Os oficiais de justiça entraram no Boeing 737 da Caspian Airlines enquanto os passageiros estavam sentados, prontos para a partida, e notificaram uma ordem de pagamento de uma dívida de três milhões de euros antes de o avião poder descolar.
Um Boeing 737 da Caspian Airlines foi apreendido no aeroporto de Istambul na segunda-feira por agentes de execução judicial, agindo ao abrigo de uma ordem judicial relativa a uma dívida de aproximadamente três milhões de euros, deixando retidos os passageiros que já tinham embarcado num voo com destino ao Irão.
Advogados e oficiais de justiça em representação do credor, a empresa de representação e supervisão aeronáutica ACM Temsil Gözetim, chegaram à aeronave — com matrícula EP-KPB — quando esta se preparava para a partida e notificaram a ordem de apreensão antes de esta poder descolar, de acordo com a Agência Anadolu.
Os passageiros e a tripulação de cabina foram retirados da aeronave e levados de volta para o terminal.
A Caspian Airlines é uma transportadora com sede em Teerão, fundada em 1993 e que opera no âmbito do grupo estatal de aviação do Irão. Opera com aviões Boeing 737 em rotas domésticas e internacionais, incluindo para Istambul.
As transportadoras iranianas têm enfrentado dificuldades crónicas na manutenção das suas frotas e no cumprimento das obrigações financeiras para com as suas contrapartes estrangeiras, em resultado de décadas de sanções dos EUA, que restringem o acesso a aeronaves, peças sobressalentes, serviços de manutenção e sistemas financeiros internacionais.
A guerra entre os EUA e o Irão, que teve início em fevereiro, agravou essas pressões, com o espaço aéreo iraniano a ser repetidamente perturbado e as rotas internacionais a serem restringidas.
A apreensão ocorreu dias depois de as sanções secundárias abrangentes dos EUA contra o setor da aviação iraniano terem entrado em vigor na passada quarta-feira.
O Tesouro dos EUA tinha sancionado 27 companhias aéreas iranianas e nove prestadores de serviços associados a 8 de setembro, no âmbito da sua "Operação Economic Outcast" (Pária Económico), alertando que os aeroportos estrangeiros, fornecedores de combustível, prestadores de serviços de assistência em terra e empresas de venda de bilhetes que continuassem a prestar serviços às transportadoras iranianas enfrentariam, por sua vez, sanções e correriam o risco de serem excluídos do sistema do dólar americano.
As sanções secundárias provocaram uma rápida contração da aviação iraniana a nível internacional, com a suspensão dos voos das transportadoras iranianas no Iraque, nos Emirados Árabes Unidos, no Azerbaijão e em Omã.
Por sua vez, a maior transportadora privada do Irão, a Mahan Air, suspendeu os voos para a Turquia e Omã.
A Lufthansa e a Austrian Airlines suspenderam as suas rotas para o Irão até 24 de outubro. A Qatar Airways suspendeu os serviços, alegando restrições no espaço aéreo. A China, a Rússia e o Paquistão continuaram a manter voos de e para o Irão.
Os voos internacionais diários no principal aeroporto de Teerão diminuíram de 80 a 90 antes das sanções para cerca de 41 na segunda-feira, de acordo com dados de monitorização.
Teerão apresentou queixas formais junto da ONU, da Organização da Aviação Civil Internacional e do Tribunal Internacional de Justiça.
A Turquia não proibiu formalmente as transportadoras iranianas, razão pela qual a Caspian Airlines ainda operava a rota para Istambul na altura da apreensão.