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Indústria de defesa europeia “não está preparada” para aumento do rearmamento, alerta eurodeputado estónio

Oradores no Euronews Defence Summit, em Bruxelas, em 30/09/2026
Oradores no Euronews Defence Summit, em Bruxelas, a 30/09/2026 -  Direitos de autor  Euronews
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De Vincenzo Genovese & Eleonora Vasques
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Eurodeputado estoniano e antigo general Riho Terras defendeu a compra de armas fora da União Europeia durante debate sobre despesas de defesa.

Terras defende que os Estados-membros da UE devem adquirir as melhores capacidades ao menor custo possível, independentemente da sua origem, contrariando os defensores de uma estratégia "Made in Europe" para as compras de defesa.

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"A indústria europeia ainda não está preparada para produzir em quantidade, com a velocidade e a qualidade de que as nossas forças armadas necessitam para reforçar rapidamente as suas capacidades", afirmou na quarta-feira, durante um debate sobre o aumento da despesa em defesa, na cimeira Euronews Defence & Space.

O debate, moderado por Shona Murray da Euronews, contou também com a participação de Hannah Neumann, eurodeputada do grupo dos Verdes/Aliança Livre Europeia, de Camille Grand, secretário-geral da Associação das Indústrias Aeroespaciais, de Segurança e Defesa da Europa (ASD Europe), e de Lorena Boix Alonso, diretora-geral adjunta da Direção-Geral da Comissão Europeia para a Indústria de Defesa.

Todos os participantes concordaram com a necessidade de aumentar a despesa em defesa, mas não sobre como o fazer. No entanto, divergiram sobre como atingir a meta de elevar o investimento em defesa para 5% do PIB, acordada pela NATO no ano passado.

Grand salientou que a indústria europeia enfrenta "múltiplas tarefas em simultâneo", que vão desde o apoio à Ucrânia e a reconstrução das reservas militares até ao impulso da inovação, numa altura em que décadas de fraca despesa criaram uma lacuna na capacidade militar.

"Se a Alemanha tivesse estado nos 2% de despesa em defesa nos últimos 20 anos, teria gasto mais 400 mil milhões", afirmou o responsável, defendendo que a UE tem agora um papel crucial na redução da dependência dos países relativamente aos fabricantes norte-americanos.

O plano "Readiness 2030" da Comissão Europeia, apresentado no ano passado, apoia a produção de material estratégico, nomeadamente em termos de defesa aérea e antimíssil, sistemas de artilharia, mísseis, munições e sistemas antidrones, por meio de um pacote de empréstimos no valor de 150 mil milhões de euros.

O pacote inclui uma cláusula "Made in Europe" que exige que, pelo menos, 65% dos componentes militares elegíveis para financiamento sejam de origem europeia.

No entanto, os países da UE continuam divididos quanto à forma de aplicar a designação "Made in Europe" noutra legislação industrial, apesar dos avisos dos Estados Unidos de que essas regras poderão afastar aliados da NATO.

Segundo a eurodeputada Neumann, a UE deve concentrar-se, a médio prazo, em reforçar a sua própria capacidade industrial de defesa, dando prioridade a projetos transfronteiriços e elaborando uma estratégia comum.

"Se 27 Estados-Membros tentarem fazer algo, mesmo que com as melhores ideias, não conseguiremos ter a visão global de que precisamos", afirmou, sustentando que ou os países defendem em conjunto o projeto europeu, ou este "deixará de existir".

“As pessoas não acreditam que a ameaça seja iminente”

Outro ponto sensível no debate foi o desafio de convencer a opinião pública europeia a apoiar uma maior despesa em defesa.

Para o eurodeputado Terras, o principal problema é que as pessoas na Europa não acreditam que a ameaça da Rússia seja iminente.

“As pessoas em Espanha não acreditam nisso”, disse, apontando diferenças na perceção do perigo entre os países do norte e do sul da UE e criticando a recusa do governo espanhol em aumentar a despesa em defesa para 5 % do PIB.

Neumann apelou a que o financiamento da indústria de defesa seja tornado mais aceitável para os cidadãos europeus, através de um debate justo com os seus representantes.

“Se as empresas de defesa obtêm lucros enormes, não estou certa de que esta seja a melhor forma de usar o dinheiro dos contribuintes”, afirmou, considerando que os lucros registados pelo setor nos últimos anos são desproporcionados.

“Precisamos de encontrar uma abordagem diferente. Se não a encontrarmos, teremos então de falar de um imposto extraordinário sobre as empresas de defesa”, acrescentou.

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