Teerão rejeita qualquer envolvimento no incidente de domingo na base aérea utilizada pelos EUA, onde a polícia encontrou gasolina, mas não encontrou quaisquer explosivos. Entretanto, cinco suspeitos foram libertados sob fiança.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, afirmou esta quarta-feira que existem “fortes indícios” de que o Irão esteve envolvido em atividade suspeita perto de uma base aérea do Reino Unido usada pelas forças armadas dos Estados Unidos, o que desencadeou um importante alerta de segurança.
“Há fortes indícios de que o Irão teve um papel no que aconteceu no fim de semana na RAF Fairford”, disse Burnham à BBC, referindo-se à ameaça de bomba de domingo junto da base no sudoeste de Inglaterra, que os Estados Unidos têm utilizado na sua guerra contra o Irão.
“Trata-se, naturalmente, de uma investigação policial ainda em curso, complexa e grave”, acrescentou.
Em declarações à Sky News, Burnham afirmou: “Tínhamos aguardado para confirmar o que podíamos dizer, mas podemos agora confirmar a nossa convicção de que o Irão teve um papel.”
As declarações constituem a primeira indicação oficial das autoridades britânicas de que o Irão poderá estar por detrás do incidente. As autoridades não explicaram a natureza da ameaça.
A embaixada do Irão em Londres tinha já declarado que “rejeita categoricamente e condena veementemente” as especulações sobre o seu envolvimento.
O alerta começou no início da madrugada de domingo, quando três carrinhas brancas pareceram dirigir-se para a RAF Fairford. Uma moradora que contactou a polícia disse ter visto um grupo de homens encapuzados junto às viaturas, que bloqueavam uma estrada numa localidade vizinha da base.
A polícia deteve cinco homens britânicos no domingo, suspeitos de crimes relacionados com explosivos e terrorismo, mas libertou-os mais tarde sob fiança.
Na terça-feira, após três dias de investigações, que incluíram o recurso a uma equipa de inativação de explosivos, a polícia indicou que não foram encontrados explosivos nos veículos, embora tenha sido recuperada “uma quantidade de gasolina”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o secretário de Estado, Marco Rubio, já tinham sugerido que os serviços de informações conheciam os suspeitos e que poderia haver o envolvimento de um Estado estrangeiro, mas as autoridades britânicas não tinham até agora comentado.
Aumentaram assim as especulações de que o Irão, ou outro Estado hostil, poderia ser responsável, depois de Teerão ter avisado Londres contra a utilização das suas bases militares por Washington.