Na reunião de chefes de governo da Commonwealth, em Antígua e Barbuda, o primeiro-ministro Andy Burnham propôs um “reset da dívida” para os países mais pobres, que pode alterar as taxas de juro dos reembolsos.
O ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Ed Miliband, afirmou que não é “viável” o país pagar reparações pela escravatura, depois de o rei Carlos III ter expressado pesar numa altura em que aumentam os apelos a um pedido de desculpas formal e a indemnizações.
“Não é a resposta certa. Não é prático. Não é viável para nós, mas há questões em que podemos trabalhar de forma cooperativa”, disse Miliband à BBC, numa entrevista emitida na quarta-feira.
Acrescentou que Londres não vai “mudar a nossa posição sobre reparações”.
Miliband sugeriu ainda que o Reino Unido poderá apresentar, no próximo ano, um pedido de desculpas formal há muito reivindicado pelo seu papel no tráfico de escravos, quando acolher uma cimeira de líderes do G20.
Questionado sobre se o Reino Unido poderá chegar a esse ponto até à reunião em Manchester, em novembro do próximo ano, Miliband respondeu: “De um modo geral, sim”.
Mas insistiu que um pedido de desculpas não abriria caminho a uma compensação financeira.
Na Reunião dos Chefes de Governo da Commonwealth, em Antígua e Barbuda, o primeiro-ministro Andy Burnham apresentou um plano de “reset da dívida” para os países mais pobres da Commonwealth, que poderia alterar as taxas de juro sobre os reembolsos.
Burnham disse aos jornalistas na terça-feira: “Tenho sido muito claro em que não apoiamos reparações... mas não é verdade que não apoiemos os países da Commonwealth em matéria de desenvolvimento, ajudando-os com os problemas de dívida que têm”.
O papel central do Reino Unido na escravatura tem há muito vindo a dificultar as relações com as suas antigas colónias. Burnham afirmou que terá “conversas difíceis” para proteger o futuro da Commonwealth.
Numa reunião tensa da Commonwealth em Samoa, em 2024, os países apoiaram negociações sobre justiça reparatória, depois de o Reino Unido, então sob a liderança de Keir Starmer, ter tentado evitar abordar o tema.
A mudança de abordagem de Burnham não foi bem recebida no país, com a líder do partido Conservador da oposição, Kemi Badenoch, e a imprensa de direita a criticarem a sua estratégia.
O rei Carlos III foi mais longe do que anteriores membros da família real ao expressar o seu “horror”, mas evitou pedir desculpa e sublinhou o papel do Reino Unido na abolição da escravatura.
O rei inaugurou a cimeira, integrada numa digressão de nove dias pelas Caraíbas, classificando a escravatura como uma “injustiça monstruosa” que “continua a lançar uma sombra sobre estas ilhas e outros membros” do grupo, formado por 56 países, na sua maioria antigas colónias britânicas.
Carlos III e a rainha Camila deverão terminar a sua digressão pelas Caraíbas e partir de Antígua e Barbuda na quarta-feira.