Ministros da Saúde africanos reúnem-se de emergência para discutir o Ébola, depois de a Nigéria se tornar o quarto país a confirmar um caso. A doente está isolada e os seus contactos, incluindo o marido, de nacionalidade suíça, estão a ser vigiados.
Os Centros Africanos para o Controlo e Prevenção de Doenças (Africa CDC) apelam a uma ação urgente para conter o surto de Ébola em expansão e estão a reunir os ministros da Saúde africanos para coordenar a resposta, numa altura em que a Nigéria se torna o mais recente país a confirmar um caso.
O surto começou na República Democrática do Congo e, até agora, já se espalhou também para o Quénia e para o Uganda; este último afirma não registar casos neste momento. Esta disseminação geográfica pela África Central, Oriental e Ocidental exige uma ação urgente e coordenada, sublinhou o Africa CDC.
“O Ébola está a atravessar fronteiras. A nossa resposta tem de ser mais rápida, com uma coordenação mais forte, maior solidariedade e liderança política decisiva”, afirmou Jean Kaseya, diretor-geral do Africa CDC, num comunicado de imprensa (fonte em inglês).
“Este continente tem a experiência e a capacidade necessárias. Temos de as mobilizar em conjunto para travar este surto e salvar vidas”, acrescentou.
Na terça-feira, a Nigéria comunicou o primeiro caso, ligado a um viajante proveniente do Uganda que chegou ao país no início deste mês.
O Uganda, que em julho se declarou livre de Ébola depois de registar 20 casos, rejeitou as alegações de que o primeiro caso na Nigéria teve origem no país.
“Viajar através do Uganda não prova que a infeção ocorreu aqui. O local de exposição continua sob investigação”, afirmou o ministério num comunicado publicado na rede X. O ministério insiste que o país não tem “quaisquer casos ativos de Ébola confirmados”.
As autoridades nigerianas indicaram que estão a rastrear 44 contactos.
O doente, que entrou na Nigéria em 5 de outubro, foi inicialmente tratado para malária, mas não recuperou, o que despertou suspeitas entre os médicos que o assistiam, explicou Odianosen Ehiakhamen, diretor-adjunto do Centro Nigeriano de Controlo de Doenças, segundo noticiaram (fonte em inglês) os órgãos de comunicação social locais. O paciente está agora em isolamento e a receber cuidados médicos (fonte em inglês).
Ehiakhamen adiantou que a maioria dos contactos são profissionais de saúde, além do cônjuge do doente, de nacionalidade suíça.
O Ébola é altamente contagioso e transmite-se por contacto direto com fluidos corporais de uma pessoa infetada, incluindo sangue e vómito, ou através de contacto com materiais e superfícies contaminados, como roupa de cama e vestuário. A República Democrática do Congo enfrenta o surto mais mortal de sempre, com pelo menos 4 000 mortes desde maio e 9 552 casos confirmados.
O surto é causado pelo vírus Bundibugyo, para o qual não existe qualquer vacina autorizada nem tratamento específico, embora estejam em curso ensaios clínicos na República Democrática do Congo.
O risco de importação para a Europa a partir das zonas do surto continua muito baixo, segundo o Centro Europeu de Prevenção e Controlo das Doenças (ECDC).
“Embora não se possam excluir importações esporádicas, a probabilidade de múltiplas importações independentes é muito baixa, mesmo num cenário pessimista em que a incidência continua a aumentar nas regiões afetadas”, escreveu o Centro no seu sítio na internet.