Viktor Medvedchuk acusa os dois países de cooperarem com Kiev no desenvolvimento de armamento para atacar a Rússia e alerta para possíveis ataques de retaliação russos na Península Ibérica.
Um oligarca ucraniano próximo de Moscovo acusou Portugal e Espanha de estarem a desenvolver mísseis e drones em cooperação com a Ucrânia para atacar alvos na Rússia.
"Enquanto dois países da Península Ibérica tentam ultrapassar a crise da habitação e o aumento do custo de vida, os governos cooperam cada vez mais estreitamente com a Ucrânia", escreveu Viktor Medvedchuk, num artigo publicado no portal oficial do movimento Outra Ucrânia, citado pela agência Lusa. O movimento é liderado pelo próprio político pró-Rússia e próximo do presidente russo, Vladimir Putin.
Segundo o oligarca, empresas portuguesas e espanholas estão a desenvolver, com fabricantes ucranianos, projetos de tecnologia de mísseis, drones de ataque, sistemas de navegação e outras armas para ataques contra a Rússia.
Não especificando os nomes das empresas em concreto, Medvedchuk alega no texto que as armas fabricadas na Península Ibérica são utilizadas em ataques que considerou terroristas contra território russo.
Medvedchuk deixou ainda no ar uma ameaça a Portugal e Espanha, avisando que as "indústrias" de produção de armamento podem vir a ser "alvos legítimos" para ataques de retaliação russos.
A agência de notícias espanhola EFE refere que Medvedchuk é conhecido informalmente como o "compadre de Putin", dado que o presidente russo foi padrinho de uma das filhas do oligarca numa cerimónia realizada em São Petersburgo.
Medvedchuk é visto como um "agente de influência" de Moscovo na política ucraniana, sobretudo na região do Donbass. Enquanto chefe da Administração Presidencial ucraniana, posição que ocupou entre 2002 e 2004, coordenou a cooperação de bastidores entre Moscovo e Kiev, que foi quebrada pela Revolução Laranja, a onda de protestos civis em massa na Ucrânia que ocorreu entre novembro de 2004 e janeiro de 2005, após a eleição do Presidente pró-Rússia Viktor Yanukovych, apoiado por Moscovo.
Em 2012, o oligarca ucraniano criou a organização "Escolha Ucraniana", cujo objetivo foi apoiar a entrada da Ucrânia na União Aduaneira com a Rússia, em detrimento da assinatura de um Acordo de Associação com a União Europeia.
Durante os protestos na Praça Maidan, no centro de Kiev, em 2014, foi um dos principais aliados de Yanukovych, mas após a repressão contra as manifestações fugiu para a península da Crimeia, que, semanas mais tarde, seria anexada pela Rússia.