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Marco Rubio diz que Portugal é "porta de entrada ideal" na Europa para os EUA

Marco Rubio em Portugal
Marco Rubio em Portugal -  Direitos de autor  AP Photo
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De Ana Filipa Palma
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Após uma visita à Islândia e à Grécia, o secretário de Estado norte-americano faz uma breve visita a Portugal esta quinta-feira, tendo reunido com o primeiro-ministro, Luís Montenegro, e Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros.

É uma visita relâmpago: Marco Rubio, secretário de Estado norte-americano, chegou a Lisboa pelas 11h30 desta quinta-feira e dirigiu-se para São Bento, residência oficial do primeiro-ministro português, onde se reuniu por breves minutos com Luís Montenegro.

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Após este primeiro encontro, Rubio seguiu para o Palácio das Necessidades, para uma breve conversa com Paulo Rangel, ministro dos Negócios Estrangeiros, à qual se seguiu uma conferência de imprensa, a única em Portugal. Foi Paulo Rangel quem falou primeiro, para sublinhar que Portugal e os EUA são "aliados históricos" que defendem o "Estado de Direito, os valores democráticos, que representam o mundo livre".

Rangel reforçou também as relações "cada vez mais fortes" entre os dois países na economia, na segurança e defesa, na educação e na cultura.

O ministro português sublinhou ainda que "a amizade histórica de países aliados consolidou-se em 1995 com o Acordo de Cooperação e Defesa que enquadra a realização da Comissão Bilateral Permanente" e que essa "tem sido um canal diplomático privilegiado de diálogo com o enquadramento jurídico sobre muitas áreas da relação bilateral e sobre também a presença militar norte-americana na base das Lajes".

O tema das Lajes não foi discutido neste encontro, segundo adiantou Rangel depois de ser questionado pelos jornalistas, garantindo apenas que a utilização da base açoriana pelos EUA está enquadrada neste "tratado que está a regular as relações e que tem servido ambas as partes."

Rubio, que se recusou a comentar a abertura de um processo pelo Ministério Público porutuguês à legalidade da utilização da Base das Lajes pelos EUA - na sequência de uma queixa do Bloco de Esquerda - acusou por sua vez a Amnistia Internacional, que considera que Portugal violou o Direito Internacional Humanitário ao permitir a escala de caças norte-americanos - de "fraude", dizendo que a atenção da ONG deveria estar na análise "dos crimes do regime iraniano".

"Mantemos uma relação forte com Portugal e seguimos os protocolos", disse. “Dispomos de protocolos e utilizamos as bases na base dos acordos feitos com os aliados da NATO”, referiu o secretário de Estado norte-americano.

"Aguardo com expectativa os futuros séculos de colaboração entre os EUA e Portugal, à medida que criamos uma aliança transatlântica mais segura e forte e promovemos um futuro mais próspero para os nossos povos", afirmou Rubio.

Rubio elogiou Portugal no investimento feito na defesa

Na sua primeira intervenção, Rubio começou por referir a relação entre ambas as nações que, juntas, construíram a frota de F-16, "fortalecendo não apenas a segurança e a defesa dos nossos dois países, mas fortalecendo a NATO como resultado disso."

O secretário de Estado dos EUA elogiou também o investimento na defesa que Portugal tem feito, lembrando que investir na defesa "não é uma coisa hostil" e que para a NATO ser forte os seus Estados-membros também têm de "ser fortes" e de "ter capacidades".

"A NATO existe, mais do que qualquer coisa, como uma aliança defensiva que atua como uma deferência contra a hostilidade, que nos serviu bem por décadas. E, se queremos que nos continue a servir, temos de garantir que seja forte", rematou.

Rubio mostrou-se ainda ansioso por "construir a próxima geração de armamento" com tecnologia militar avançada que vai ser necessária "para deter os adversários do futuro.

Tal como Paulo Rangel, que destacou a área da economia como um ponto de encontro entre as duas nações, Rubio também destacou o setor económico, "onde Portugal tem um papel integral em fornecer o comércio dos EUA e em transmitir a tecnologia dos EUA para o continente europeu", disse.

Como exemplo, o diplomata norte-americano referiu os "cabos submarinos, energia acessível, reservas minerais críticas e centros de dados de alta escala".

Tudo isto faz com que Portugal seja "a porta de entrada ideal, do ponto de vista geográfico e económico", para as empresas americanas de tecnologias chegarem à Europa, sublinhou Rubio.

"No ano passado, os investidores dos EUA investiram mais de 20 mil milhões de dólares em Portugal e as empresas portuguesas investiram mais de 2 mil milhões de dólares nos EUA, o que é um número grande para um país deste tamanho", referiu.

O chefe da diplomacia dos EUA reforçou ainda a necessidade de fortalecer esta cooperação criando um mecanismo mais ágil, eliminando burocracias, que resulte em maiores negócios. Elogiou também os esforços de Portugal ao combater o narcotráfico, referindo a apreensão nos últimos anos de 200 toneladas de cocaína em operações das autoridades portuguesas, também em conjunto com entidades dos EUA.

F-35 a caminho? "Decisão ainda não está tomada"

A substituição da frota portuguesa de F-16 em fim de vida pelos F-35 americanos tem sido uma possibilidade avançada por elementos da Força Aérea portuguesa, mas o tema não terá sido abordado nesta visita de Rubio, a julgar pelas respostas na conferência de imprensa.

"Se Portugal achar que os F-35 são a melhor escolha, essa será a decisão, não seremos nós a impor isso", respondeu Marco Rubio. "Se me perguntarem, claro que acho que devem comprar porque são os melhores... não venho aqui vender aviões construídos por outros países", acrescentou.

Paulo Rangel não adiantou muito mais sobre o assunto porque "essa decisão não está tomada e não vai ser o Ministro do Negócios estrangeiros que o vai dizer", esclareceu.

"O Estado português decidirá pelo interesse nacional e é evidente que também estamos a olhar para a proposta dos EUA dos F-35, como encaramos outras. Não posso adiantar mais porque não me compete a mim. Existe uma competência do ministério da Defesa, sem prejuízo que seja uma decisão governamental coletiva", acrescentou.

Interesse dos EUA em Portugal reflete-se no turismo e empresas

O ministro dos Negócios Estrangeiros português afirmou que o interesse dos Estados Unidos e dos cidadãos norte-americanos por Portugal continua a crescer. "Em 2025, os visitantes norte-americanos geraram quase 11% das receitas turísticas, e no primeiro trimestre de 2026, os cidadãos norte-americanos passaram a ter o terceiro lugar como visitantes de Portugal", revelou.

No setor económico, "as nossas empresas estão cada vez mais presentes no espaço dos Estados Unidos, seja no setor das renováveis, no setor farmacêutico, no setor automóvel, e também têm aumentado muito relevantemente aos investimentos norte-americanos em Portugal", disse Rangel, nomeando empresas como a Goldman Sachs, a Aquaterra, UPS, IBM ou a Google que "já tê uma presença muito relevante no nosso país".

"Enquanto Estado-membro da União Europeia, Portugal é seguramente um dos países que é campeão da prioridade que a Europa deve dar à relação transatlântica", sublinhou o ministro português, acrescentando que também a NATO é "um pilar fundamental" da defesa e segurança do país e é por isso "uma das prioridades na nossa política externa."

Na sua intervenção, Rangel referiu ainda o "apoio incondicional à Ucrânia" e o contributo "decisivo" dos Estados Unidos "para se poder atingir uma paz justa e duradoura".

Sobre a situação do Médio Oriente, Rangel disse que Portugal reconhece "as ameaças e os riscos postos pelo Irão e pelos seus próximos".

"Defendemos o absoluto respeito pela integridade dos nossos amigos Estados do Golfo e consideramos fundamental repor a liberdade de navegação em Ormuz e em toda a região, sem exceções e com total respeito pela lei do mar", acrescentou.

"Também sabemos que o contributo dos Estados Unidos é fundamental na resolução deste conflito", atirou.

Marco Rubio e Paulo Rangel
Marco Rubio e Paulo Rangel AP photo

Aprofundar relações estratégicas

Pouco depois de aterrar em Lisboa, ao fim da manhã desta quinta-feira, numa publicação na rede social X, Rubio escreveu que, ao aprofundar relações estratégicas em matéria de Defesa e ao lançar o Fórum de CEOs EUA-Portugal, os Estados-Unidos estariam a "transformar a diplomacia económica em oportunidades económicas através do aumento do comércio e do investimento".

Antes de embarcar rumo a Portugal, ainda em solo grego, o secretário de Estado norte-americano disse que Portugal era um grande aliado. "Um aliado muito cooperativo com os Estados Unidos, um país com o qual já temos uma relação sólida e crescente e visitamos esses países para reforçar essas ligações", disse.

Na altura em que foi anunciada a visita a Portugal, a Casa Branca reforçou que o objetivo era reforçar a cooperação tecnológica, militar e económica.

Ao contrário da vizinha Espanha, Portugal sempre assumiu uma posição mais moderada relativamente à sua relação e cooperação com os EUA, não tendo recusado a utilização das Lajes depois de Washington ter avançado para o conflito com o Irão.

Antes de regressar ao continente americano, Marco Rubio fará ainda uma paragem na embaixada dos EUA em Lisboa, para se reunir com diplomatas e famílias norte-americanas a viver em Portugal.

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