“É uma vergonha e vai acabar”. Carlos Moedas, presidente da Câmara de Lisboa, anunciou, esta quinta-feira, que pretende suspender o sistema de trotinetes partilhadas na capital portuguesa. A proposta terá ainda de ser aprovada pelo executivo municipal.
Num vídeo publicado nas suas redes sociais, esta quinta-feira, o presidente da Câmara de Lisboa, Carlos Moedas, afirmou que o sistema de trotinetes partilhadas "não está a funcionar" e anunciou que, por isso, o executivo municipal vai suspendê-lo.
"Isto é uma vergonha e vai acabar. O sistema, como está, não está a funcionar. São trotinetes em contramão, comportamentos perigosos, mais acidentes e trotinetes abandonadas no espaço público", destacou no vídeo publicado no X.
Carlos Moedas, do PSD (Partido Social Democrata), indicou também que a autarquia tem recolhido mais de 1.200 trotinetes por mês. "Por isso, tomamos uma decisão. Vamos suspender, em Lisboa, o sistema de trotinetes partilhadas", disse.
A medida surge depois de, em agosto deste ano, o Automóvel Club de Portugal (ACP) ter lançado uma campanha de recolha de assinaturas com vista a promover um referendo municipal sobre “o futuro das trotinetes partilhadas” na capital do país, tal como noticiado à data pela Euronews.
A ideia passava por deixar os residentes manifestarem-se sobre se concordavam, ou não, “que o Município de Lisboa" deixasse de "autorizar a exploração de sistemas de partilha de trotinetes elétricas no domínio público municipal após o termo das autorizações atualmente em vigor".
Já depois disso, numa nota publicada no seu site, a 23 de setembro, esta instituição de defesa dos direitos dos automobilistas anunciou ter recolhido "20 mil assinaturas validadas de cidadãos maiores de 18 anos e recenseados no Município de Lisboa", acima das "5.000 subscrições necessárias para promover uma iniciativa popular de referendo municipal". No entanto, com a decisão anunciada por Carlos Moedas esta semana, o autarca de Lisboa antecipa-se, com vista a travar, por via executiva, o serviço na capital.
Em entrevista ao canal Now, na quinta-feira, o presidente da Câmara indicou que irá apresentar a proposta em reunião da Câmara, esperando "que o Partido Socialista (PS), que também em Braga votou a favor" de uma suspensão idêntica, acompanhe o líder do executivo "nesta decisão", para que se possa concretizar uma "suspensão imediata das trotinetes" partilhadas na cidade.
O tema deverá ser abordado na reunião camarária da próxima quarta-feira, 21 de outubro. O executivo liderado por Carlos Moedas dispõe de maioria absoluta, com nove dos 17 vereadores, incluindo a independente Ana Simões Silva, pelo que não necessita, à partida, dos votos favoráveis do Partido Socialista para aprovar a proposta.
De acordo com a revista "Sábado", o autarca pretende estabelecer um prazo até ao final do ano, que pode ser eventualmente estendido até ao mês de janeiro, para que os operadores recolham as trotinetes elétricas que se encontram espalhadas pela cidade.
Atualmente, existem três empresas deste segmento com atividade na capital portuguesa: a Bolt, a Lime e a Bird.