaca-se a área de Life Sciences & Healthcare que, segundo os dados do Inquérito ao Emprego do INE para o 2º trimestre de 2026, citados em comunicado pela Randstad, emprega na área da saúde humana e apoio social 567.700 pessoas, representando cerca de 10,5% do total de empregados em Portugal.
Em termos homólogos, observou-se um aumento de 43.200 postos de trabalho (+8,2%), "consolidando a saúde como um dos maiores motores de criação de emprego qualificado no país", destaca a Randstad na mesma nota.
No que diz respeito a salários no levantamento feito pela Randstad, na vertente farmacêutica e de investigação, o valor médio varia entre 35.000 euros e 60.000 euros brutos anuais, "existindo uma forte procura por delegados comerciais, funções de qualidade, assuntos regulamentares, market access e medical affairs".
Já na vertente de prestação de cuidados de saúde, a média fixa-se entre os 30.000 euros e os 46.000 euros brutos anuais, com entidades focadas na contratação de enfermeiros, médicos, técnicos de multiterapias, técnicos de farmácia e farmacêuticos.
Outro setor que se afirma como motor de transição no mercado português, refere a Randstad, é o de Engenharia e Indústria, "altamente qualificado e caracterizado por um elevado nível de estabilidade de emprego no mercado português".
Segundo dados do INE para o 2º trimestre de 2026, , citados pela empresa holandesa de recursos humanos, a população empregada no setor da indústria (que inclui indústrias extrativas, transformadoras, eletricidade, gás, água e construção) fixou-se em 1.333.700 pessoas, representando cerca de 24,7% do total da população empregada em Portugal.
Em termos homólogos, verificou-se um aumento de 43.000 empregos (+3,3%). Com salários médios avaliados pela Randstad entre os 33.500 euros e os 49.500 euros brutos anuais, "as empresas procuram ativamente diretores de obra, engenheiros de automação e robótica, engenheiros de desenvolvimento de produto, supervisores de produção e técnicos de supply chain ou logística."
Na Banca e Seguros, que regista médias salariais entre os 35.000 euros e os 50.000 euros brutos anuais, a população empregada situou-se em 118.700 pessoas no 2º trimestre de 2026, representando cerca de 2,2% do total de profissionais em Portugal.
Já em termos homólogos, observou-se um aumento de 8.400 postos de trabalho (+7,6%), o que, segundo a Randstad, reflete "uma reestruturação contínua de balcões e o ganho de eficiência operacional via digitalização na banca tradicional". "Com um foco cada vez maior no risco e conformidade, as funções mais solicitadas são gestor comercial, compliance officer, analyst corporate finance, underwriter e private banker", identifica a empresa especialista em soluções de recursos humanos.
No que se refere à área do Marketing e Vendas, a vertente comercial regista remunerações médias entre os 23.000 euros e os 39.500 euros, enquanto o Marketing se situa entre os 26.000 euros e os 36.500 euros brutos anuais.
"A procura centra-se em perfis como CRM specialist, performance marketing manager, customer experience manager, technical sales e sales engineer."
Em termos de dados oficiais, o INE não faz uma segmentação para marketing e vendas, mas segundo o Eurostat, a população empregada na área de marketing totalizou 37.200 pessoas no 1º trimestre de 2026 (0,7% do emprego total do país). Em comparação com o trimestre anterior, registou-se uma variação de -13,3% (-5.700 postos de trabalho), contudo, na comparação homóloga houve um aumento de 1.400 pessoas (+3,9%).
Por fim, na grande área de Finanças, RH e Jurídico, segundo os dados do INE, a população empregada neste setor fixou-se em 488.100 pessoas, representando cerca de 9% do total nacional.
A nível homólogo observou-se um aumento de 6.800 postos de trabalho (+1,4%). Com um patamar salarial médio entre os 24.000 euros e os 33.500 euros brutos anuais, este setor "lidera a procura por controllers, especialistas de reporting/statutory, contabilistas certificados, talentos focados em HR analytics e compliance officers".