As comarcas da Safor e da Marina Alta enfrentaram o pior temporal desde 1987, com mais de 2 000 deslocados. As localidades de Oliva e Xàbia tornaram-se o epicentro das chuvas torrenciais que afetam o território espanhol.
O pior já terá passado na Comunidade Valenciana, depois da passagem de uma nova DANA (sigla espanhola para Depressão Isolada de Níveis Altos) pela costa do sul de Valência e do norte de Alicante.
Os serviços de emergência informaram de mais duas mortes no município de Oliva, transformado no epicentro das ocorrências provocadas por Adam. Trata-se de um homem de 64 anos que morreu após uma paragem cardiorrespiratória num parque de campismo deste município e de uma mulher de 78 anos que se encontrava em casa e não pôde ser resgatada a tempo.
Só em Oliva foram retiradas 2 000 pessoas antes das 14:00 desta segunda-feira, depois de acumulados de 440,7 litros por metro quadrado só durante a madrugada passada, segundo dados da Avamet. As vítimas desta localidade juntam-se às já registadas em Sagunto (uma mulher que decidiu tomar banho no mar às 20h00 de domingo) e em Cabrera de Mar, em Barcelona, onde uma mulher foi arrastada por uma cheia e cujo corpo foi encontrado num porto marítimo nas proximidades.
Em Xàbia, cerca de 40 quilómetros a sudeste, também foi necessário evacuar uma centena de pessoas. Ainda assim, a Agência Estatal de Meteorologia já retirou os avisos vermelhos para chuva no litoral sul de Valência e no norte de Alicante. O organismo sublinha que é preciso recuar 39 anos para encontrar uma situação semelhante nas comarcas da Safor e da Marina Alta, situadas a sul de Valência e afastadas da Horta Sud, palco da catástrofe meteorológica de 2024.
Ainda que este episódio meteorológico não tenha tido o impacto de há dois anos, a DANA provocou inundações significativas: há pisos térreos inundados, sistemas de drenagem completamente colapsados e milhares de pessoas presas em casa e nos telhados, enquanto torrentes e rios como o Girona transbordavam nestas comarcas e centenas de pessoas tinham de ser resgatadas pelos dispositivos de emergência.
Oliva e Xàbia são dois dos oito municípios valencianos que continuam em situação de confinamento, juntamente com Bellreguard, Daimús, Miramar, Piles, Pego e Els Poblets, segundo informou o conseller de Emergências do Governo, Juan Carlos Valderrama. A Unidade Militar de Emergências (UME) foi mobilizada a partir da sua base de Bétera para reforçar as operações em Oliva e noutros municípios da comarca, enquanto a Guarda Civil calcula ter destacado mais de 800 efetivos para a zona.
A Generalitat ativou a situação 2 de emergência e convocou uma reunião do Centro de Coordenação Operativa Integrado (Cecopi). Além disso, militares do Terceiro Batalhão de Intervenção da Unidade Militar de Emergências (UME) juntaram-se às operações de apoio aos serviços de emergência perante os avisos de inundações em Oliva.
Entretanto, nas Baleares, outras unidades da UME foram destacadas para colaborar com as equipas de emergência e fazer face aos efeitos do temporal. O alerta vermelho no arquipélago foi reduzido para laranja às 06:00.
Como medida preventiva, foram suspensas as aulas esta segunda-feira nos estabelecimentos de ensino de Maiorca, Ibiza e Formentera, bem como em 15 municípios de Alicante e 27 de Valência. Para já, mais de 100 000 alunos continuam sem aulas: 80 913 na província de Valência e 21 868 na de Alicante.
A instabilidade mantém-se também no sudeste de Espanha (Região de Múrcia e Almeria), no sul da Catalunha e nas ilhas Baleares, em particular Ibiza e Formentera. Ao longo do dia, a intensidade da chuva deverá diminuir nestas zonas e deslocar-se para a Catalunha, onde são esperados aguaceiros fortes ou muito fortes e persistentes. Poderão ainda registar-se precipitações mais moderadas no litoral asturiano, na sub-meseta norte e sul, em Aragão e Navarra.
O presidente da Generalitat Valenciana, Juan Francisco Pérez Llorca, indicou que, embora a chuva esteja a começar a abrandar, a situação continua complicada e pediu “paciência” às pessoas que aguardam em casa para serem resgatadas. Falou ao lado do conseller Valderrama e da delegada do Governo, Pilar Bernabé. A partir de Madrid, o chefe do Governo espanhol, Pedro Sánchez, deslocou-se ao Centro Nacional de Seguimento e Coordenação de Emergências (CENEM) para acompanhar a monitorização da emergência.