O sumo pontífice espera que a cooperação permita levar alimentos e cuidados de saúde à cidade ucraniana, permitindno ainda a retirada em segurança civis. Kiev estuda com Moscovo um plano para retirar cerca de duas mil pessoas cercadas.
O Papa manteve uma conversa telefónica com o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy esta segunda-feira, poucos dias depois de ter falado com Vladimir Putin, quando ainda estava internado no hospital Gemelli, apelando a uma trégua humanitária em Oleshky, cidade cercada pelas forças russas, com a população à beira da fome.
No comunicado da Santa Sé é possível ler que “no decurso da conversa, o Santo Padre chamou a atenção para a grave situação na cidade de Oleshky, na região de Kherson, referindo-se ao pedido de uma trégua humanitária já apresentado ao presidente da Federação Russa. O Santo Padre manifestou o desejo de que a colaboração de ambas as partes permita a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”.
Na chamada telefónica com Putin – realizada por iniciativa do próprio Papa, como afirmou o cardeal secretário de Estado, Pietro Parolin – Leão XIV pediu “uma trégua que permita a chegada de ajuda alimentar e médica e a evacuação voluntária e segura da população civil”.
A Ucrânia e a Rússia estão a acertar os últimos detalhes da evacuação de civis da cidade de Oleshky e de seis localidades vizinhas para território ucraniano controlado pelas forças de Kiev, informou o comissário ucraniano para os Direitos Humanos, Dmytro Lubinets, sublinhando que as negociações prosseguem diariamente.
Papa e Zelenskyy reunidos em várias ocasições
Depois de Putin, os apelos do Papa dirigem-se agora a Zelenskyy, com quem manteve numerosos contactos ao longo destes dezassete meses de pontificado.
A 12 de maio de 2025, quatro dias após a eleição no Conclave, Leão XIV demonstrou preocupação com a situação na Ucrânia com uma primeira chamada telefónica oficial, na qual Zelenskyy convidou o recém-eleito pontífice a Kiev, reiterando a disponibilidade do país para novas negociações em qualquer formato, “incluindo conversações diretas”.
Os dois voltaram a encontrar-se em 18 de maio, logo após a Missa de início de pontificado na Praça de São Pedro. O encontro repetiu-se a 9 de julho de 2025, numa audiência privada em Villa Barberini, residência pontifícia de Castel Gandolfo, onde foi discutida a possibilidade de acolher futuras negociações de paz no Vaticano.
A 9 de dezembro, ainda em Castel Gandolfo, os dois líderes estiveram reunidos para discutir a necessidade de manter o diálogo aberto e a questão dos prisioneiros de guerra e do regresso das crianças ucranianas deportadas para a Rússia.
Em abril, por ocasião da Páscoa, o Papa voltou a falar com Zelenskyy, numa fase de nova e intensa escalada de ataques russos com drones e mísseis em várias regiões da Ucrânia. Nessa altura, o Papa expressou solidariedade ao povo ucraniano, reiterando a urgência de ajuda humanitária, da libertação dos prisioneiros e de uma paz negociada.