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Noruega pode abrir fundo soberano de 2 biliões de euros a fabricantes de armas nucleares

Arquivo – Caça F35 da Lockheed Martin sobrevoa o Salão Aeronáutico de Paris, terça‑feira, 17 de junho de 2025, em Le Bourget, a norte de Paris.
Arquivo: Um F-35 da Lockheed Martin voa no Salão Aeronáutico de Paris, terça-feira, 17 de junho de 2025, em Le Bourget, a norte de Paris -  Direitos de autor  AP Photo/Michel Euler
Direitos de autor AP Photo/Michel Euler
De Doloresz Katanich com AFP
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Fundo soberano da Noruega, o maior do mundo, com ativos superiores a 2 biliões de euros, pode voltar a investir em empresas que produzem armas nucleares, segundo proposta divulgada esta quinta-feira

Guerra traz novos desafios ao maior fundo soberano do mundo.

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Uma nova recomendação pode abrir caminho para que o fundo de riqueza norueguês, avaliado em 2 biliões de euros, passe a investir em grandes grupos de defesa ocidentais atualmente excluídos da carteira devido ao seu envolvimento na produção de armas nucleares.

Uma comissão nomeada pelo governo propôs a alteração no âmbito de uma revisão das regras éticas do fundo, apresentada esta quinta‑feira.

De acordo com as atuais orientações éticas, o fundo exclui 14 empresas por desenvolverem ou fabricarem armas nucleares ou os seus componentes, incluindo gigantes industriais como a Airbus, a BAE Systems, a Boeing, a Lockheed Martin e a Safran.

Em novembro do ano passado, o governo norueguês ordenou uma revisão destas orientações.

A comissão foi presidida pelo antigo governador do banco central, Svein Gjedrem.

Ao abrigo da isenção proposta, o fundo poderia investir em fabricantes de armamento nuclear com sede num Estado dotado de armas nucleares reconhecido pelo Tratado de Não Proliferação de Armas Nucleares (TNP), que seja também aliado da Noruega na NATO.

“Isto significa que vários fabricantes de armamento britânicos, franceses e norte‑americanos voltarão a integrar o fundo”, afirmou Gjedrem, ao apresentar o documento de 434 páginas.

Outros critérios éticos de exclusão, como a produção de armas biológicas e químicas, minas terrestres e bombas de fragmentação, bem como aqueles que abrangem o carvão, o tabaco e a cannabis, seriam mantidos, indicou a comissão.

O relatório foi entregue ao ministro das Finanças, Jens Stoltenberg, antigo secretário‑geral da NATO.

Stoltenberg assinalou “o paradoxo” de “o fundo norueguês não poder investir em empresas que podem ser cruciais para a segurança da Noruega”, numa altura em que a Rússia ameaça cada vez mais recorrer a armas nucleares e a China reforça o seu próprio arsenal.

A comissão propôs ainda alterações ao Conselho de Ética, órgão independente responsável por emitir recomendações ao banco central da Noruega, que gere o fundo.

O conselho continuaria responsável por avaliar o risco de as empresas poderem violar gravemente as normas éticas do fundo, mas deixaria de poder recomendar diretamente a sua exclusão da carteira, um poder já suspenso enquanto decorre a revisão.

As recomendações do relatório estarão em consulta pública até 15 de janeiro, antes de o governo apresentar a sua avaliação ao parlamento na próxima primavera.

Alguns partidos políticos, sobretudo à esquerda, já criticaram o relatório, e um dirigente do Partido Verde classificou‑o como “totalmente sem sentido”.

O fundo investe em mais de 7 000 empresas em todo o mundo e detém cerca de 1,5 % das ações cotadas a nível global.

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