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Israel: sondagens à boca das urnas não apontam vencedor claro

Eleitores entram numa assembleia de voto para votar nas legislativas israelitas em Tel Aviv, Israel, terça‑feira, 27 de outubro de 2026.
Eleitores entram numa assembleia de voto para votar nas eleições legislativas israelitas em Telavive, Israel, terça-feira, 27 de outubro de 2026. -  Direitos de autor  Copyright 2026 The Associated Press. All rights reserved
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De Nathan Rennolds
Publicado a •Últimas notícias
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Netanyahu passou grande parte do dia a apelar aos seus apoiantes para que fossem votar, descrevendo as eleições como uma “questão de vida ou de morte”.

As sondagens à boca das urnas das principais eleições legislativas de Israel, realizadas na terça-feira, apontam para a ausência de um vencedor claro. Tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como o seu principal rival, Gadi Eisenkot, ficaram aquém da maioria.

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A estação televisiva israelita Channel 13 avançou inicialmente que o bloco da oposição teria vantagem, com 53 lugares num total de 120 no Knesset, o Parlamento israelita, enquanto o bloco de Netanyahu deveria conquistar cerca de 50.

Mais tarde, as três principais cadeias de televisão israelitas atribuíram cerca de 51 lugares a cada um dos dois blocos, um resultado muito abaixo dos 61 necessários para formar governo.

De acordo com a Channel 13, o partido Likud, de Netanyahu, seria o maior partido individual, com 25 lugares.

Os partidos árabes ganham terreno

As listas árabes israelitas devem conquistar entre 17 e 18 lugares, o que representa um aumento significativo. Algumas comunidades árabes israelitas registaram uma participação eleitoral quase universal, impulsionada pela indignação perante a retórica frequentemente depreciativa dirigida contra elas pelos aliados de extrema-direita de Netanyahu.

Mansour Abbas, uma das principais figuras políticas árabes israelitas, afirmou acreditar que a direita tenha "sofrido uma grande derrota" e mostrou-se disponível para trabalhar com Eisenkot.

No entanto, durante a campanha, Eisenkot afirmou que não formaria um governo com deputados árabes israelitas. Netanyahu, por sua vez, voltou a sugerir que um governo dependente dos votos árabes não teria legitimidade.

Os deputados árabes poderão apoiar Eisenkot em votações parlamentares, permitindo-lhe manter um governo minoritário sem integrarem formalmente uma coligação. Caso isso não aconteça, Israel poderá avançar para novas eleições.

Benjamin Netanyahu acena aos seus apoiantes após a divulgação dos primeiros resultados das sondagens à saída das urnas nas eleições gerais de Israel, 28 de outubro 2026
Benjamin Netanyahu acena aos seus apoiantes após a divulgação dos primeiros resultados das sondagens à saída das urnas nas eleições gerais de Israel, 28 de outubro 2026 AP Photo/David Goldman

Itamar Ben Gvir, uma figura polémica da extrema-direita que, segundo as sondagens à boca das urnas, não terá conseguido tantos votos como muitos esperavam, alertou Netanyahu para outra possibilidade: a formação de um governo de unidade nacional com Eisenkot.

"Seria um erro terrível", afirmou Ben Gvir, que defende a expulsão dos palestinianos e que, muito provavelmente, ficaria de fora de qualquer governo de unidade nacional.

Numa publicação na rede social X, Eisenkot afirmou que os resultados das sondagens à boca das urnas demonstravam uma "total falta de confiança em Netanyahu e no governo de 7 de outubro".

Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas de Israel, acrescentou que o povo tinha "falado" e "afastado o governo de Netanyahu".

No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa’ar, alertou que as celebrações da esquerda eram "prematuras".

"Uma coisa parece bastante clara: o Likud é o maior partido de Israel", escreveu nas redes sociais.

Netanyahu e Eisenkot reivindicam ambos legitimidade para governar

Numa declaração feita na manhã de quarta-feira, Netanyahu mostrou-se confiante e procurou desde logo posicionar-se para continuar como primeiro-ministro, enumerando as conquistas militares dos últimos três anos.

Apelou aos seus adversários para que se unissem em torno da sua liderança e rejeitou a possibilidade de uma parceria com os partidos árabes — cujos eleitores representam 20% da população de Israel —, classificando essa hipótese como uma traição.

"Temos de formar um governo forte, de direita e nacionalista", afirmou Netanyahu, que enfrentou nestas eleições o seu antigo chefe do Estado-Maior, o centrista Gadi Eisenkot.

"Não podemos pôr Israel em perigo e formar um governo que dependa de partidos árabes antissionistas", acrescentou.

"Israel tem uma oportunidade única, em conjunto com o nosso aliado, o presidente Trump, de eliminar para sempre a ameaça existencial representada pelo Irão", declarou Netanyahu.

Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar agita uma bandeira israelita no palco após a divulgação dos primeiros resultados das sondagens à boca das urnas. 28 outubro 2026
Gadi Eisenkot, líder do partido Yashar agita uma bandeira israelita no palco após a divulgação dos primeiros resultados das sondagens à boca das urnas. 28 outubro 2026 AP Photo

Eisenkot, ao discursar perante os seus próprios apoiantes em Telavive, deixou um aviso a Netanyahu, que, segundo observadores, poderá aproveitar uma guerra para tentar formar um governo de unidade nacional.

"Netanyahu, nem te atrevas a usar a segurança de Israel para satisfazer os teus interesses políticos", afirmou Eisenkot.

Dirigindo-se às forças e instituições responsáveis pela segurança de Israel, Eisenkot afirmou que estas serviam o Estado, e não Netanyahu, a quem descreveu como "um primeiro-ministro em funções, sem mandato nem a confiança do povo."

A participação eleitoral nestas eleições, as primeiras em Israel desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, ultrapassou os 77%, segundo a Comissão Central Eleitoral de Israel.

Netanyahu passou grande parte do dia a apelar aos seus apoiantes para que fossem votar, apresentando estas eleições como uma "questão de vida ou de morte".

Estas eleições são amplamente vistas como um referendo à liderança de Netanyahu.

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