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Canadá apresenta plano de 6,2 mil milhões para proteger indústria face a tarifas de Trump

PM canadiano Mark Carney e premier de Ontário Doug Ford (não visíveis) participam numa conferência de imprensa conjunta na Colina do Parlamento, em Ottawa, 21 out. 2026
O primeiro-ministro canadiano, Mark Carney, e o chefe do governo de Ontário, Doug Ford, participam numa conferência de imprensa conjunta em Parliament Hill, Otava, em 21 de outubro 2026 -  Direitos de autor  AP Photo
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De Jeremiah Fisayo-Bambi
Publicado a •Últimas notícias
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Primeiro-ministro Mark Carney afirmou que as tarifas de Trump fragilizam as indústrias dos EUA e do Canadá e reduzem a escolha das famílias em ambos os países

O Canadá anunciou um pacote de 6,2 mil milhões de dólares (5,7 mil milhões de euros) para proteger as suas indústrias do aço e automóvel das tarifas dos Estados Unidos, numa altura em que o primeiro‑ministro Mark Carney avisou que Washington alterou de forma permanente uma relação comercial construída ao longo de décadas.

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Carney e o chefe do governo de Ontário, Doug Ford, apresentaram conjuntamente o plano na quarta‑feira, destinando 3,7 mil milhões de dólares (3,4 mil milhões de euros) aos produtores de aço e 1,8 mil milhões de dólares (1,65 mil milhões de euros) às construtoras automóveis ao longo de cinco anos, sendo 1,1 mil milhões de dólares (1 mil milhão de euros) da componente automóvel assegurados pelo governo federal em Otava.

O anúncio foi feito no mesmo dia em que a empresa norte‑americana Cleveland‑Cliffs confirmou despedimentos na sua fábrica de Hamilton, em Ontário, sublinhando o custo humano do diferendo comercial.

“As tarifas norte‑americanas desfizeram um acordo comercial que existia há décadas”, afirmou Carney. “Aumentaram os custos para as famílias americanas e colocaram os trabalhadores e empresas de Ontário em desvantagem.”

Os danos no sector automóvel já se fazem sentir nas estatísticas comerciais: as exportações automóveis canadianas para os Estados Unidos caíram mais de 10%, enquanto as exportações norte‑americanas para o Canadá recuaram mais de 20%, uma quebra que, segundo Carney, prejudica ambos os lados da fronteira.

“As tarifas enfraquecem ambas as nossas indústrias e reduzem a escolha das nossas famílias”, insistiu.

Carney confirmou ter falado longamente com o Presidente Trump na quarta‑feira, abordando o comércio, o Irão e o Médio Oriente.

Não apontou para qualquer avanço, mas disse que o Canadá continua disponível para negociar. As conversações colapsaram em agosto, depois de Trump ter imposto tarifas de 50% sobre cerca de 20 mil milhões de dólares (18,4 mil milhões de euros) em bens canadianos, o que levou a uma retaliação por parte de Otava.

Por seu lado, Ford foi direto sobre o impacto do diferendo nas relações bilaterais. “Independentemente do que acontecer nas intercalares, independentemente de quem estiver na Casa Branca, não vamos voltar ao que era”, afirmou.

Estados Unidos: embaixada acusa Canadá de interferir nas intercalares

Carney estabeleceu como objetivo duplicar, em dez anos, as exportações canadianas para mercados fora dos Estados Unidos, reconhecendo que uma indústria automóvel norte‑americana integrada poderá deixar de ser prioridade em Washington.

“A abordagem deles mudou”, disse. “A nossa também tem de mudar.”

Entretanto, o dia ganhou um tom diplomático mais tenso quando a Embaixada dos Estados Unidos divulgou um comunicado acusando responsáveis políticos canadianos de procurarem influenciar as eleições intercalares norte‑americanas do próximo mês.

A embaixada mencionou a ministra da Indústria, Mélanie Joly, por falar de tarifas de retaliação dirigidas a estados republicanos, e Ford por divulgar um anúncio televisivo nos Estados Unidos com o antigo Presidente Ronald Reagan a criticar as tarifas, a mesma peça que levou Trump a abandonar as conversações comerciais em outubro de 2025.

Ambos os responsáveis rejeitaram as acusações. Também analistas independentes as contestaram.

“A suposição implícita de que o Canadá poderia alterar de forma significativa o resultado das intercalares é absurda”, afirmou Daniel Béland, professor de ciência política na Universidade McGill.

Outras fontes • AP

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