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Europa enfrenta falha nas pensões: trabalhadores precisam de poupar mais para a reforma

Um pensionista idoso segura um cartaz com a inscrição “não mexam na minha pensão” durante uma manifestação em Paris, França, quinta-feira, 15 de março de 2018
Pensionista idoso segura um cartaz com a frase “não mexam na minha pensão” durante uma manifestação em Paris, França, quinta‑feira, 15 de março de 2018 -  Direitos de autor  Copyright 2018 The Associated Press. All rights reserved.
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De Servet Yanatma
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Para terem 70% do salário na reforma, trabalhadores com salário médio podem precisar de poupar mais de 1 000 € mensais na Suíça e mais de 600 € na Alemanha. A Euronews Business compara estimativas para mulheres e homens na Europa

Prevê-se que as pensões obrigatórias fiquem aquém do objetivo de rendimento na reforma da OCDE em 22 dos 30 países europeus analisados.

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No relatório Pensions Outlook 2026, a OCDE calcula quanto teriam de poupar, ao longo de toda a carreira, os trabalhadores com salários médios para reformarem com 70% do seu salário bruto.

A Lituânia regista a maior diferença em proporção dos salários, 20,7%, enquanto a Suíça apresenta a contribuição mensal adicional mais elevada, superior a 1 000 € por mês para homens com salário médio.

A OCDE designa este desfasamento por lacuna de contribuição. Trata-se da parcela adicional do salário que os trabalhadores teriam de canalizar para um regime voluntário de pensões, além das contribuições obrigatórias, para atingir o objetivo.

A necessidade de rendimento na reforma depende em parte do que as pessoas esperam gastar. “Não existe um objetivo universal de rendimento na reforma. Em vez de recorrer a taxas de substituição alvo, pode-se utilizar referências de consumo, que são níveis de despesa alvo para alcançar estilos de vida específicos na reforma”, afirmou Stéphanie Payet, analista de políticas na OCDE, à Euronews Business.

A OCDE calcula lacunas de contribuição que variam de 0,4% na Turquia a 20,7% na Lituânia entre trabalhadores homens com salários médios. As taxas são, em geral, semelhantes para as mulheres. Porém, na Polónia e na Hungria, a lacuna para as mulheres é respetivamente 8,6 e 2,9 pontos percentuais superior.

A lacuna é de dois dígitos em muitos países: Irlanda (19,4%), Polónia (17,3%), Croácia (15,7%), Eslovénia (12,5%), Letónia (12,3%), Estónia (12,2%), Suíça (12,1%), Alemanha (11,1%), Bélgica (10,7%) e Islândia (10%).

“Quando as lacunas são grandes, isso significa que as pessoas pouparam frequentemente demasiado pouco, e que não terão o suficiente para manter um bom nível de vida na reforma”, afirmou o professor Iain Clacher, da University of Leeds, à Euronews Business.

Noutros grandes países, a lacuna é de 9,1% no Reino Unido e de 6,2% em França.

É mais pequena na Bulgária (4,4%), Eslováquia (3,9%) e Suécia (2,2%). A Turquia tem a menor lacuna positiva, 0,4%.

Na Áustria, Dinamarca, Grécia, Itália, Luxemburgo, Países Baixos, Portugal e Espanha, prevê-se que as pensões obrigatórias atinjam o objetivo de rendimento na reforma da OCDE para homens com salários médios.

Quanto mais teriam de poupar os trabalhadores por mês?

A Euronews Business aplicou as taxas de contribuição da OCDE aos salários médios brutos de 2025. A mesma percentagem pode traduzir-se em montantes muito diferentes consoante o que os trabalhadores ganham.

Aos salários médios brutos de 2025, a contribuição adicional estimada para homens varia de cerca de 5 € por mês na Turquia a 1 084 € na Suíça.

O valor ultrapassa 500 € mensais na Irlanda (974 €), Islândia (716 €), Alemanha (617 €), Bélgica (556 €) e Noruega (532 €).

No Reino Unido, um homem com salário médio teria de poupar cerca de 494 € por mês para atingir a referência da OCDE. O valor é de 238 € em França, 64 € na Eslováquia, 68 € na Bulgária, 91 € na Suécia, 111 € na Roménia, 129 € na Hungria e 360 € na Polónia.

Mesmo uma contribuição mensal relativamente reduzida pode ser um peso onde os salários são mais baixos. Em 2025, o salário médio bruto mensal variou entre 1 549 € na Turquia e 8 957 € na Suíça. Foi de 5 558 € na Alemanha, 5 445 € no Reino Unido, 4 195 € na Suécia, 3 830 € em França, 2 078 € na Polónia e 1 772 € na Hungria.

A esses níveis salariais, um rendimento de reforma equivalente a 70% do salário corresponderia a cerca de 1 084 € por mês na Turquia e 6 270 € na Suíça.

Porque diferem as lacunas de contribuição?

Payet afirmou que as diferenças estão diretamente ligadas ao rendimento que os trabalhadores podem esperar das pensões obrigatórias. A taxa de substituição mede o rendimento da pensão como parte do salário do trabalhador antes da reforma.

“Uma taxa de substituição mais baixa no sistema obrigatório de pensões significa que terá de contribuir mais de forma voluntária para atingir a taxa de substituição alvo”, disse.

A professora Traute Meyer, da University of Southampton, relacionou a grande lacuna de contribuição da Polónia com cortes nas pensões públicas após a transição do socialismo de Estado para a economia de mercado. Ligou a ampla lacuna da Irlanda às tradicionalmente baixas pensões obrigatórias do país, enquanto Estado social liberal. Assinalou as fortes obrigações das pensões públicas da Suécia, enraizadas numa governação social-democrata, como razão para a menor lacuna.

“Lacunas reduzidas podem também significar que só os trabalhadores formais estão protegidos, deixando muitos fora da cobertura obrigatória (Turquia)”, acrescentou.

Poder de compra do dinheiro na reforma

O professor Lauri Leppik, da Tallinn University, afirmou que uma lacuna de contribuição pequena diz pouco sobre o que uma pensão obrigatória pode comprar em países como a Turquia.

Clacher acrescentou que “A lacuna de contribuição, por si só, não fornece uma imagem clara, porque o outro fator importante é o poder de compra do dinheiro na reforma”.

O rendimento de pensões varia amplamente na Europa. Em 2023, a despesa da UE com pensões de velhice foi em média de cerca de 1 440 € por mês por beneficiário, segundo o Eurostat.

Esse valor abrange pessoas que já recebem uma pensão, incluindo quem teve carreiras mais curtas. A referência da OCDE aplica-se a trabalhadores que entram agora no mercado de trabalho e completam uma carreira inteira.

Pobreza na reforma

Meyer chamou a atenção para o risco de pobreza na reforma.

“A investigação mostra de forma consistente que a poupança voluntária para a reforma é insuficiente, sobretudo entre os que ganham menos. As pessoas subestimam necessidades futuras, dão prioridade às exigências atuais, desconfiam dos regimes privados ou não têm meios para poupar”, disse à Euronews Business.

O que pode mudar antes de os trabalhadores se reformarem?

A lacuna de contribuição é um indicador prospetivo. Não diz nada sobre os pensionistas atuais. “Baseia-se em taxas de substituição esperadas para trabalhadores que entram hoje na força de trabalho, pressupondo que as regras do sistema de pensões permanecerão iguais até estes trabalhadores se reformarem”, explicou Payet.

As projeções incluem alterações já inscritas na lei, incluindo aumentos programados nas idades de reforma. O professor Marek Góra, da Warsaw School of Economics, afirmou que novas mudanças podem influenciar quanto precisam os trabalhadores de poupar. Na sua perspetiva, idades de reforma mais elevadas reduzirão a necessidade de poupança adicional, enquanto taxas de substituição mais baixas a aumentarão.

“Como resultado, a necessidade real de poupança adicional voluntária para a reforma é menos evidente do que sugerem as estimativas”, afirmou.

Como funciona a lacuna de contribuição?

Payet deu o exemplo de um trabalhador com salário médio cuja pensão obrigatória deverá substituir 50% do salário. Nas condições do exemplo, aplicar cerca de 9% do salário num regime de pensões de contribuição definida, dos 22 anos até à reforma, cobriria os 20 pontos percentuais em falta.

Considere-se um trabalhador que ganha 3 000 € por mês imediatamente antes da reforma. O objetivo de 70% dar-lhe-ia um rendimento bruto de reforma de 2 100 € mensais. Se a pensão obrigatória pagasse 1 500 € por mês, o défice seria de 600 € mensais.

Com um salário de 3 000 €, uma contribuição de 9% corresponde a 270 € por mês. O trabalhador pouparia a mesma proporção do salário ao longo de toda a carreira, por isso o montante em euros seria mais baixo quando ganhasse menos. Nas condições do exemplo, essas contribuições e os respetivos rendimentos de investimento forneceriam os 600 € adicionais por mês na reforma.

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