O Papa teve alta no sábado, após o internamento para remoção de um tumor maligno do pulmão direito, e recitou o Angelus no Palácio Apostólico no domingo. Agradeceu à equipa médica e afirmou que retomará as suas atividades de forma gradual.
Acolhido por uma calorosa salva de palmas da multidão de fiéis que acorreu na manhã de domingo à praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Leão XIV apareceu, pontual, ao meio‑dia à janela do Palácio Apostólico para rezar o Angelus.
Leão XIV teve alta sábado do hospital Gemelli, em Roma após cinco dias de internamento, na sequência da remoção do lobo inferior do pulmão direito, devido à presença de um adenocarcinoma pulmonar.
“Desejo agradecer a todos os que, nestes dias, rezaram por mim. Senti realmente o vosso apoio, obrigado!”, disse o Pontífice.
“Exprimo um reconhecimento particular aos médicos, aos enfermeiros e a todo o pessoal do Policlínico Gemelli”, prosseguiu depois o Papa, que quis contar como viveu a experiência no hospital: “Fez‑me sentir de modo muito especial a proximidade com quantos atravessam a doença e vivem uma situação de enfermidade”.
Leão XVI afirmou depois que, nesta fase delicada, retomará gradualmente as suas atividades. O Pontífice é aguardado, nas próximas semanas, na América Latina.
Professor Margaritora avalia estado do papa Leão: “Doente ideal”
O professor Stefano Margaritora, o cirurgião que, na terça‑feira, operou Leão XIV ao pulmão pronunciou-se quanto à viagem. Em entrevista aos media do Vaticano, explicou que "não há motivos clínicos para que essa viagem não se realize.”
Segundo Margaritoria, no momento da alta hospitalar o Papa encontrava‑se em condições clínicas “satisfatórias”. “A reexpansão do pulmão após a intervenção está a seguir os prazos normalmente previstos. Globalmente, o seu estado é bom”, acrescentou o professor.
Quanto à descoberta do tumor maligno, disse também que foi casual. “Como, infelizmente, sucede frequentemente, ao fazer exames de rotina ao abdómen, foi descoberta, no tórax, na base dos pulmões, esta pequena mancha. Isto é relativamente normal, porque, quando se realizam exames radiológicos ao abdómen, dado que o diafragma é uma espécie de paraquedas, visualizam‑se habitualmente as bases pulmonares. Mas, certamente, se esta pequena mancha tivesse estado um pouco mais acima, não teria sido vista”, acrescentou Margaritoria.
O professor manifestou‑se depois satisfeito com a operação e contou que, no âmbito da recuperação pós‑operatória, o Papa se empenhou “de corpo e alma”. “A sua vontade de recuperar em prazos muito rápidos é, em todos os aspetos, muito eficaz: foi verdadeiramente digna de elogio”, acrescentou ainda.
“O Papa Leão foi um doente ideal. Não o digo por lisonja, mas foi realmente um doente que não causou o mínimo problema à equipa que dele cuidava”, afirmou ainda.
Margaritoria adiantou depois que a convalescença demorará um par de semanas e, por esse motivo, considera que a viagem do Papa à América Latina, prevista a partir de 6 de novembro, pode realizar‑se. “Diria que não há motivos clínicos para que esta viagem não se faça”, disse o professor.