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Estados Unidos: Trump debate peste com Putin enquanto Rússia minimiza receios de surto

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ARQUIVO – Técnicos de laboratório trabalham na sede da Valneva em Saint-Herblain, oeste de França, em 3 de fevereiro de 2021.
Arquivo - Técnicos de laboratório trabalham na sede da Valneva em Saint-Herblain, oeste de França, em 3 de fevereiro de 2021. -  Direitos de autor  David Vincent/Copyright 2021 The AP. All rights reserved
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De Irina Sheludkova & Euronews Russian
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Kremlin saudou a proposta, enquanto a autoridade russa de saúde respondeu que Moscovo está “pronta a ajudar os EUA a enfrentar surtos de doenças infecciosas”, após a OMS pedir informações adicionais à Rússia.

O presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, afirmou esta terça-feira que tinha agendado uma chamada com o homólogo russo, Vladimir Putin, para discutir um caso suspeito de peste num instituto de investigação na Sibéria que suscitou escrutínio internacional, oferecendo ajuda norte-americana enquanto responsáveis regionais russos garantiam que iriam gerir a situação por conta própria.

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Trump disse a jornalistas na Casa Branca que a chamada com Putin estava marcada para “muito em breve” e adiantou que decorrem em Washington “discussões muito aprofundadas” sobre o caso.

Na segunda-feira, já tinha afirmado aos repórteres que os Estados Unidos estavam prontos para ajudar, descrevendo a peste como “uma doença grave”. “É uma doença que antes conseguíamos controlar”, disse. “Vamos ajudar.”

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou que a Rússia acolhe favoravelmente a oferta de assistência. Já o Rospotrebnadzor, autoridade de saúde russa, respondeu aos Estados Unidos, declarando que a Rússia está “pronta a ajudar os Estados Unidos a enfrentar surtos de doenças infeciosas”, citando surtos de sarampo em três estados norte-americanos.

As autoridades locais também rejeitaram ajuda externa, alegando que não existe ameaça de surto de peste na Sibéria.

“Vamos conseguir gerir sozinhos. A situação está totalmente sob controlo. O diagnóstico de risco não está a ser confirmado, mas continuamos a cumprir todas as medidas de protocolo”, afirmou em comunicado Elena Sofina, vice-presidente da câmara do distrito de Shelekhov, acrescentando que 60% das pessoas colocadas em quarentena já tinham sido libertadas.

Rússia: tudo calmo em Irkutsk?

Darya Shipilova, 28 anos, investigadora no Instituto Anti-Peste da Sibéria e do Extremo Oriente, em Irkutsk, morreu no hospital em 2 de outubro. Relatos não confirmados indicavam que teria partido um frasco contendo um agente patogénico da peste.

Registos oficiais russos apontam como causa de morte “pneumonia de etiologia desconhecida”. Apesar de os testes aos contactos terem dado negativo, as autoridades colocaram quase 200 pessoas em quarentena e impuseram restrições a vários hospitais, medidas que não são habituais em casos de pneumonia comum.

A Organização Mundial da Saúde referiu esta terça-feira que avalia como “muito baixo” o risco fora da Rússia e que não vê sinais de propagação da doença. O porta-voz Christian Lindmeier afirmou que a causa da morte ainda não foi oficialmente confirmada e que os testes laboratoriais continuam.

O diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, afirmou que a organização pediu à Rússia “informação adicional para determinar a causa da pneumonia grave” e para verificar notícias sobre um segundo membro do pessoal com pneumonia de causa desconhecida.

“É fundamental que a partilha de informação seja atempada, completa e transparente, em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional”, disse.

Os Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos EUA indicaram que acompanham de perto a situação e que “neste momento não há sinais de uma ameaça mais alargada para os Estados Unidos”.

A embaixada dos EUA em Moscovo assinalou que está a seguir a evolução do caso e recordou aos cidadãos norte-americanos que o aviso de viagem de Nível 4 do Departamento de Estado, “não viajar”, para a Rússia se mantém em vigor.

Os cidadãos norte-americanos que planeiam uma viagem à Rússia foram novamente fortemente aconselhados a não o fazer, devido ao risco de detenção arbitrária e a preocupações de segurança, indicou a embaixada.

Residentes de Irkutsk disseram à AFP que não estavam alarmados. “Se a situação fosse mesmo grave, acho que, nesta altura, já estaria tudo fechado”, afirmou um homem.

Os funcionários do instituto antipeste já saíram da quarentena. O meio independente Lyudi Baikala publicou comentários informais de colegas e antigos colegas de turma de Shipilova que lançam dúvidas sobre a versão do frasco partido.

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