Netanyahu passou grande parte do dia a apelar aos seus apoiantes para que fossem votar, descrevendo as eleições como uma “questão de vida ou de morte”.
As sondagens à boca das urnas das principais eleições legislativas de Israel, realizadas na terça-feira, apontam para a ausência de um vencedor claro. Tanto o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu como o seu principal rival, Gadi Eisenkot, ficaram aquém da maioria.
A estação televisiva israelita Channel 13 avançou inicialmente que o bloco da oposição teria vantagem, com 53 lugares num total de 120 no Knesset, o Parlamento israelita, enquanto o bloco de Netanyahu deveria conquistar cerca de 50.
Mais tarde, as três principais cadeias de televisão israelitas atribuíram cerca de 51 lugares a cada um dos dois blocos, um resultado muito abaixo dos 61 necessários para formar governo.
De acordo com a Channel 13, o partido Likud, de Netanyahu, seria o maior partido individual, com 25 lugares.
Os partidos árabes ganham terreno
As listas árabes israelitas devem conquistar entre 17 e 18 lugares, o que representa um aumento significativo. Algumas comunidades árabes israelitas registaram uma participação eleitoral quase universal, impulsionada pela indignação perante a retórica frequentemente depreciativa dirigida contra elas pelos aliados de extrema-direita de Netanyahu.
Mansour Abbas, uma das principais figuras políticas árabes israelitas, afirmou acreditar que a direita tenha "sofrido uma grande derrota" e mostrou-se disponível para trabalhar com Eisenkot.
No entanto, durante a campanha, Eisenkot afirmou que não formaria um governo com deputados árabes israelitas. Netanyahu, por sua vez, voltou a sugerir que um governo dependente dos votos árabes não teria legitimidade.
Os deputados árabes poderão apoiar Eisenkot em votações parlamentares, permitindo-lhe manter um governo minoritário sem integrarem formalmente uma coligação. Caso isso não aconteça, Israel poderá avançar para novas eleições.
Itamar Ben Gvir, uma figura polémica da extrema-direita que, segundo as sondagens à boca das urnas, não terá conseguido tantos votos como muitos esperavam, alertou Netanyahu para outra possibilidade: a formação de um governo de unidade nacional com Eisenkot.
"Seria um erro terrível", afirmou Ben Gvir, que defende a expulsão dos palestinianos e que, muito provavelmente, ficaria de fora de qualquer governo de unidade nacional.
Numa publicação na rede social X, Eisenkot afirmou que os resultados das sondagens à boca das urnas demonstravam uma "total falta de confiança em Netanyahu e no governo de 7 de outubro".
Yair Golan, líder do partido de esquerda Democratas de Israel, acrescentou que o povo tinha "falado" e "afastado o governo de Netanyahu".
No entanto, o ministro dos Negócios Estrangeiros israelita, Gideon Sa’ar, alertou que as celebrações da esquerda eram "prematuras".
"Uma coisa parece bastante clara: o Likud é o maior partido de Israel", escreveu nas redes sociais.
Netanyahu e Eisenkot reivindicam ambos legitimidade para governar
Numa declaração feita na manhã de quarta-feira, Netanyahu mostrou-se confiante e procurou desde logo posicionar-se para continuar como primeiro-ministro, enumerando as conquistas militares dos últimos três anos.
Apelou aos seus adversários para que se unissem em torno da sua liderança e rejeitou a possibilidade de uma parceria com os partidos árabes — cujos eleitores representam 20% da população de Israel —, classificando essa hipótese como uma traição.
"Temos de formar um governo forte, de direita e nacionalista", afirmou Netanyahu, que enfrentou nestas eleições o seu antigo chefe do Estado-Maior, o centrista Gadi Eisenkot.
"Não podemos pôr Israel em perigo e formar um governo que dependa de partidos árabes antissionistas", acrescentou.
"Israel tem uma oportunidade única, em conjunto com o nosso aliado, o presidente Trump, de eliminar para sempre a ameaça existencial representada pelo Irão", declarou Netanyahu.
Eisenkot, ao discursar perante os seus próprios apoiantes em Telavive, deixou um aviso a Netanyahu, que, segundo observadores, poderá aproveitar uma guerra para tentar formar um governo de unidade nacional.
"Netanyahu, nem te atrevas a usar a segurança de Israel para satisfazer os teus interesses políticos", afirmou Eisenkot.
Dirigindo-se às forças e instituições responsáveis pela segurança de Israel, Eisenkot afirmou que estas serviam o Estado, e não Netanyahu, a quem descreveu como "um primeiro-ministro em funções, sem mandato nem a confiança do povo."
A participação eleitoral nestas eleições, as primeiras em Israel desde os ataques do Hamas de 7 de outubro de 2023, ultrapassou os 77%, segundo a Comissão Central Eleitoral de Israel.
Netanyahu passou grande parte do dia a apelar aos seus apoiantes para que fossem votar, apresentando estas eleições como uma "questão de vida ou de morte".
Estas eleições são amplamente vistas como um referendo à liderança de Netanyahu.