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Mães de pedra, mães de carne: viagem milenar no Mucem de Marselha

Vista do MuCem (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo), em Marselha,
Vista do MuCem (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo), em Marselha, Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Jean-Philippe Liabot & AFP
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O Mucem – Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo, em Marselha, França, inaugura uma exposição que passa em revista o conceito de "mãe" ao longo de vários milénios.

Há 4000 anos que o Mediterrâneo molda o rosto das mães. Das deusas antigas aos ícones religiosos, a maternidade não é apenas uma questão de família: é também uma questão política e um motor artístico.O Mucem (Museu das Civilizações da Europa e do Mediterrâneo), em Marselha, apresenta a exposição Bonnes Mères e convida a mergulhar neste relato milenar.

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Em Marselha, a figura materna está indissociavelmente ligada a um símbolo forte que vela pela cidade. Aqui, os comissários da exposição optaram por abalar essa figura sagrada singular e abraçar uma realidade muito mais vasta.

"Interrogámos a noção de boas mães, explica Caroline Chenu, investigadora no Mucem e comissária da exposição, já que existe uma bonne mère bem conhecida em Marselha: é Nossa Senhora da Guarda, Nossa Senhora que observa e que vela pelas crianças da cidade marselhesa. Mas passámo-la para o plural, porque, de facto, uma mesma mulher pode ser atravessada por diferentes maternidades ou sentimentos maternais, porque na maternidade incluímos toda a reflexão em torno do conceito de ser mãe."

Reunem-se aqui 350 obras e objetos provenientes de 20 países da orla mediterrânica, 120 dos quais pertencem às coleções do museu de Marselha, especialmente para esta ocasião.

Segundo Anne-Cécile Mailfert, presidente da Fundação das Mulheres e comissária da exposição, «não se trata apenas do vínculo mãe-criança na primeira infância. Falamos também, e sobretudo, do lugar das mães na sociedade, do que a maternidade diz das nossas sociedades e do que as mães têm a dizer sobre a nossa sociedade. O que desejamos ardentemente é que esta exposição também extravase os muros do Mucem, que as deusas-mãe escapem desta exposição e possam lançar um debate público sobre o lugar das mães em geral.»

Cartaz da exposição "Bonnes Mères", no Mucem
Cartaz da exposição "Bonnes Mères", no Mucem Mucem, Marseille

Exposição "Bonnes Mères" levanta tabus

Os primeiros passos da exposição confrontam o visitante com deusas de pedra, mas o percurso abandona rapidamente o mármore para se centrar na carne.

Aqui, a imagem cristalizada da «mãe ideal» estilhaça-se, dando lugar à verdade crua dos corpos e à singularidade das experiências. Numa cenografia particularmente imersiva, Bonnes Mères ousa aventurar-se por territórios onde o silêncio ainda impera.

A exposição não se limita a mostrar, envolve-se: rompe frontalmente os tabus que ainda cercam a condição feminina. O luto perinatal, a solidão dos percursos da procriação medicamente assistida ou as interrupções da gravidez saem da esfera privada para se tornarem objetos de arte e reflexão.

Ao confrontar estas realidades contemporâneas com os arquétipos do passado, o Mucem não propõe apenas uma retrospetiva histórica, atira uma verdadeira pedra ao charco da sociedade. Abre-se perante nós um debate necessário: o do lugar das mães nas nossas cidades, longe das idealizações e o mais próximo possível das realidades humanas, em toda a sua complexidade e fragilidade.

"Esta exposição é mesmo para todos. É uma exposição pensada para falar a toda a gente e prestar homenagem às mães, falando sem rodeios, sem tabus, de todas as realidades da maternidade", explica Anne-Cécile Mailfert.

Uma imersão necessária para reconciliar o sagrado e o íntimo. A exposição Bonnes Mères está patente no Mucem até 31 de agosto. Uma oportunidade para olhar de forma renovada para aquelas que, desde sempre, carregam o mundo.

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