Portugal acolheu durante três semanas o ARTEX26, um exercício europeu para testar a próxima geração de tecnologias militares. Drones e guerra eletrónica estiveram em destaque em cenários operacionais realistas.
Portugal foi palco de um grande exercício para testar a próxima geração de inovações europeias em matéria de defesa.
O exercício de teste e aperfeiçoamento, ARTEX 26, decorreu durante três semanas e envolveu o Exército Português, a Agência Europeia de Defesa, representantes de 22 nações europeias, a indústria e várias universidades.
A necessidade de preparar a Europa para os conflitos do futuro, acelerar a inovação militar e reforçar a indústria de defesa ficou à vista com a Guerra na Ucrânia.
"A Europa é nossa aliada, e queremos que os nossos aliados utilizem a nossa experiência. E queremos compartilhar o que descobrimos durante esta guerra para que outros países possam aprender e adotar essas práticas e implementá-las nas suas forças armadas", referiu o empreendedor ucraniano Valeryi Kulyk, gestor na Himera, que fabrica sistemas de comunicações táticas seguras, encriptadas e resistentes a guerra eletrónica.
Segundo a Agência de Defesa Europeia (EDA), os ensaios no Campo Militar de Santa Margarida, em Constância, abrangeram sistemas autónomos aéreos e terrestres, apoio logístico, reabastecimento, evacuação de feridos, reconhecimento e vigilância, além de testes de munições de permanência e de integração entre várias plataformas.
Entre as capacidades prioritárias estão os drones, os sistemas de ataque de precisão em profundidade, a defesa aérea e antimíssil e a guerra eletrónica, áreas que adquiriram particular importância com a invasão russa da Ucrânia, em fevereiro de 2022.
"Estamos a lançar mísseis muito caros, então temos uma solução. Estamos a produzir pequenas munições de míssil dedicadas a drones contra drones. É um novo tipo de coisa: uma arma aérea contra drones", explicou Andrejs Pukitis, CEO da Rannon, uma empresa da Letónia que fabrica munições para drones de combate aéreo drone-a-drone.
O conflito demonstrou a necessidade de uma capacidade de dissuasão credível, sustentada em forças bem treinadas e equipadas e numa indústria europeia capaz de responder com a rapidez e a dimensão exigidas pelas necessidades militares.
“Precisamos de reforçar a indústria europeia de defesa”, que necessita “não apenas de sinais de procura, mas de encomendas firmes a longo prazo” para aumentar a capacidade de produção, afirmou André Denk aos jornalistas, defendendo a simplificação das regras de aquisição de equipamentos militares e uma maior cooperação entre os países europeus.
O diretor executivo da Agência Europeia de Defesa, que visitou o ARTEX 26, considerou que os países europeus têm de melhorar a forma como cooperam, desenvolvem e adquirem equipamentos militares.
O responsável defendeu a harmonização das necessidades operacionais, a agregação da procura e a realização de compras conjuntas, permitindo ganhos de escala e maior interoperabilidade entre as forças armadas.
"A inovação é decisiva no campo de batalha, como vemos atualmente na Ucrânia e testá-la aqui na Europa é fundamental para o sucesso futuro", defendeu.
Segundo André Denk a Europa não fez o suficiente pela sua defesa nas últimas décadas, mas atravessa atualmente um período de investimento e cooperação militar “sem precedentes”, apesar de ainda ser necessário trabalhar até alcançar o objetivo de prontidão militar estabelecido pela União Europeia para 2030.
A campanha reuniu mais de 200 especialistas e participantes de mais de 40 empresas, que trabalham em soluções relacionadas com sistemas aéreos e terrestres não tripulados, logística, vigilância, comunicações e munições de ataque de precisão.
Os testes decorreram em cenários operacionais realistas, para avaliar não apenas o funcionamento individual das tecnologias, mas também a sua integração com militares e outros sistemas.