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Europa: fatura do petróleo leva UE a pagar mais 10 mil milhões €/mês do que em 2025

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Navios comerciais permanecem ancorados no Estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, sexta-feira, 4 de setembro de 2026. (Foto AP/Vahid Salemi)
Navios comerciais fundeados no estreito de Ormuz, ao largo de Bandar Abbas, Irão, sexta-feira, 4 de setembro de 2026. (AP Photo/Vahid Salemi) -  Direitos de autor  AP
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De Servet Yanatma
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Euronews Business analisa a subida da fatura das importações de petróleo na Europa numa altura de tensões no Médio Oriente; especialistas não antecipam uma descida dos custos em breve

Os países europeus estão a pagar muito mais pelas importações de óleos petrolíferos este ano, após as tensões no Médio Oriente em fevereiro de 2026. Os consumidores já enfrentam preços mais elevados da gasolina e do gasóleo. Agora, a fatura das importações da UE mostra até que ponto os custos dispararam.

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No segundo trimestre de 2026, a UE gastou em média 27,6 mil milhões de euros por mês em importações de óleos petrolíferos, mais 55,8% do que os 17,7 mil milhões de euros mensais em 2025.

Mas o volume de petróleo importado quase não mudou. Subiu apenas 1,2%, de 36,3 milhões de toneladas por mês em 2025 para 36,7 milhões de toneladas.

Isto significa que a UE pagou mais 9,9 mil milhões de euros por mês.

O custo por tonelada também aumentou, de 487 para 750 euros no mesmo período, regressando ao máximo de 2022.

Porque sobe a fatura das importações

A principal razão é a subida dos preços do petróleo bruto. “A média mensal do preço do Brent no segundo trimestre de 2026 é 49,5% superior à média mensal de 2025 – um aumento de 34 dólares por barril”, explicou o professor Xiaoyi Mu, da Universidade de Dundee, à Euronews Business.

Referiu que, em 2025, cerca de 20 milhões de barris de petróleo e produtos petrolíferos por dia – aproximadamente 20% do consumo mundial diário – foram exportados através do estreito de Ormuz. “Quando quase 20% da oferta mundial é cortada, o preço tem de subir para equilibrar o mercado”, acrescentou.

O custo por tonelada ilustra bem a evolução. No segundo trimestre de 2026, a UE pagou 750 euros por cada tonelada de óleos petrolíferos importados. Foi o segundo valor mais elevado desde 2021, apenas 2 euros abaixo do máximo registado no segundo trimestre de 2022.

No final de 2025, uma tonelada custava 435 euros. O preço subiu para 498 euros no primeiro trimestre deste ano, antes de disparar para 750 euros no segundo trimestre.

Szymon Kardas, investigador sénior de políticas no Conselho Europeu de Relações Externas (ECFR), sublinhou que a guerra entre os Estados Unidos, Israel e o Irão perturbou a produção de petróleo e o abastecimento aos mercados globais, pressionando os preços em alta.

“Em algumas semanas, o tráfego de petroleiros pelo estreito de Ormuz regressa a níveis anteriores à guerra, para logo voltar a cair”, disse à Euronews Business.

Kardas assinalou que estas perturbações atingem fortemente a UE, que depende em 90–95% de importações de petróleo de fora do bloco. Segundo o Eurostat, essa dependência era de 96,6% em 2024.

Wolfgang Eichhammer, especialista sénior no Instituto para a Política Europeia de Energia e Clima (IEECP), concordou que as tensões no Médio Oriente têm o maior impacto, à medida que a oferta diminui ou se torna menos segura. No entanto, acrescentou que a forte procura mundial também pesa, com a Europa a concorrer pelo petróleo com compradores na Ásia, em particular na China.

O gráfico que compara o valor e o volume das importações mostra como a fatura aumentou enquanto a quantidade de petróleo importado se manteve praticamente estável. No segundo trimestre de 2026, a UE gastou 82,7 mil milhões de euros em importações de óleos petrolíferos, face a 50,3 mil milhões de euros um ano antes. Os volumes importados subiram apenas ligeiramente, de 105,2 milhões de toneladas para 110,2 milhões de toneladas.

O mesmo padrão é visível nos últimos cinco anos. Os volumes trimestrais de importações oscilaram entre 105 e 123 milhões de toneladas, enquanto a fatura variou entre 38 mil milhões de euros no início de 2021 e 91,3 mil milhões de euros em 2022. Desceu depois para 47,8 mil milhões de euros no final de 2025, antes de voltar a disparar.

O petróleo explica quase toda a subida da fatura energética das importações da UE. No segundo trimestre de 2026, a UE gastou 115,6 mil milhões de euros em importações de energia, face a 81,4 mil milhões de euros no mesmo trimestre de 2025. Os óleos petrolíferos representaram 32,4 mil milhões de euros dos 34,2 mil milhões de euros de aumento, ou seja, 95%.

As despesas com outros produtos energéticos alteraram-se pouco. As importações de gás aumentaram 1,6 mil milhões de euros e as de carvão 0,4 mil milhões de euros, enquanto as importações de GNL recuaram ligeiramente, em 0,2 mil milhões de euros.

Condutores pagam mais nos postos

Os condutores europeus já sentem o impacto nos postos de abastecimento. Na primeira semana de janeiro de 2026, o gasóleo custava em média 1,54 euros por litro na UE. A partir de março, os preços subiram acentuadamente, ultrapassando os 2 euros por litro ainda nesse mês e atingindo 2,24 euros no final de setembro. Este valor ficou acima do máximo de 2022, de 2,03 euros. Em 19 de outubro, o gasóleo estava nos 2,14 euros por litro, mais 38% do que no início do ano.

A gasolina seguiu uma trajetória semelhante. O preço subiu de 1,60 euros por litro no início de janeiro para 2,10 euros no final de setembro, também acima do pico de 2022, de 2,03 euros. Desde então recuou ligeiramente, para 1,99 euros. Encher um depósito de 50 litros de gasóleo custa agora cerca de 107 euros, face a 77 euros em janeiro.

Impacto nas famílias

Mu alertou que, à medida que os consumidores gastam mais a encher o depósito, terão menos margem para gastar noutras áreas, como alimentação e bens do dia a dia.

“Espero que os preços dos alimentos, dos transportes públicos e de outros bens essenciais aumentem, já que o gasóleo é amplamente utilizado no transporte pesado e nos autocarros”, acrescentou.

Kardas salientou que o impacto será diferente consoante os setores. “Transportes, aquecimento, agricultura e indústrias com forte consumo energético sentirão uma pressão imediata, transferindo para os consumidores finais os custos mais elevados de transporte de mercadorias, energia e combustíveis fósseis, enquanto os setores baseados em serviços permanecerão em grande medida protegidos”, afirmou.

Quanto tempo vai durar a subida dos preços

Os especialistas não esperam uma descida rápida dos custos das importações de petróleo. Questionado sobre se os custos vão manter-se elevados nos próximos meses, Mu respondeu: “Infelizmente, sim, porque não vemos uma forma prática de pôr fim ao conflito.”

Acrescentou que os custos mais elevados de transporte marítimo e seguros poderão ainda não estar totalmente refletidos na fatura do segundo trimestre, mas podem fazer subir os custos no terceiro e no quarto trimestres.

Kardas prevê que os custos ligados ao conflito “persistam nos próximos meses e possam prolongar-se até 2027”.

Eichhammer considera igualmente que há um elevado risco de os preços do petróleo se manterem altos ou aumentarem ainda mais.

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