Os navios nos grandes portos da Grécia estão paralisados devido à manifestação que integra o Dia Internacional de mobilização dos estivadores em mais de 100 portos em todo o mundo.
Os navios permaneceram “amarrados” na maioria dos portos gregos, devido às ações de greve dos sindicatos de trabalhadores marítimos, que se opõem à utilização das instalações portuárias para fins militares e, em paralelo, reivindicam melhores condições de trabalho, reforço da segurança e garantia dos seus direitos laborais.
No Pireu, a grande manifestação de greve terminou com a abertura de uma enorme faixa e o lema “Workers do not work for war” (“Os trabalhadores não trabalham para a guerra”).
A mobilização realizou-se no âmbito da Jornada Internacional de Mobilização dos Estivadores, com o lema “5 continentes - 100+ portos dos povos e da paz - Não às bases dos imperialistas - Nenhum sacrifício pelos seus lucros”.
“Estamos juntos com mais de 113 portos em todo o mundo, em 5 continentes e 21 países. Unimos a nossa luta com os nossos colegas estivadores (...) e enviamos uma mensagem comum: Não trabalhamos para a guerra! Portos dos povos e da paz! Não às bases dos imperialistas!”, salientou Markos Bekris, presidente do Centro de Trabalho do Pireu e do sindicato ENEDEP.
“Hoje o Pireu envia uma mensagem a todo o mundo, não trabalhamos para a guerra! A nossa força está na decisão de lutarmos juntos, para lá das fronteiras, contra os nossos exploradores e as suas guerras!”, sublinhou Sotiris Poulikogiannis, presidente do Sindicato do Metal de Ática e da Indústria Naval da Grécia, falando na concentração de greve no Pireu.
Principais reivindicações dos sindicatos
A União Pan-helénica de Maquinistas da Marinha Mercante (PEMEN) e a União de Tripulações Inferiores de Máquinas “STEFENSON” pedem a classificação das zonas marítimas onde decorrem conflitos armados como zonas de guerra, a não deslocação de trabalhadores marítimos para essas áreas e a interrupção do transporte de material de guerra em navios comerciais.
Paralelamente, reclamam a renovação dos Contratos Colectivos de Trabalho em todas as categorias de navios, com aumentos de 12% nos salários e subsídios, aumento do complemento de trabalho aos domingos para 25% e estabelecimento de um horário de trabalho de sete horas, semana de cinco dias e 35 horas.
Além disso, exigem o reforço das composições orgânicas dos navios, a presença obrigatória de médico, medidas concretas de proteção da saúde e da segurança das tripulações, bem como a revogação de disposições legislativas que, segundo os sindicatos, limitam os direitos laborais dos trabalhadores marítimos.
Entre as suas reivindicações inclui-se também a desvinculação da Grécia das operações militares e a retirada das bases norte-americanas e da NATO.
Da sua parte, a União Pan-helénica de Marinheiros da Marinha Mercante alerta para os crescentes riscos que enfrentam os trabalhadores a bordo dos navios devido à escalada dos ataques militares, sublinhando ao mesmo tempo que o aumento do custo de vida reduziu significativamente o seu poder de compra.
Nas ações de protesto participou também a Federação de Funcionários Permanentes dos Portos da Grécia (OMYLE), com uma greve de três horas das 10:00 às 13:00.
A Federação opõe-se à utilização das instalações portuárias para operações militares e levanta questões de automatização, proteção dos postos de trabalho e assinatura de contratos colectivos. Faz uma referência específica à Organização do Porto de Pireu, comummente como Piraeus Port Authority S.A, onde está pendente um novo Acordo Colectivo de Empresa.