Os limites norte e sul da zona figuram entre as fronteiras mais fortificadas do mundo e incidentes com minas terrestres já agravaram tensões entre os dois países.
As explosões que feriram três soldados sul-coreanos na semana passada terão sido provocadas por minas norte-coreanas, anunciou Seul esta terça-feira, acrescentando tratar-se de uma violação do armistício que irá motivar “medidas correspondentes”.
Um dos militares perdeu um pé devido às explosões na Zona Desmilitarizada (DMZ), a faixa tampão fortemente minada que tem dividido as duas Coreias desde o armistício de 1953.
Os limites norte e sul da zona contam entre as fronteiras mais fortificadas do mundo e incidentes com minas terrestres já agravaram anteriormente as tensões entre os dois países.
As declarações do ministro da Defesa, Kang Shin-chul, surgiram um dia depois de o seu ministério ter indicado que minas norte-coreanas eram “fortemente suspeitas” de estar na origem das duas explosões da semana passada.
“Isto é uma clara violação do acordo de armistício e, como a Coreia do Norte é responsável, iremos tomar medidas correspondentes”, disse numa audição parlamentar, quando questionado sobre se os militares tinham concluído de forma preliminar que a mina era norte-coreana.
Kang afirmou que forças sul-coreanas estavam na DMZ para limpar a área antes de uma operação com o Comando da ONU destinada a avaliar alterações do terreno provocadas por forças norte-coreanas a sul da Linha de Demarcação Militar, que marca a fronteira de facto entre as nações.
O ministro adiantou que os detetores de minas usados pelas equipas eram “os modelos mais recentes”, mas que os esforços de deteção foram dificultados pela vegetação densa na área, sublinhando que “limpar toda a vegetação à medida que avançavam era difícil”.
“A nossa avaliação atual é que as minas poderão não ter sido detetadas porque os detetores estavam a ser operados demasiado acima do solo”, afirmou.
Na audição, Yang Jin-hyeok, do Estado-Maior Conjunto, disse aos deputados que uma inspeção ao local realizada mais cedo esta terça-feira descobriu uma mina antipessoal de plástico norte-coreana que não chegou a explodir.
Kang disse aos parlamentares que os militares “dispõem de um conjunto de medidas necessárias e iremos implementá-las por fases”, sem adiantar pormenores.
Seul e Pyongyang continuam tecnicamente em guerra, uma vez que o conflito coreano terminou com uma trégua, e não com um tratado de paz.
“Inimigo principal”
Kwon Dae-won, vice-presidente do Estado-Maior Conjunto sul-coreano, afirmou na segunda-feira que duas minas terrestres explodiram durante o incidente de 21 de setembro e que uma terceira mina, não detonada, foi encontrada quando os soldados se retiravam após a explosão.
“Tendo em conta a cratera e o padrão das chamas da explosão, a gravidade dos ferimentos sofridos pelos militares... avaliamos que há fortes suspeitas de que minas terrestres norte-coreanas tenham causado a explosão”, declarou Kwon na altura.
Desde 2024, depois de o líder norte-coreano, Kim Jong-un, ter designado a Coreia do Sul como “inimigo principal” do país, o exército de Pyongyang tem colocado minas e construído barreiras antitanque ao longo da fronteira, como parte de esforços para a selar de forma permanente.
Num incidente com minas terrestres em 2015, dois soldados sul-coreanos ficaram gravemente feridos numa explosão no lado sul da DMZ, tendo um deles perdido ambas as pernas.
Seul concluiu que tropas norte-coreanas tinham atravessado a Linha de Demarcação Militar para plantar as minas, uma acusação que Pyongyang negou.
O incidente levou a Coreia do Sul a retomar emissões com altifalantes de propaganda contra Pyongyang ao longo da fronteira.