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Manifestante parisiense relata à Euronews momento de “coesão” e “necessidades culturais”

Manifestação sob apertada vigilância das forças de segurança em Paris, em 7 de novembro de 2026.
Manifestação em Paris, a 7 de novembro de 2026, sob forte vigilância policial -  Direitos de autor  AP Photo/Emma Da Silva
Direitos de autor AP Photo/Emma Da Silva
De Alexander Kazakevich
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A mobilização recuou sábado nas ruas de França face aos três últimos fins de semana, mas os sindicatos já convocaram nova greve para terça-feira. Um manifestante parisiense fala à Euronews de um momento de “coesão” e da expressão de “necessidades culturais”.

Milhares de pessoas manifestaram-se em toda a França pelo quarto sábado consecutivo para fazer ouvir a sua revolta contra o governo.

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As reivindicações foram-se alargando ao longo das semanas, abrangendo agora os salários, a degradação das condições de aprendizagem de alunos e estudantes, o estado dos serviços públicos, mas também as restrições impostas ao direito de manifestação desde os saques de 17 de outubro e o afastamento dos cortejos dos centros das cidades e dos locais de poder.

De acordo com o Ministério do Interior, 146 000 pessoas desfilaram sábado em toda a França, 46 000 das quais em Paris. A intersindical da juventude reivindicou, por seu lado, 250 000 manifestantes no país, incluindo 75 000 na capital.

A mobilização está em “nítido recuo”, observou o entourage do ministro Laurent Núñez. Uma quebra que, no entanto, deve ser relativizada, já que este novo dia de mobilização teve lugar após a greve geral de quinta-feira, que reuniu 575 000 pessoas, segundo as autoridades, e 1,6 milhões, segundo os sindicatos.

“Um grande momento de alegria”

“Há reivindicações em relação ao custo de vida, à inacessibilidade dos serviços públicos para certas populações, ao preço dos combustíveis, ao subfinanciamento da saúde e da educação”, conta à Euronews Louis, 34 anos, que participou na manifestação em Paris. Mas diz ter sentido sobretudo “uma enorme coesão”, bem como uma vontade quase “cultural” de “marcar presença na rua”.

Embora afirme ter ficado “marcado” pelas manifestações anteriores, nas quais assistiu a disparos de gás lacrimogéneo e de “flashballs”, este antigo quadro de um gabinete de estudos, originário da Bretanha e atualmente desempregado, descreve este sábado, 7 de novembro, como “um grande momento de alegria”.

“Tivemos uma liberdade de movimentos que permitiu a uma fanfarra circular, a uma techno parade (um sound system da manifestação - Euronews) desfilar também. Chegámos mesmo a ter uma batalha de aura em plena marcha”, relata.

Para Louis, se “as reivindicações monetárias e financeiras” estão de facto no centro da mobilização e explicam porque “toda a gente está na rua”, a presença de concertos, espetáculos de rua e discursos evidencia também, segundo ele, uma falta de resposta às “necessidades culturais”.

Criticado pelo falhanço na gestão da segurança durante as violências de 17 de outubro e pela falta de antecipação, o ministro do Interior manteve o dispositivo aplicado nas manifestações de 24 e 31 de outubro, que tinham provocado menos incidentes.

No total, 70 000 polícias e gendarmes foram mobilizados no sábado em todo o país, prontos a intervir rapidamente. Segundo o ministério, quase 40 000 controlos “preventivos” foram também efetuados nas estradas e nas estações.

Depois do dia de sábado, Louis garante não ter “nada a apontar” ao enquadramento geral do cortejo parisiense pelas forças de segurança. Aponta, no entanto, como “principal problema” as técnicas de nassage, que consistem em cercar um grupo de manifestantes, bem como o bloqueio de certas ruas.

Por outro lado, assinala “ações localizadas” de algumas unidades especiais, como a BRAV-M (Brigade de répression de l'action violente motorisée), que, segundo ele, “quebra cortejos para se inserir neles e expulsar multidões”.

Descreve assim uma forma de “dicotomia” entre polícias que por vezes marcham “ao nível dos manifestantes, ao ponto de poderem falar com eles” e as unidades especializadas, que estariam ali “para pôr fim ao mínimo movimento e dispersar as multidões”.

Polícias “ao nível dos manifestantes”, Paris, boulevards de ceinture, 31 de outubro de 2026.
Polícias “ao nível dos manifestantes”, Paris, boulevards de ceinture, 31 de outubro de 2026. AP Photo/Aurelien Morissard

O Ministério do Interior relatou confrontos entre as forças de segurança e alguns manifestantes em várias grandes cidades, nomeadamente Marselha, Lyon, Toulouse, Grenoble, Bordéus e Estrasburgo.

“Como previsto, os cortejos estavam menos enquadrados pelas organizações sindicais, um grande número não tendo sido declarado”, indicou também o ministério na noite de sábado.

Em Paris, onde o cortejo decorreu de forma calma, “grupos de risco” e “indivíduos particularmente violentos” provocaram “numerosos incidentes” no final da manifestação, na praça da Nation. A polícia recorreu a gás lacrimogéneo contra indivíduos que lançavam projéteis e morteiros de fogo de artifício.

Segundo um balanço provisório, 360 pessoas foram detidas em toda a França.

Novo apelo à greve na terça-feira

O primeiro-ministro Sébastien Lecornu deve reunir-se na segunda-feira com representantes dos sindicatos e das organizações patronais para discutir salários e poder de compra. Precisou que o ministro do Trabalho e o da Ação e Contas Públicas têm conduzido consultas “há vários dias”, nomeadamente junto de trabalhadores da função pública.

Mas organizações de estudantes e de professores apelaram a um novo dia de greve na terça-feira, para manter a pressão sobre o governo e exigir mais recursos para a educação. Num comunicado (fonte em francês), consideram estar “em posição de força”, enquanto o governo estaria “em posição de fraqueza” e começaria a “recuar”.

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