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Falham grandes emissores na ação climática apesar das promessas de saúde nos seus planos

Reservatório de Woodhead visível numa altura de seca perto de Manchester, Inglaterra, quinta-feira, 13 de agosto de 2026
Reservatório de Woodhead visível em período de seca perto de Manchester, Inglaterra, quinta-feira, 13 de agosto de 2026 -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Giedre Peseckyte
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Governos dizem defender a saúde pública mas não enfrentam a dependência de combustíveis fósseis, revela novo estudo da Global Climate and Health Alliance sobre o fosso entre discurso climático e ação

A União Europeia e outros grandes emissores limitam-se a falar dos impactos das alterações climáticas na saúde, mas não acompanham a retórica com cortes de emissões suficientemente ambiciosos, conclui uma análise recente aos compromissos climáticos de 132 países realizada pela Global Climate and Health Alliance, uma coligação de ONG.

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Ao contrário da maioria dos países, a UE apresenta uma única contribuição nacionalmente determinada (NDC) conjunta ao abrigo do Acordo de Paris, que abrange o bloco e os seus 27 Estados-membros.

O Scorecard da Global Climate and Health Alliance avalia até que ponto os países integram a saúde nos respetivos planos climáticos nacionais, em oito categorias: impactos na saúde relacionados com o clima, poluição atmosférica, ação do sector da saúde, co-benefícios para a saúde, transição justa, governação, financiamento e implementação.

Embora a UE, a Indonésia, a África do Sul, a Turquia, o Canadá e os Emirados Árabes Unidos obtenham pontuações mais elevadas em matéria de saúde, isso não se traduz nos cortes de emissões necessários para proteger as populações.

“Hipocrisia é a palavra certa para isto”, afirmou Jess Beagley, da Global Climate and Health Alliance, à Euronews, defendendo que os governos não podem dizer que põem a saúde em primeiro lugar sem enfrentar a dependência dos combustíveis fósseis que alimenta o aquecimento global e a poluição.

“Não podemos fingir que nos preocupamos com a saúde se não estivermos a atuar na área da saúde”, acrescentou.

O Scorecard de contribuições nacionalmente determinadas (NDC) para 2026 da aliança colocou a UE em 12.º lugar, com 19 dos 20 países melhor classificados a serem economias de baixo e médio rendimento. A Colômbia liderou o ranking com 29 pontos em 32, seguida da Nigéria com 25 e do Camboja com 24.

Entre as economias com grandes emissões que obtiveram classificações intermédias em saúde, a UE foi a única cujo plano climático incluía uma meta específica de redução da poluição atmosférica, segundo a avaliação. Trata-se da eliminação progressiva dos hidrofluorocarbonetos até 2050.

No entanto, nenhum dos países deste grupo definiu metas específicas para o carbono negro, o óxido nitroso ou o ozono, poluentes que agravam o aquecimento global e podem prejudicar a saúde humana.

Para Beagley, a contradição é evidente: os combustíveis fósseis alimentam as alterações climáticas e, ao mesmo tempo, provocam danos através da poluição do ar, da água e do solo, com consequências que vão das doenças respiratórias ao cancro e a perturbações neurológicas.

Os sistemas de saúde acabam por lidar com as consequências de decisões tomadas noutros sectores da economia, acrescentou.

“O sector da saúde está mesmo na linha da frente”, sublinhou Beagley. “A carga que recai sobre ele é o resultado final de uma ação climática mais ampla que foi tomada ou não foi tomada.”

Países ricos sob pressão

As consequências para a saúde já se fazem sentir em todo o mundo após os acontecimentos recentes.

Os números citados no relatório incluem mais de 1 400 mortes e mais de 6 600 desaparecidos no Nepal, oito milhões de crianças em risco de fome na África Oriental e Austral e dezenas de milhares de mortes associadas às ondas de calor europeias.

“Se este ano não mudar a forma como estamos a agir no clima e na saúde”, afirmou, “então é puro negacionismo deliberado e um abandono das populações que os governos deveriam proteger.”

Beagley defendeu que os países ricos, com emissões históricas elevadas, têm de reduzir a poluição mais depressa e ajudar a financiar a ação climática nas economias em desenvolvimento.

“A responsabilidade deve recair sobretudo sobre os países mais ricos e mais emissores do mundo, que lucraram com um modelo de desenvolvimento assente em combustíveis fósseis durante décadas e décadas”, afirmou. “Esses países devem cortar as suas emissões mais profundamente e mais rapidamente.”

No caso da UE, isso significa reduzir as suas próprias emissões e, ao mesmo tempo, fornecer apoio financeiro aos países do Sul Global para que possam cumprir os compromissos climáticos assumidos ao abrigo do Acordo de Paris.

A aliança também apontou lacunas nas políticas públicas, indicando que, segundo Beagley, os ministérios da Saúde estiveram estreitamente envolvidos na elaboração dos planos climáticos nacionais em apenas 15% dos países analisados.

Sem essa participação, os governos correm o risco de ignorar as consequências para a saúde das decisões em matéria de energia, transportes e indústria.

A COP31, que se aproxima em novembro, será uma oportunidade para perceber se o agravamento dos impactos na saúde provocados pelos fenómenos meteorológicos extremos se traduz finalmente em políticas mais ambiciosas.

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