Investigadores alertam que chatbots podem difundir desinformação sobre consumo de drogas, enquanto um terço dos jovens adultos nos EUA já recorre à IA para obter informações.
Um em cada três jovens adultos já recorreu a inteligência artificial generativa para procurar informação sobre drogas e álcool, o que levanta questões sobre os riscos para a saúde pública de os chatbots se tornarem uma fonte cada vez mais comum de aconselhamento em saúde.
Um estudo publicado na JMIR Formative Research concluiu que 32% de 995 adultos norte-americanos, entre os 18 e os 29 anos, usaram ferramentas como o ChatGPT, o Google Gemini e o Meta AI para obter informação relacionada com substâncias.
Entre os que o fizeram, quase metade referiu utilizar IA para esse fim pelo menos uma vez por mês, incluindo 12% que a usavam semanalmente e 4% que o faziam diariamente ou quase diariamente.
“A utilização destas ferramentas pode levar a comportamentos de consumo de substâncias mal informados ou de outra forma arriscados entre os jovens, que são o grupo etário mais afetado pelos efeitos adversos do consumo de substâncias”, afirmou Mireia Triguero Roura, investigadora de pós-doutoramento na Universidade Rutgers e autora principal do estudo, num comunicado de imprensa.
Entre os que recorreram à IA para questões relacionadas com substâncias, 93% também tinham utilizado o motor de busca Google para o mesmo fim geral, o que sugere que os chatbots estão a complementar, e não necessariamente a substituir, as ferramentas de pesquisa online já estabelecidas.
Riscos e consequências dominam os pedidos
O inquérito, realizado online em abril de 2026, mostrou que os utilizadores recorriam sobretudo aos chatbots para saber mais sobre os riscos e consequências do consumo de substâncias — quase 93% dos que tinham usado IA para fins relacionados com substâncias apontaram este motivo.
Cerca de metade procurou informação específica sobre determinadas substâncias, incluindo questões sobre doses, enquanto 35% utilizaram a IA para explorar temas ligados a perturbações do consumo de substâncias, como a dependência.
Os jovens adultos que participaram no inquérito avaliaram em geral a IA de forma positiva quanto à utilidade, fiabilidade e confiança. Os que a usaram para questões relacionadas com substâncias atribuíram-lhe uma pontuação média de confiança de 3,66 em cinco, contra 3,51 na utilização geral.
O estudo identificou também diferenças na utilização da IA para informação sobre substâncias em função da raça e do sexo.
Os participantes negros tinham maior probabilidade do que os participantes brancos de referir o uso de IA para obter informação sobre substâncias, com probabilidades ajustadas 2,52 vezes superiores. Os participantes do sexo masculino apresentaram aproximadamente o dobro das probabilidades ajustadas das participantes do sexo feminino.
“As disparidades observadas quanto a quem opta por utilizar a IA para perguntas relacionadas com drogas podem refletir diferenças no acesso aos cuidados de saúde, estigma, confiança e comportamentos de procura de informação em saúde”, assinalou Triguero Roura.
Os investigadores defendem que trabalhos futuros devem avaliar a exatidão das respostas dos chatbots, investigar as razões subjacentes às diferenças demográficas na utilização e determinar de que forma a informação influencia decisões e comportamentos.