O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou este sábado que a situação “já não é apenas um protesto”, classificando-a como “violência pura e simples”.
Manifestantes em Bruxelas e Liège enfrentaram-se com a polícia no sábado, numa altura em que uma série de concentrações degenerou em violência em várias partes da Europa.
Imagens em vídeo que circulam nas redes sociais mostram a polícia a disparar canhões de água e gás lacrimogéneo para dispersar participantes em protestos contra o aumento do custo de vida na capital.
Em Bruxelas, agentes dispararam gás lacrimogéneo contra jovens que atiravam garrafas e outros projéteis no bairro da Bolsa, afirmou um jornalista da agência noticiosa AFP, enquanto canhões de água terão também sido usados contra pequenos grupos de manifestantes na cidade oriental de Liège.
O ministro do Interior belga, Bernard Quintin, afirmou no sábado que a situação “deixou de ser simplesmente uma manifestação”.
“É violência pura e simples, organizada e repetida com o objetivo de desestabilizar a nossa sociedade”, escreveu numa publicação nas redes sociais, acrescentando que “serão tomadas todas as medidas necessárias para restabelecer a ordem perante os arruaceiros”.
Estudantes do ensino secundário na Bélgica têm-se manifestado nas últimas semanas contra o aumento dos custos da educação, juntando-se a estudantes em França, que protestam contra a falta de professores, instalações degradadas e turmas sobrelotadas.
Tudo isto acontece numa altura em que grandes protestos em Paris degeneraram em cenas de caos durante o fim de semana.
Uma equipa da Euronews foi agredida por saqueadores e arruaceiros na capital francesa no sábado, perto da Place de la République, enquanto cobria as manifestações em curso.
A equipa deslocava-se para outro local quando foi confrontada por indivíduos mascarados que saqueavam um supermercado Intermarché Express nas proximidades.
“Estávamos no Boulevard Magenta, não muito longe de um supermercado que estava a ser saqueado por jovens, jovens adultos, adolescentes. Quando perceberam que estávamos a filmar, começaram a bater no meu operador de câmara e tentaram tirar-lhe o microfone, cercando-nos”, contou Estelle Nilsson-Julien, correspondente da Euronews em Paris.
“Empurraram-no depois contra a parede e começaram a bater-lhe e a dar-lhe murros. Também me atingiram. Deram-lhe murros na cara, mas, como usava óculos de proteção e máscara, não ficou ferido”, acrescentou.
Uma marcha que seguia pelo Boulevard de Clichy em direção à Place de Clichy, do outro lado de Paris, decorreu de forma pacífica, segundo outro jornalista da Euronews no local, mas as tensões aumentavam à medida que mais pessoas chegavam à zona.