Cerca de duas dezenas de cidadãos norte-americanos continuam detidos em prisões russas, por vários motivos, segundo a Foley Foundation, grupo de defesa de reféns.
A Rússia libertou o professor norte-americano reformado Stephen Hubbard, na quarta-feira, depois de este ter sido preso por alegadamente combater como mercenário na Ucrânia, afirmou o enviado especial dos EUA Steve Witkoff durante um encontro com o presidente Vladimir Putin em São Petersburgo.
A libertação ocorreu um dia depois de o presidente dos EUA, Donald Trump, ter dito que tinha falado longamente com Putin e o tinha instado a libertar Hubbard. A Casa Branca afirmou que, ao contrário do que aconteceu em libertações anteriores, os Estados Unidos não tiveram de entregar ninguém em troca.
Steve Witkoff, que já fez várias visitas infrutíferas à Rússia para tentar alcançar um acordo na guerra contra a Ucrânia, agradeceu a Putin, dizendo-lhe: “Graças a si, ele vai voltar para casa, para a família.”
Hubbard foi pela primeira vez encarcerado na Rússia em 2022, com base em acusações que a organização de defesa de reféns Hostage Aid Worldwide considera infundadas. Em 2024, foi condenado a quase sete anos de prisão na sequência de um julgamento à porta fechada.
Os procuradores russos acusaram-no de se ter juntado às forças armadas ucranianas depois de Moscovo lançar a sua invasão em grande escala, em fevereiro de 2022, e de ter combatido ao lado das forças ucranianas até ser capturado dois meses mais tarde.
A administração Biden classificara Hubbard como injustamente detido.
É o segundo cidadão norte-americano libertado pela Rússia em cerca de dois meses, depois da libertação, em agosto, do antigo fuzileiro naval norte-americano Robert Gilman, que estava gravemente doente e tinha sido preso com base em acusações contestadas de agressão a um agente da polícia.
A libertação coincidiu com a visita de Witkoff e ocorreu numa altura em que Trump tem tomado várias iniciativas favoráveis a Moscovo, num contexto de crescentes tensões entre Washington e Kiev.
Numa carta aberta a Trump, publicada pela Hostage Aid Worldwide em agosto, a irmã de Hubbard, Patricia Hubbard Fox, elogiou o presidente, mas afirmou também que o irmão tinha suportado “espancamentos constantes, tortura e fome” enquanto estava detido.