Loader
Encontra-nos
Publicidade

Manifestantes reúnem-se em vigília por Maricarmen para defender o seu legado

Carregando o vídeo
Maricarmen, 87 anos, espera em casa pela chegada da polícia antes de ser despejada da casa onde vivia, em Madrid, Espanha, quarta‑feira, 23 set. 2026
Maricarmen, 87 anos, espera em casa pela chegada da polícia antes de ser despejada da casa onde viveu, em Madrid, Espanha, quarta-feira, 23 de setembro de 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Malek Fouda
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button
Copiar/colar o link embed do vídeo: Copy to clipboard Link copiado!

A mulher de 87 anos, cujo despejo desencadeou uma crise interna e deu origem a protestos antigovernamentais em todo o país, faleceu no hospital na noite de quarta-feira. Os manifestantes afirmam que continuarão a protestar para defender o seu legado.

María del Carmen Abascal, a idosa de 87 anos cujo despejo da casa onde vivia há décadas em Madrid desencadeou protestos por todo o país e uma crise política que levou o governo a antecipar as eleições, faleceu na quarta-feira, quando se encontrava hospitalizada.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, foi um dos primeiros a manifestar condolências nas redes sociais, após ativistas do movimento de defesa do direito à habitação e a advogada de Abascal terem anunciado a sua morte. Conhecida em todo o país como "Maricarmen", Abascal tornou-se um símbolo dos inquilinos que lutam contra a crise de acessibilidade à habitação em Espanha.

"Todo o meu carinho para a família e entes queridos de Maricarmen", escreveu Sánchez numa publicação na plataforma X, acrescentando: "Um abraço também para todos os que hoje sentem esta perda como sua. Que descanse em paz".

A comoção deu lugar à revolta entre os manifestantes concentrados junto ao Parlamento espanhol, que entoavam: "Maricarmen vive, a luta continua!".

"É uma enorme tristeza. E, sobretudo, a ideia de que ela foi a causa, a mente por trás de toda esta revolução, e de que não a puderam ver", afirmou Iciar López, uma psicóloga de 32 anos que participava na manifestação em Madrid.

"É muito triste não poder ver se daqui resulta alguma coisa. É isso que mais me revolta, sinceramente".

Os espanhóis, cada vez mais frustrados com o custo da habitação, têm saído regularmente à rua nas principais cidades para exigir medidas aos responsáveis políticos.

Manifestantes concentram-se após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Manifestantes concentram-se após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026 Bernat Armangue/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

No entanto, desde 23 de setembro que uma nova vaga de indignação varre o país, data em que Maricarmen, que se deslocava em cadeira de rodas, foi transportada numa maca da casa onde vivia há sete décadas, após a polícia ter isolado a rua e retirado os manifestantes.

Foi levada para o hospital devido ao seu estado de saúde frágil. As imagens televisivas do despejo levaram milhares de pessoas a protestar em Madrid e noutras cidades do país.

Beatriz Duro, a advogada de Maricarmen, não revelou a causa da morte quando esta foi confirmada à estação de rádio Cadena Ser. Duro afirmou que todos, ela e os ativistas, estavam arrasados.

Manifestantes concentram-se após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Manifestantes concentram-se após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026 Bernat Armangue/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

"O caso de Maricarmen, que teve grande destaque na comunicação social e deu a volta ao mundo, mostra-nos a realidade vergonhosa destes despejos e o impacto que podem ter na saúde das pessoas", disse Duro.

Esperava-se que regressasse a casa após a alta hospitalar. No entanto, a empresa imobiliária que a tinha despejado para poder alugar o imóvel por um valor muito mais elevado acabou por ceder à enorme pressão pública e concordou em deixá-la regressar ao apartamento.

"Embora tenha sido alcançado um acordo histórico que lhe teria permitido regressar a casa, a solução chegou demasiado tarde", afirmou o Sindicato de Inquilinos de Madrid num comunicado divulgado na quarta-feira. "Foi uma situação totalmente evitável, após um processo profundamente doloroso."

Manifestantes concentram-se junto ao Parlamento após a morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, 7 de outubro de 2026
Manifestantes concentram-se junto ao Parlamento após a morte de María del Carmen Abascal, a mulher de 87 anos cujo despejo desencadeou protestos em todo o país, Madrid, 7 de outubro de 2026 Bernat Armangue/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

O valor médio das rendas em Espanha quase duplicou nos últimos dez anos. Segundo o governo, 26% dos espanhóis que vivem em casas arrendadas gastam, em média, 40% do rendimento em renda e serviços, contra uma média de 18% dos inquilinos na União Europeia.

Manifestantes acampados na praça central Puerta del Sol, em Madrid, cumpriram um minuto de silêncio depois de saberem da sua morte.

Maricarmen passou quase toda a vida no apartamento, onde viveu primeiro com os pais e o irmão. Mais tarde trabalhou como secretária do conselho de administração de uma empresa farmacêutica, segundo órgãos de comunicação espanhóis.

Agentes da polícia isolam a zona enquanto manifestantes se concentram perto do Parlamento após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, de 87 anos, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026
Agentes da polícia isolam a zona enquanto manifestantes se concentram perto do Parlamento após a notícia da morte de María del Carmen Abascal, de 87 anos, Madrid, quarta-feira, 7 de outubro de 2026 Bernat Armangue/Copyright 2026 The AP. All rights reserved

Depois de se reformar, em 1998, passou os dias a percorrer o bairro, a tratar de assuntos e a cuidar dos objetos de que mais gostava em casa.

Os meios de comunicação espanhóis avançaram que fotografias de família a preto e branco estavam entre os poucos objetos que levou consigo para o hospital.

“Maricarmen só queria morrer em casa. Não pedia mais nada”, disse Eugenio Melchor, de 22 anos, no protesto em Madrid.

“Estava a morrer em casa e quase conseguiu. Mataram-na. Não há outra palavra para o dizer e espero que os responsáveis por isto sejam punidos e levados a tribunal.”

Outras fontes • AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Ucrânia: ataque russo a dois autocarros em Donetsk mata 30 e fere 18

Relatório confidencial: apenas um terço dos programas antidrone da UE cumpre metas até 2030

Revolta estudantil em França chega a Portugal: Liceu Francês encerrado por questões de segurança