A artista britânica de jazz e soul RAYE superou a concorrência de pesos pesados como Paul McCartney, Florence + The Machine e a favorita Olivia Dean. O Prémio Mercury distingue todos os anos o melhor álbum lançado por um artista britânico ou irlandês
RAYE foi galardoada vencedora do Mercury Prize deste ano, levando para casa a cobiçada estatueta pelo seu segundo álbum “This Music May Contain Hope”.
A artista britânica, nascida Rachel Keen, superou a favorita Olivia Dean, bem como JADE, Florence + The Machine, a compilação “Help (2)” da War Child e Paul McCartney – que foi finalista pela primeira vez, aos 84 anos, com o novo disco “The Boys of Dungeon Lane”.
O júri elogiou “This Music May Contain Hope”, que inclui o single de sucesso “Where Is My Husband!”, por combinar o glamour clássico de Hollywood com o realismo do quotidiano, para contar “a história de uma jovem que enfrenta as provações diárias da vida e do amor, num álbum jubiloso e, de facto, esperançoso”.
“RAYE revela verdadeira imaginação e alcance ao mostrar o que um álbum pode ser, indo além de qualquer estilo ou género único para concretizar a sua visão”, afirma a declaração do júri. “Os juízes concordaram que o notável álbum de RAYE será uma enorme inspiração durante muitos anos.”
Ao receber o prémio, RAYE disse: “Não vos consigo explicar o quão grata estou por estar a segurar isto. Estou a tremer, com jet lag, cansada, grata, está tudo meio enevoado.”
“Sempre insisti em como acredito nos álbuns”, continuou. “Os álbuns são tão importantes. E não é por rancor, porque sinto que estou, em grande parte, em paz com o meu passado, percebem? Mas, vindo de um sítio onde tudo girava em torno de singles e de perseguir a próxima coisa, sinto-me incrivelmente grata por este reconhecimento.”
Os comentários de RAYE referem-se à rutura com a anterior editora, a quem acusou de recusar o lançamento do seu álbum de estreia. Em 2023, lançou “My 21st Century Blues” como artista independente.
Descreveu ainda a música como “medicina”, afirmando: “As lágrimas vão começar a cair agora, por isso vou apenas dizer ‘This Music May Contain Hope’. ‘Esperança’ é uma palavra muito lamechas, especialmente para nós, britânicos. Não somos muito dados a esse tipo de coisas profundas, mas a esperança é algo de que todos precisamos. A música é isso, a música é medicina. Espero apenas que essa mensagem chegue a quem precisa e muito obrigada por este prémio.”
Esta foi a segunda vez que RAYE foi nomeada para o Mercury Prize, depois de “My 21st Century Blues”, que a levou a bater o recorde dos BRIT Awards de maior número de vitórias num só ano, com seis prémios em 2024.
RAYE segue as pisadas de anteriores vencedores do Mercury, como Sam Fender, Ezra Collective, Michael Kiwanuka, Little Simz, Arlo Parks e Young Fathers, bem como Arctic Monkeys, Pulp, PJ Harvey e Franz Ferdinand.
A edição deste ano dos prémios anuais, que distinguem o melhor álbum lançado por um artista britânico ou irlandês em cada ano, teve lugar na noite de quinta-feira, na Utilita Arena, em Newcastle.