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ONU corta ajuda alimentar a 500 mil pessoas em Gaza por falta de fundos

O Programa Alimentar Mundial estima que 500 000 pessoas deixarão de receber ajuda alimentar em Gaza.
Programa Alimentar Mundial estima que 500 000 pessoas em Gaza vão deixar de receber ajuda alimentar. -  Direitos de autor  AP Photo
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De Simon Ormiston
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As famílias que mantiverem o apoio passarão a receber rações mais reduzidas e menos dinheiro, apesar de dois terços da população do território ainda precisarem de ajuda para sobreviver.

O Programa Alimentar Mundial (PAM) vai suspender a assistência mensal a meio milhão de pessoas em Gaza devido à falta de financiamento, anunciou a agência da ONU esta segunda‑feira.

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Os cortes deixam 1,1 milhões de palestinianos, cerca de metade da população de Gaza, a receber alimentos ou dinheiro todos os meses. Desde o cessar-fogo de outubro de 2025, o PAM tinha vindo a apoiar entre 1,5 e 1,8 milhões de pessoas por mês.

“Tem sido uma verdadeira tábua de salvação. Mas agora, em vez de conseguirmos manter e reforçar essa assistência, vemo-nos obrigados a reduzi-la”, disse Shaun Hughes, diretor do PAM no país, à AFP em Jerusalém Oriental.

“E isso não se deve a não termos acesso humanitário para entregar alimentos; deve-se ao facto de não termos financiamento.”

A ONU estima que 1,2 milhões de pessoas perderam as suas casas em Gaza.
A ONU estima que 1,2 milhões de pessoas perderam as suas casas em Gaza. AP Photo

Rações mais pequenas

As famílias que recebem alimentos passam agora a obter um cabaz em vez de dois e um saco mais pequeno de farinha de trigo. As 75 000 famílias que recebem dinheiro verão os pagamentos mensais descer de 1 250 para 750 shekels (de 400 para 240 dólares).

Hughes afirmou que as condições não melhoraram o suficiente para justificar os cortes.

“As pessoas não estão em segurança. Os ataques aéreos continuam diariamente. As pessoas continuam a ser deslocadas”, afirmou. “Quase todos continuam sem uma casa permanente onde viver. E as condições humanitárias são brutais.”

De acordo com as avaliações mais recentes, 1,4 milhões de pessoas, dois terços da população, continuam “em insegurança alimentar aguda” e precisam de ajuda para sobreviver. O PAM alerta que as necessidades podem voltar a aumentar com a chegada do inverno.

Em agosto de 2025, a Classificação Integrada da Fase de Segurança Alimentar, apoiada pela ONU, declarou a existência de condições de fome em Gaza, conclusão que Israel classificou como mentira. A classificação foi levantada em dezembro, dois meses depois do cessar-fogo mediado pelos Estados Unidos, embora os ataques israelitas tenham continuado.

Os recursos do PAM diminuíram de forma acentuada, em parte porque o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, reduziu drasticamente as contribuições para as agências da ONU. A organização precisa de cerca de 450 milhões de dólares para Gaza e a Cisjordânia nos próximos seis meses, mas recebeu apenas cerca de metade do financiamento habitual para os territórios palestinianos este ano. Em setembro, reduziu para metade o número de pessoas que apoia na Cisjordânia, para 200 000.

Israel deixou entrar mais bens em Gaza ao abrigo do cessar-fogo, mas continua a bloquear artigos que considera poderem ter utilização militar, incluindo próteses, segundo a ONU. O país acusa ainda a organização de parcialidade.

“Não é agora, na história da Palestina e de Gaza, que se pode virar costas ao que está a acontecer em Gaza”, afirmou Hughes.

Outras fontes • AFP

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