Trump voltou também a criticar o presidente ucraniano Volodymyr Zelenskyy, afirmando que “está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia”.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou esta segunda-feira estar disposto a sentar-se à mesa com o Presidente russo, Vladimir Putin, e o Presidente chinês, Xi Jinping, na China, no próximo mês, confirmando informações da comunicação social de que os três dirigentes poderão encontrar-se à margem de uma cimeira Ásia-Pacífico em Shenzhen.
Trump adiantou que uma eventual cimeira se centraria na desnuclearização, mas poderia também abordar a guerra na Ucrânia.
Questionado por jornalistas sobre se se juntaria a Putin e Xi para falar da Ucrânia, Trump desvalorizou esse tema como principal motivo. “Faria isso, não tanto pela Ucrânia, porque a Rússia, francamente, tem estado relativamente tranquila em relação à Ucrânia. Não tem feito muito”, afirmou. “Teríamos o encontro para falar de armas nucleares e de desnuclearização.”
Instado a esclarecer se a Ucrânia seria abordada num encontro com os dois líderes, Trump garantiu que faria “tudo o que puder para acabar com a guerra”.
China diz não ter detalhes enquanto Kiev exige participação
Antes, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, declarou: “Tendo em conta que os três chefes de Estado poderão eventualmente participar numa cimeira na China, o tema de uma reunião hipotética foi, de facto, mencionado.”
O grupo Cooperação Económica Ásia-Pacífico (APEC) realiza uma cimeira na cidade chinesa de Shenzhen em 18 e 19 de novembro. China, Rússia e Estados Unidos fazem parte da organização.
Mas Peskov acrescentou que “não houve propostas ou acordos substantivos, nem sobre o próprio encontro nem sobre uma eventual agenda e conteúdo, discutidos ou apresentados por qualquer parte”.
A porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros da China, Mao Ning, afirmou não ter informação sobre um possível encontro, enquanto o ministro dos Negócios Estrangeiros da Ucrânia, Andriy Sybiga, reagiu com indignação à possibilidade de uma reunião sem Kiev.
“Uma reunião trilateral entre os líderes da Rússia, da China e dos Estados Unidos só teria o efeito inverso: encorajar Putin a continuar esta guerra”, disse.
Nas redes sociais, insistiu que Putin “não é um líder global; é um criminoso de guerra”.
Peskov, do Kremlin, afirmou que “uma solução final é impossível sem a participação de alguém de Kiev disposto a assumir essa responsabilidade”.
Putin tem reiterado que não se encontrará com Zelenskyy antes de um acordo de paz definitivo estar preparado e tem repetidamente posto em causa a autoridade de Zelenskyy para assinar um acordo, após o fim do seu mandato de cinco anos sob lei marcial.
Trump, que voltou a atacar nos últimos dias o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskyy, afirmou esta segunda-feira que é “altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia”.
“Zelenskyy não sabe do que está a falar”, disse Trump, quando questionado sobre os comentários do ucraniano. “Para ser sincero, penso que está na altura de outra pessoa negociar em nome da Ucrânia.”