A UE afirma que os ciberataques são uma tentativa deliberada de perturbar a cadeia de abastecimento alimentar, mas o responsável romeno pela cibersegurança chama‑lhes “semi-amadores”
Governo italiano realizou reuniões de emergência com responsáveis dos serviços de informações na terça-feira, depois de ciberataques a sistemas de congelação de supermercados terem atingido pelo menos 11 países europeus nos últimos dias.
Supermercados em pelo menos dez países da UE, incluindo Alemanha, Itália e Países Baixos, foram obrigados a deitar fora alimentos depois de as temperaturas terem subido nos seus frigoríficos e arcas congeladoras. O Reino Unido também foi afetado.
Ninguém reivindicou responsabilidade e o motivo continua desconhecido.
Governo italiano afirmou que o impacto até agora foi “muito limitado” e que apenas estabelecimentos com sistemas de segurança desatualizados foram afetados. Cerca de 20 lojas foram reportadas como atingidas em todo o país.
Mesmo assim, ministros reuniram-se com responsáveis dos serviços de informações e com a Agência Nacional de Cibersegurança de Itália, que emitiu recomendações técnicas aos retalhistas sobre como proteger os seus sistemas.
Giuseppe Spadaro, diretor de um grupo que gere supermercados Coop na Sicília, disse que quatro das suas 300 lojas foram atingidas. “Tivemos de deitar tudo fora. As prateleiras estão vazias”, afirmou ao jornal Corriere della Sera.
Porta-voz da UE Thomas Regnier declarou que as agências europeias estão a trabalhar com as autoridades nacionais numa resposta conjunta. “Estes não são incidentes isolados e, naturalmente, temos de ser coletivamente resilientes e preparados para este tipo de ciberincidentes”, afirmou.
Na segunda-feira, o comissário europeu da Alimentação e Agricultura, Christophe Hansen, classificou os ataques como “uma tentativa deliberada de perturbar a nossa cadeia de abastecimento alimentar”.
Responsável máximo pela cibersegurança da Roménia tem uma leitura diferente. Seis estabelecimentos romenos foram afetados, mas Dan Cimpean, diretor da Direção Nacional de Cibersegurança do país, afirmou: “Parece semi-amador. Não suspeitamos, em circunstância alguma, que se trate de um ator estatal.”
No Reino Unido, o chefe do National Cyber Security Centre, Richard Horne, disse à BBC que o problema afetou “toda a cadeia de abastecimento alimentar” e que houve alguns casos em que “tecnologia vulnerável foi explorada”.
Quatro lojas foram atingidas na Alemanha. Na Suécia, a cadeia Coop indicou que as suas sete lojas afetadas já regressaram à normalidade e que o equipamento envolvido estava ligado através de antigas redes móveis 4G.
Bélgica foi um dos países mais afetados e o Ministério Público federal abriu uma investigação. Centenas de supermercados franceses foram atingidos por um ataque semelhante no mês passado.
Os sistemas de refrigeração dos supermercados estão muitas vezes ligados à internet para que empresas contratadas os possam monitorizar e reparar à distância. Investigação recente da empresa de segurança Forescout identificou quase 13 000 serviços de controlo de refrigeração acessíveis abertamente online em 99 países