Mais de 6 500 pessoas, a maioria menores, foram detidas desde o início do movimento e um adolescente perdeu uma mão ao manusear uma granada da polícia.
França suspendeu o uso de granadas de atordoamento pela polícia em protestos de estudantes do ensino secundário, depois de um jovem de 15 anos ter perdido uma mão e de se multiplicarem as denúncias de violência policial.
O ministro do Interior, Laurent Nunez, anunciou a medida na rádio RTL, na manhã de quarta-feira. O adolescente ficou ferido na segunda-feira depois de a polícia ter disparado uma granada deste tipo.
“Estou a suspender a sua utilização nos protestos de estudantes do ensino secundário até que os factos do incidente sejam esclarecidos”, afirmou Nunez. Salientou que a suspensão se aplica apenas a essas manifestações e durará o tempo necessário para apurar o que aconteceu.
Segundo o ministro, a polícia abriu 18 investigações internas a alegados abusos desde o início dos protestos. Um agente foi acusado na terça-feira, depois de um jovem de 14 anos, no noroeste de Paris, ter sido atingido na cara por uma granada de gás lacrimogéneo, na semana passada, a uma distância tão curta que perdeu vários dentes.
Mais de 6.500 pessoas, a maioria menores, foram detidas desde o início do movimento, no final de setembro, quando os alunos começaram a bloquear liceus em protesto contra instalações degradadas e falta de professores. Centenas de estudantes, polícias e membros do corpo docente ficaram feridos.
Segundo o ministério do Interior, um quarto de milhão de pessoas manifestou-se em toda a França na terça-feira, com pelo menos 488 detenções e 43 elementos das forças de segurança feridos.
Advogados de jovens detidos afirmam que os seus clientes foram alvo de violência e insultos. Prisca Ancion, do Coletivo para a Ação Judicial, disse à AFP que todos os estudantes do ensino secundário detidos referiram ter sofrido “um insulto, uma bofetada, serem mantidos com a cabeça colada ao chão, estrangulamentos”.
“Foi preciso que várias crianças ficassem mutiladas para o resto da vida para que Nunez renunciasse ao uso de granadas contra estudantes do ensino secundário”, afirmou Manuel Bompard, coordenador nacional do partido La France Insoumise (LFI). O governo tem responsabilizado o LFI por alimentar as tensões.
O presidente Emmanuel Macron reuniu-se de urgência com o primeiro-ministro, Sebastien Lecornu, e vários ministros chave na noite de terça-feira. Lecornu, que deverá pronunciar-se sobre os protestos ainda esta quarta-feira, escreveu no X: “A voz dos estudantes do ensino secundário é preciosa e tem de ser ouvida”.
Vários sindicatos nacionais da educação apelaram a novas greves e manifestações na quinta-feira.