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Clube de networking em Bruxelas gerido por chineses levanta receios nos serviços de informações

Bandeira chinesa exposta ao início da noite, com o distrito financeiro de Pequim em fundo, segunda-feira, 15 de julho de 2024, na China
Bandeira chinesa em destaque ao anoitecer, com o bairro financeiro de Pequim ao fundo, segunda-feira, 15 de julho de 2024 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Peggy Corlin
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O Global CEOs Dinner Club reúne líderes empresariais e figuras políticas em eventos de alto nível em Bruxelas e prepara agora expansão para França.

Gerido por cidadãos chineses e dirigido às elites empresariais e políticas de Bruxelas, um clube de networking apresenta traços que remetem para uma operação de influência e recolha de informações, disse a Euronews uma fonte de serviços de informação ocidentais.

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Segundo a mesma fonte, o Global CEOs Dinner Club, que se encontra em fase de expansão para França, funciona de forma associada à Frente Unida da China, uma rede do Partido Comunista utilizada para promover os interesses de Pequim no estrangeiro.

Esta avaliação surge numa altura em que a Bélgica tem estado recentemente no centro de várias investigações por espionagem conduzidas pela Procuradoria Federal, incluindo inquéritos a um antigo investigador sino-belga na indústria dos semicondutores e a um cidadão canadiano de origem chinesa que trabalhava na NATO, em Mons.

Yifei Yang, responsável pelo Global CEOs Dinner Club, estudou na China e num instituto europeu privado em Nice, França, antes de lançar a organização em Bruxelas, em março passado.

O meio de comunicação francês La Lettre noticiou na semana passada que as suas atividades levaram pelo menos um serviço de informação ocidental a ficar em alerta.

Questionada pela Euronews, uma fonte dos serviços de informação não quis confirmar se o respetivo serviço está a investigar o caso. No entanto, depois de lhe terem sido descritas as atividades de Yang, a mesma fonte afirmou que estas coincidem com o modus operandi da Frente Unida chinesa.

A Frente Unida é uma rede do Partido Comunista com várias décadas, conhecida por promover os interesses da China através de organizações e indivíduos no estrangeiro, e parte das suas atividades tem sido igualmente associada à recolha de informações para os serviços de informação chineses.

Contactada pela Euronews, Yang negou que a China esteja por detrás do clube, insistindo que “somos neutros” e acrescentando que o objetivo passa por ter “impacto na sociedade” e “criar negócios sustentáveis”.

Contactos através do LinkedIn

Desde março passado, o Global CEOs Dinner Club tem reunido figuras empresariais e protagonistas ligados à política belga e da UE em encontros dedicados a temas que vão da sustentabilidade e diversidade à tecnologia e inteligência artificial.

Na noite de quarta-feira, estava previsto acolher um jantar intitulado “China–UE EV Futures: Competition, Collaboration, and the Road Ahead” num hotel de luxo em Bruxelas, reunindo líderes empresariais, decisores políticos, responsáveis do setor tecnológico e investidores.

Entre os convidados estavam Hui Zhang, vice-presidente do fabricante chinês de veículos elétricos NIO; Melanie Schuttenberg, membro do conselho de administração da empresa dinamarquesa de componentes automóveis TAJCO; e Ole Gerkensmeyer, diretor de estratégia (CSO) da Nexperia, fabricante de chips sediada nos Países Baixos.

Yang afirmou que a organização conta atualmente com 20 membros de países como França, Bélgica, Dinamarca, Japão, China e Singapura. A quotização anual é de 2 400 euros para particulares e de 5 000 euros para empresas.

“Não se trata apenas de negócios”, disse Yang à Euronews, descrevendo a organização como “orientada por valores”. Acrescentou que 10% das receitas são destinados a ONG e instituições de caridade.

O site do clube indica que, nos últimos meses, entre os oradores estiveram representantes do centro belga de investigação em semicondutores imec e da Le Refuge, uma estrutura de acolhimento para jovens adultos LGBTQIA+.

A senadora belga Marie-Claire Mvumbi, que interveio num dos eventos do clube sobre diversidade, disse à Euronews que Yang a contactou através do LinkedIn.

Mvumbi referiu que entre 30 e 50 pessoas participaram no encontro, que incluiu debates sobre diversidade nos processos de recrutamento empresarial. “O evento deixou uma boa impressão”, afirmou.

Yang afirma esperar expandir a organização para França e enviou recentemente convites para um evento dirigido a executivas, previsto para novembro no luxuoso hotel Le Meurice, em Paris.

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