O encontro de Burnham com Merz ocorre num contexto de alertas sobre ameaças híbridas na Europa e sucede ao ataque com drone ao aeroporto de Leipzig/Halle, em agosto, que Berlim atribui à Rússia.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, chegou esta quinta-feira a Berlim, na sua primeira visita oficial à Alemanha, para conversações com o chanceler Friedrich Merz centradas, entre outros temas, na cibersegurança e nas ameaças híbridas provenientes da Rússia.
Burnham foi recebido com honras militares completas na Chancelaria, em Berlim, após a chegada.
A deslocação a Berlim ocorre numa altura em que Burnham enfrenta questões sobre a futura relação do Reino Unido com a União Europeia. Numa conferência do Partido Trabalhista, na semana passada, Burnham afirmou que apresentará, ainda este ano, opções para uma relação mais estreita com o bloco, deixando em aberto a possibilidade de um eventual regresso.
Segundo Downing Street, Reino Unido e Alemanha vão comprometer-se a aprofundar a cooperação em cibersegurança e no combate à sabotagem e a outras ameaças híbridas.
“A ameaça híbrida dos nossos adversários, sobretudo da Rússia, estende-se por toda a Europa e além, ameaçando a nossa segurança coletiva”, lê-se num comunicado do governo. “O Reino Unido e a Alemanha vão atuar em conjunto para identificar e travar atividades híbridas, venham de onde vierem.”
A nova parceria conjunta prevê que os dois países partilhem informações e coordenem ações para vigiar e neutralizar ameaças, procurando “reduzir a capacidade de atuação na Europa dos atores hostis”.
“Os ataques contra as nossas infraestruturas, as nossas empresas e as nossas democracias não são uma ameaça distante. Entram em casa das pessoas e nos locais de trabalho e são concebidos para nos tornar mais fracos e mais divididos”, afirmou Burnham.
“O Reino Unido e a Alemanha juntam forças para detetar, expor e travar estas atividades. Segurança e crescimento caminham lado a lado e ambos têm de chegar a todas as cidades e vilas dos nossos dois países”, acrescentou.
O encontro de Burnham com Merz ocorre numa altura de alertas crescentes para ameaças híbridas na Europa e sucede a um ataque particularmente significativo com drones ao aeroporto de Leipzig/Halle, em agosto, que Berlim acusa a Rússia de ter orquestrado.
Os dois dirigentes deverão aprovar formalmente o Tratado de Kensington, um acordo bilateral alcançado em 2025 que compromete ambos os países a uma cooperação mais estreita em matéria de defesa, segurança, ciência, tecnologia e crescimento económico.
No final de setembro, Burnham indicou que pretende reforçar a cooperação com a UE, afirmando que o Brexit “fez mais mal do que bem” e que o Reino Unido precisa de uma estratégia clara para a sua relação de longo prazo com a União Europeia.
“Não daremos ao Reino Unido o caminho claro de que precisamos para o resto deste século enquanto não decidirmos uma relação de longo prazo com aquilo que continua a ser o nosso maior mercado”, disse.