A agência marítima UKMTO informou, no final de sábado, ter recebido um relatório sobre um incidente envolvendo um graneleiro e forças militares no golfo.
As forças armadas dos Estados Unidos disseram no sábado que tinham “neutralizado” um navio comercial no Golfo de Omã depois de a tripulação civil ter “ignorado repetidos avisos” e ter tentado várias vezes “violar” o bloqueio naval imposto ao Irão.
“Um avião militar norte-americano disparou munições de precisão contra a popa do M/V Huda, com bandeira de São Cristóvão e Neves, imobilizando o navio depois de as forças do CENTCOM terem ordenado à tripulação que abandonasse as zonas visadas. O cargueiro tentou sair das águas regionais depois de escalar um porto iraniano”, afirmou o Comando Central dos EUA (CENTCOM) em comunicado, acrescentando que continua a “aplicar de forma estrita” o bloqueio ao Irão.
Segundo o comando militar, desde julho as forças dos EUA obrigaram 147 navios comerciais a alterar a rota em conformidade com o bloqueio, enquanto imobilizaram cinco navios mercantes que se recusaram.
“Além disso, o CENTCOM já destruiu outros 10 petroleiros comerciais iranianos que faziam parte da rede paralela, avaliada em vários milhares de milhões de dólares, do Corpo da Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC)”, acrescentou.
A agência United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO) informou, no final de sábado, que tinha recebido um relato de um incidente envolvendo um navio graneleiro e forças militares no Golfo de Omã, a cerca de 18 milhas náuticas a leste de Khor Fakkan, na costa oriental dos Emirados Árabes Unidos.
A Guarda Nacional dos Emirados Árabes Unidos anunciou, no início de domingo, que 22 pessoas tinham sido resgatadas de um navio de carga no golfo.
Irão: dois petroleiros atingem minas no estreito de Ormuz
Ao mesmo tempo, a força naval da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC) afirmou, em comunicado, que dois petroleiros, um a leste do estreito de Ormuz e outro que navegava nesta via marítima estratégica, se incendiaram depois de atingirem minas.
Os Guardas disseram que estes navios estavam a seguir uma rota “não autorizada”.
“Estes dois petroleiros, através de múltiplas violações e desligando os seus sistemas de navegação e posicionamento, pretendiam atravessar o estreito de Ormuz por uma rota não autorizada. Depois de atingirem uma mina, explodiram e estão em chamas”, afirmou a força naval da IRGC em comunicado.
Os Guardas acusaram ainda o comandante do CENTCOM de “fantasia” e avisaram que qualquer navio ou embarcação que coopere com os militares dos EUA, “desobedeça aos regulamentos iranianos para o estreito de Ormuz e entre na área não autorizada, acabará inevitavelmente por atingir uma mina”.
As tensões entre Teerão e Washington em torno do estreito de Ormuz reacenderam-se nos últimos dias, após o fim das eleições intercalares nos Estados Unidos.
Na noite de sexta-feira, surgiram relatos de explosões na ilha de Qeshm, e a agência noticiosa Tasnim avançou que dois mísseis tinham atingido a área.
Algumas horas depois, o Presidente dos EUA, Donald Trump, confirmou que as forças norte-americanas tinham visado um sistema de defesa aérea iraniano.
As agências noticiosas iranianas relataram na noite de sábado que se ouviram novas explosões em Qeshm, Sirik, Jask e Bandar Abbas.