Perante a ameaça de destituição, Santiago Peña apresentou a demissão do cargo do presidente Paraguai devido à crise do Ueno Bank. O vice-presidente Pedro Alliana assumirá o cargo, enquanto milhões de clientes esperam recuperar os seus depósitos.
Santiago Peña demitiu-se esta quinta-feira do cargo de presidente do Paraguai, em plena crise bancária. A Câmara dos Deputados do país preparava-se para votar um processo de destituição contra o líder paraguaio.
“Tomei a decisão de apresentar a minha demissão da Presidência da República. Faço-o a pensar na estabilidade do nosso país, na paz social e na necessidade de preservar as nossas instituições democráticas”, declarou num vídeo divulgado na rede social X.
Santiago Peña afirmou que @nenhum cargo pode estar acima do bem-estar do Paraguai@ e pediu desculpa ao povo se, em algum momento, tenha falhado, embora, segundo os meios de comunicação, tenha evitado assumir a responsabilidade pela crise bancária.
O presidente demissionário tinha assumido o cargo a 15 de agosto de 2023, com mandato até 2028.
Um banco encerrado e um presidente na mira
O Banco Central interveio no Ueno Bank uma vez que o seu índice de solvência estava abaixo de metade do mínimo exigido, suspendendo os seus serviços e encerrando as suas agências. Cerca de três milhões de clientes ficaram sem acesso às respetivas contas.
A instituição administrava cerca de 850 milhões de dólares de fundos públicos. O Ministério Público abriu um processo penal e o seu maior acionista, Miguel Vásquez, juntamente com seis dirigentes, entregou-se à Justiça. O presidente do Banco Central, Carlos Carvallo, demitiu-se a pedido de Peña, tendo Carvallo presidido ao Ueno até agosto de 2023.
Peña também não ficou de fora. Era acionista da Ueno Holding, e não do banco, segundo esclareceu o presidente da entidade. A publicação "ABC Color" refere que presidente vendeu essa participação em abril de 2025.
O Banco Central dispõe de um prazo de 15 dias para devolver os depósitos abrangidos pela garantia, que, segundo os seus cálculos, abrange cerca de 97% dos depositantes.
“Que o Fundo de Garantia de Depósitos cumpra a sua finalidade e que sejam protegidos os fundos públicos e os recursos que pertencem a todos os paraguaios”, sublinhou o o chefe de Estado no vídeo publicado nas redes sociais.
Ameaça de destituição
Na quarta-feira, 35 deputados apresentaram a acusação para submeter Peña e o vice-presidente, Pedro Alliana, a um processo de destituição, apontando um conflito de interesses devido à participação do presidente na Ueno Holding.
Na sessão extraordinária desta quinta-feira, deputados do governo, dissidentes e da oposição tinham anunciado que apoiariam o processo. O presidente do Congresso, Basilio "Bachi" Núñez, tinha exigido a sua demissão nessa mesma manhã.
De acordo com o artigo 234.º da Constituição, Alliana deve assumir a presidência para completar o mandato. É ex-governador de Ñeembucú e foi três vezes presidente da Câmara dos Deputados, tendo confirmado em abril que aspirava à presidência em 2028. Antes disso, o Congresso tem de se reunir em sessão conjunta de ambas as câmaras para aceitar a renúncia.