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Funerárias, morgues e salas de autópsia: fãs de Halloween fazem visitas paranormais

Lexi Carter é a principal maquilhadora e também atriz de terror no Eloise Asylum, em Westland, no Michigan.
Lexi Carter é a maquilhadora principal e atriz de terror no Eloise Asylum, em Westland, Michigan -  Direitos de autor  AP Photo/Mike Householder
Direitos de autor AP Photo/Mike Householder
De Mike Starling
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De antigos hospitais psiquiátricos a casas funerárias, atrações nos EUA organizam caças a fantasmas e estadias nocturnas para fãs de Halloween em busca de encontros sobrenaturais.

A noite de sustos aproxima-se e os fãs do Halloween ganham coragem para experiências assustadoras que prometem arrepiar até à espinha.

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Para alguns viajantes, a perspetiva de encontros paranormais também está a moldar os planos de férias, com a Booking.com a incluir “Viagem ao Além” entre as tendências de viagem para 2027.

Num inquérito a mais de 28.000 viajantes de 32 países e territórios, 65% manifestaram interesse em experiências paranormais, enquanto 48% procurariam uma experiência na esperança de falar com alguém do “outro lado”. Metade mostrou curiosidade por atividades que exploram questões sobre o além, a morte ou a espiritualidade.

Embora a Booking.com esteja a apontar esta tendência para o próximo ano, as excursões paranormais já são uma escolha popular em 2026 – sobretudo nos Estados Unidos, onde antigos hospitais psiquiátricos e casas funerárias estão a atrair muitos visitantes.

“Acreditamos que é altamente assombrado”

Já não basta, para alguns adeptos do Halloween, serem assustados por atores mascarados em casas assombradas improvisadas: querem algo “verdadeiro”.

Num antigo hospital psiquiátrico nos arredores de Detroit e numa antiga casa funerária em Toledo, no Ohio, os visitantes podem participar em investigações paranormais guiadas ou aventurar-se sozinhos com equipamento alugado, como um medidor portátil de campo eletromagnético (EMF).

“Os visitantes que vêm às nossas visitas paranormais são tocados, são agarrados, ficam com marcas de mãos na roupa, ouvem assobios”, contou Justin Cox, fundador da Michighost Paranormal, empresa que conduz investigações nos pisos superiores da atração Eloise Asylum, onde eram tratados doentes. “Tudo o que se possa imaginar já aconteceu aqui, e nós já ouvimos de tudo.”

O complexo começou por ser um albergue para pobres do século XIX e funcionou com vários nomes à medida que se expandia para um conjunto de dezenas de edifícios. No final da década de 1920, era uma das maiores unidades de saúde pública do país.

“Na área do paranormal, acreditamos que o trauma deixa energia, que dá origem a assombrações”, explicou Cox à AP. “Este lugar teve muita tragédia, muito trauma, por isso acreditamos que é altamente assombrado.”

Familiares de pacientes e outras pessoas com ligações a Eloise têm criticado a criação de um espaço de entretenimento lucrativo num sítio onde sofreram pessoas vulneráveis.

Entrada para a sala de autópsias em Mortuary Manor, em Toledo, Ohio
Entrada para a sala de autópsias em Mortuary Manor, em Toledo, Ohio AP Photo/Mike Householder

Pisos superiores do asilo parecem estar vivos

A maioria dos edifícios do complexo foi demolida nos anos 80, mas um bloco de tijolo vermelho de cinco andares, conhecido como Kay Beard Building, permanece de pé e acolhe atualmente o Eloise Asylum.

É ali que Cox e a sua equipa guiam os visitantes pelos pisos superiores, incluindo uma sala com uma banheira usada em sessões de hidroterapia. Não é raro que os visitantes entrem na banheira.

E, “se acharem que conseguem aguentar a noite aqui, também oferecemos essa possibilidade”, acrescentou Cox sobre as estadias de uma noite.

A maquilhadora principal e atriz de terror da atração assombrada Eloise Asylum, Lexi Carter, já participou numa das investigações paranormais. Diz que os pisos superiores parecem estar vivos.

Os investigadores paranormais usam ‘spirit boxes’, aparelhos que percorrem frequências de rádio em busca de sons que acreditam poder ser mensagens de espíritos. Utilizam também leitores de EMF para medir variações em campos eletromagnéticos que alguns associam a atividade paranormal.

Carter descreve como impressionante “ver aqueles aparelhos dispararem”. Disse ainda: “Oh, meu Deus, fiquei sem palavras. Pensei: ‘Não pode ser, isto é real, isto é tão fixe’.”

Visitas a salas de embalsamamento e de autópsias

Oito quilómetros mais a sul fica a antiga Urbanski Funeral Home, que acolheu milhares de velórios e cerimónias entre 1926 e a sua venda no ano passado. Agora chamada Mortuary Manor, a estrutura de 5.580 metros quadrados funciona como museu de casa funerária e muito mais.

Os investigadores paranormais podem visitar as salas de embalsamamento e de autópsias, bem como uma morgue onde é habitual os visitantes tirarem fotografias deitados numa laje que sobressai de uma parede da cave.

Mortuary Manor vai receber o primeiro casamento em novembro, numa sexta-feira 13, claro. E os visitantes que pagarem 200 dólares (179,51 euros) podem passar a noite numa suíte de cinco quartos. O gestor de operações, Cory Leibenguth, vive num apartamento contíguo no piso superior.

Disse que o edifício tem comodidades modernas, como canalização interior, aquecimento, ar condicionado e Wi-Fi. Isso, afirma, “faz-nos sobressair em relação a outras localizações abandonadas que não têm nada disso. E também não há muitas casas funerárias onde se possa investigar”.

Os visitantes de Mortuary Manor podem ainda ver um filme de terror projetado numa parede da sala principal, rodeados por caixões.

Tudo faz parte de elevar a experiência de Halloween para os fãs mais fervorosos de sustos.

“No mundo de hoje, em que toda a gente vive tão stressada, o Halloween é uma altura em que todos podem simplesmente descontrair, aproveitar o tempo com os amigos e a família e, pelo caminho, talvez levar alguns sustos”, concluiu Cox.

Outras fontes • AP

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