À exceção das tecnológicas, as ações subiram esta quinta-feira, após a recuperação de Wall Street nas intercalares, com o Dow Jones a ganhar mais de 3% depois de o partido de Donald Trump perder o controlo exclusivo de Washington
As empresas tecnológicas afundaram na quinta-feira, à medida que os investidores avaliavam as perspetivas do boom da inteligência artificial depois de os Democratas terem obtido uma vitória esmagadora nas eleições intercalares nos Estados Unidos, em parte graças à crescente revolta contra a rápida construção de centros de dados em todo o país.
Os mercados mais abrangentes, porém, recuperaram na maioria e o petróleo afundou, depois de os Republicanos do presidente Donald Trump sofrerem uma derrota histórica, atribuída aos preços elevados, às tarifas e à guerra no Irão.
O resultado alimentou a esperança de que Trump procure reduzir o conflito no Médio Oriente, o que ajudaria a moderar a inflação e até a suavizar a sua posição em matéria comercial.
Mas as empresas ligadas à IA ficaram sob forte pressão, numa altura de receios quanto aos projetos de construção de centros de dados previstos e de renovado escrutínio por parte dos Democratas acabados de chegar ao Capitólio.
O setor já estava na mira dos investidores, devido a dúvidas sobre as enormes somas canalizadas para novas instalações, I&D e desenvolvimento de chips, e sobre quando é que as empresas começariam a registar lucros.
Charu Chanana, da Saxo Markets, afirmou que a votação estava a acelerar uma reavaliação da IA que já estava em curso.
“Um Congresso Democrata acrescenta outra camada de incerteza: o escrutínio regulamentar”, escreveu, acrescentando que os três principais riscos eram uma maior supervisão, restrições aos centros de dados e incerteza quanto ao investimento de capital.
“O escrutínio do Congresso pode acelerar as exigências de normas de segurança para a IA, de avaliações independentes dos modelos e de maior responsabilização dos promotores de centros de dados”, acrescentou.
No entanto, afirmou também: “Isto não é o mesmo que uma agenda política abertamente anti-IA. A IA é estrategicamente importante para a competitividade dos Estados Unidos, sobretudo face à China, e continua a existir um interesse bipartidário considerável em manter a liderança americana.”
As fabricantes de semicondutores foram fortemente penalizadas na Ásia, com a sul-coreana SK hynix a cair mais de 7% e a Samsung a recuar 5,5%.
A Kioxia, cotada em Tóquio, afundou mais de 13% e a Advantest perdeu 14,7%, enquanto a Tokyo Electron recuou mais de 9% e a SoftBank 6,8%.
Os futuros do Nasdaq nos Estados Unidos desceram mais de 1%.
Os mercados mais amplos tiveram um desempenho melhor, à medida que os investidores rodavam para outros setores, incluindo finanças, automóvel, mineiro e empresas industriais.
Seul, caso emblemático da subida impulsionada pela IA na primeira metade do ano, perdeu mais de 5%, enquanto Taipé recuou mais de 3%. Tóquio cedeu 1,8%.
Mas Hong Kong registou ganhos sólidos, apoiados pela esperança de um abrandamento das tensões comerciais entre os Estados Unidos e a China, com gigantes tecnológicos como a Alibaba, a JD.com e a Tencent a liderarem a recuperação, numa altura em que aumentavam as compras de ações regionais muito penalizadas.
Xangai, Sydney, Singapura, Wellington, Mumbai, Jacarta e Manila avançaram também.
Londres, Paris e Frankfurt abriram em alta, prolongando o salto de quarta-feira.
O petróleo manteve as perdas depois de ter afundado mais de 8% na quarta-feira com o resultado nos Estados Unidos, num contexto de otimismo de que Trump procurará um acordo para pôr fim à guerra no Irão, que tem sido um dos principais motores do surto de inflação que penalizou os consumidores norte-americanos.
As expetativas ganharam força quando o vice-presidente dos Estados Unidos, JD Vance, afirmou numa publicação nas redes sociais que a derrota republicana se deveu à impopularidade do conflito, com oito meses de duração.
A queda dos preços do crude, com os dois principais contratos agora abaixo dos 100 dólares pela primeira vez desde o início de outubro, também atenuou as preocupações com a inflação e, por sua vez, os rendimentos das obrigações do Tesouro, que voltaram a recuar na quinta-feira.
O menor custo do financiamento tem sido igualmente apoiado pela perspetiva de que a paralisia política no Capitólio conduza a menos despesa.
Isso também pressionou o dólar, que manteve as perdas face às restantes moedas na negociação asiática.