Segundo os investigadores, "quase todos irão encontrar alguém afetado entre familiares e conhecidos, por isso é preciso preparar conversas familiares dolorosas".
Na Hungria, ultimam-se os preparativos no Arquivo Histórico dos Serviços de Segurança do Estado antes da divulgação dos dossiês de agentes. A 4 de novembro, alguns documentos relativos às pessoas integradas nas redes do sistema socialista passam a poder ser pesquisados livremente. Segundo os historiadores do arquivo, o site nyitottaktak.hu deverá ter um forte impacto.
“Até agora apenas na Eslováquia e na Chéquia se conseguiram tornar públicos livros de registo. A solução agora adotada na Hungria vai muito mais longe, porque, por um lado, serão colocados na Internet cartões de registo muito mais detalhados e, por outro, todos os dossiês de recrutamento existentes. Nada deste tipo foi feito em mais lado nenhum no mundo”, declarou à Euronews o diretor-geral do arquivo, Dr. Cseh Gergő Bendegúz.
Dados exigem tratamento cuidadoso
O governo de Péter Magyar cumpre uma das suas promessas eleitorais ao tornar públicos os dossiês de agentes. Nos termos da lei, quatro tipos de documentos serão colocados numa base de dados de acesso livre: os chamados cartões n.º 6, o repositório de dados H das fitas magnéticas, os diários B e os dossiês B.
Os cartões n.º 6 eram emitidos aquando do recrutamento das pessoas de rede e contêm os seus dados pessoais, bem como informações relacionadas com esse processo. As fitas magnéticas incluem sobretudo dados pessoais e os diários B enumeram os recrutados, embora só existam para o período entre 1957 e 1962.
Nos cartões n.º 6 figura muito pouca informação sobre cada pessoa de rede. Não se percebe de todo como foi recrutada, se tentou resistir ou se colaborou voluntariamente com a segurança do Estado. Também não é possível saber que tipo de relatórios apresentou, ou seja, por exemplo, se terá sabotado o trabalho das autoridades para proteger conhecidos. A partir dos dossiês B, isto é, os dossiês de recrutamento, já se pode obter mais informação, mas estes registos mais extensos só ficarão acessíveis ao público em fevereiro.
Famílias devem preparar-se para "conversas dolorosas"
Como vão ser publicados na internet dados de 50 a 60 mil pessoas, os investigadores consideram que quase todos irão encontrar alguém conhecido ou aparentado entre os visados e que será preciso preparar conversas familiares dolorosas. O arquivo procura apoiar a interpretação dos documentos e a sua contextualização.
“Procuramos estabelecer uma relação ativa com as escolas. Recebemos grupos de alunos ou deslocamo-nos nós próprios e tentamos chegar às camadas mais jovens com ferramentas modernas, por exemplo através de antigos filmes didáticos dos serviços de segurança do Estado”, explicou o diretor do Departamento Científico, István Papp.
Quem encontrar o nome de um antepassado entre as pessoas da rede deverá solicitar ao arquivo também os documentos que lhe dizem respeito e que não serão tornados públicos a 4 de novembro. O pedido é totalmente gratuito e pode ser feito online.