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Modo como fala pode revelar sinais precoces de envelhecimento cerebral

Voz pode indicar ritmo do envelhecimento
Voz pode revelar quão depressa se envelhece -  Direitos de autor  Canva/Cleared
Direitos de autor Canva/Cleared
De Marta Iraola Iribarren
Publicado a
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A forma como falamos pode revelar a rapidez do nosso envelhecimento: uma voz envelhecida está associada à demência e a alterações no cérebro

A forma como alguém fala pode revelar muito mais sobre a sua saúde e o seu envelhecimento do que se pensava, conclui um novo estudo (fonte em inglês) que recorre a uma ferramenta informática automática denominada “relógio da fala”. A idade da fala de uma pessoa não se resume ao estilo vocal; segundo os investigadores, reflete o que está a acontecer no interior do organismo e pode vir a constituir uma alternativa automatizada, de baixo custo e não invasiva para medir o envelhecimento biológico.

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“A nossa voz parece conter muita mais informação sobre o envelhecimento do que reconhecíamos até agora”, afirmou Agustín Ibáñez, autor sénior do estudo no Trinity College Dublin.

Um sistema automático de computador calculou a idade da fala de cada pessoa e comparou-a com a respetiva idade de nascimento, revelando se a sua fala soava mais jovem, dentro da média ou mais envelhecida do que o esperado e fornecendo pistas sobre um envelhecimento saudável.

“Capta simultaneamente a passagem do tempo cronológico e sinais que procedem da cognição, do cérebro, da biologia sistémica e até do nosso ambiente social acumulado”, acrescentou.

Os investigadores analisaram gravações de áudio de quase 3 000 adultos hispanofalantes em vários países da América Latina. Os participantes realizaram diversas tarefas, incluindo narrar uma curta animação, recontar uma história após um intervalo de 20 minutos e nomear itens dentro de categorias específicas.

Recorrendo a aprendizagem automática, a equipa examinou centenas de características que traduzem como as pessoas falam e o que dizem, como a velocidade da fala e as pausas, o tom de voz, o conteúdo emocional, o vocabulário e a precisão semântica, para estimar a idade cronológica e gerar uma diferença individual designada “intervalo de idade da fala”.

Fala “mais velha”: o que revela

O relógio da fala distinguiu indivíduos saudáveis de pessoas com demência. Os participantes saudáveis apresentaram os intervalos de idade da fala mais reduzidos, enquanto se observaram diferenças progressivamente maiores em pessoas com doença de Alzheimer e em formas de demência frontotemporal.

As pessoas cuja fala parece mais envelhecida do que seria de esperar para a sua idade cronológica apresentaram sinais de envelhecimento acelerado em vários sistemas biológicos e clínicos. As imagens de ressonância magnética mostraram maior perda de estrutura cerebral e alterações na atividade do cérebro.

Pontuações mais elevadas de fala envelhecida associaram-se também a níveis superiores de p-Tau217, uma proteína-chave no sangue ligada à doença de Alzheimer.

Os participantes com pontuações de fala mais velha tiveram pior desempenho em testes de memória, atenção e resolução de problemas. Esta ligação surgiu não apenas em tarefas relacionadas com a linguagem, mas igualmente em tarefas não verbais, como a memória visual.

“Apesar de tudo, o resultado mais abrangente é, ainda assim, notável: a voz de uma pessoa pode fornecer um registo extraordinariamente compacto de múltiplas dimensões do envelhecimento”, acrescentou Ibáñez.

Fatores como a idade cronológica, o envelhecimento do cérebro, a cognição e os fenótipos de Alzheimer e outras demências medem-se tradicionalmente com instrumentos muito diferentes e muitas vezes dispendiosos, mas parecem convergir na forma como cada pessoa fala, explicou.

Os autores lembraram que muitas das medidas atuais de envelhecimento biológico exigem aparelhos de ressonância magnética, amostras de sangue ou avaliações clínicas especializadas. Em contraste, o “relógio da fala” oferece uma alternativa automatizada, de baixo custo e não invasiva, que pode ser aplicada à distância em dispositivos comuns, sem necessidade de equipas médicas especializadas.

Os investigadores sublinharam, porém, que o relógio da fala ainda não é um teste de diagnóstico para a demência e que não permite determinar se um perfil de fala aparentemente mais envelhecido prevê quem irá desenvolver posteriormente declínio cognitivo.

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