Newsletter Boletim informativo Events Eventos Podcasts Vídeos Africanews
Loader
Encontra-nos
Publicidade

Exposição de Jack White alvo de críticas: que músicos singram nas belas-artes?

Estreia de Jack White nas belas-artes começa de forma hesitante
Entrada de Jack White nas belas-artes começa tremida Direitos de autor  HENI / Jack White Art and Design
Direitos de autor HENI / Jack White Art and Design
De Craig Saueurs
Publicado a
Partilhar Comentários
Partilhar Close Button

Exposição de estreia de Jack White divide opiniões: como se saíram outros ícones da música aos olhos do público e da crítica

Ser uma estrela rock mundialmente conhecida e incrivelmente rica já não é assim tão simples. Que o diga Jack White.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

Antigo vocalista dos The White Stripes e recente integrante do Rock and Roll Hall of Fame, White inaugurou a sua primeira exposição – “These Thoughts May Disappear” – na Newport Street Gallery de Damien Hirst, na semana passada.

A receção tem sido tudo menos favorável. Por vezes, tem sido mesmo brutal.

Numa crítica demolidora de uma estrela, o crítico do The Guardian Jonathon Jones (fonte em inglês)comparou o trabalho a “um miúdo de 12 anos a visitar a Tate Modern pela primeira vez”.

A exposição está longe de ser um pequeno número paralelo.

Baseia-se no passado, quase lendário, de White como estofador e inclui instalações, mobiliário e esculturas – algumas de grandes dimensões. O catálogo de capa dura, luxuoso, inclui também uma entrevista conduzida pelo conceituado curador Hans Ulrich Obrist.

Basta para deixar a dúvida: estas obras teriam chegado a uma prestigiada galeria londrina se o artista não fosse, enfim, Jack White?

Nem todos alinham, porém, na onda de críticas. Um percurso pelos fóruns do Reddit e pelas críticas menos ácidas revela muitos elogios ao lado lúdico e ao espírito “faça você mesmo” da mostra – e quem defenda que a curiosidade criativa de White deve ser incentivada.

Gostando-se ou não, a exposição de White reacendeu um debate que regressa sempre que músicos famosos se aventuram noutros meios: onde acaba o talento e onde começa o privilégio?

Segue-se uma lista de alguns dos maiores nomes da música que, como White, atravessaram a fronteira para o mundo das belas-artes – e como foram recebidos pelos críticos profissionais.

Salto bem-sucedido: Patti Smith

Patti Smith atua na igreja de Santa Maria di Nazareth durante a Bienal de Veneza 2026
Patti Smith atua na igreja de Santa Maria di Nazareth durante a Bienal de Veneza 2026 Vladimir Nikolouzos

Poucos músicos conseguiram ligar estes dois mundos tão bem como Patti Smith.

Uma das figuras mais influentes do rock and roll, Smith passou décadas a construir uma carreira paralela como fotógrafa. O seu trabalho foi amplamente exibido, incluindo grandes exposições individuais na Fondation Cartier, em Paris, e no MoMA, em Nova Iorque.

Tal como a sua música, memórias e poesia, a fotografia de Smith ocupa-se muitas vezes da memória, da influência artística e de lugares carregados de significado pessoal, com temas que vão dos pertences de Arthur Rimbaud e Robert Mapplethorpe a paisagens e recordações recolhidas nas viagens em digressão.

Na Bienal de Veneza de 2024, Smith contribuiu também para o pavilhão da Santa Sé com uma série de leituras sobre espiritualidade, natureza e relações humanas.

Em vez de suscitar questões sobre o acesso concedido pela fama, como acontece com White, a obra de Smith tem sido tratada como um prolongamento natural das ideias que atravessam a sua música e escrita.

Tema de debate: Bob Dylan

Bob Dylan pinta, trabalha o ferro e muito mais
Bob Dylan pinta, trabalha o ferro e muito mais John Shearer / Halcyon Galllery

Bob Dylan desfruta de um nível de sucesso com que a maioria só pode sonhar – e não apenas na música.

Um dos maiores compositores da história moderna, Dylan passou décadas a expor pinturas, desenhos e esculturas em ferro em grandes instituições de todo o mundo, incluindo a Halcyon Gallery, em Londres, que acolheu muitas das suas exposições individuais (fonte em inglês).

Nem todos se mostram convencidos da sua grandeza em todas as frentes.

Em 2011, Dylan enfrentou acusações de que as pinturas da exposição “Asia Series” eram demasiado semelhantes às fotografias que as inspiraram. As obras não incluíam referências às fontes, o que levou a acusações de plágio.

Mais tarde voltou a ser criticado quando recebeu o Prémio Nobel da Literatura, em 2016, com muitos a retomarem a velha questão: teria vencido se não fosse Bob Dylan?

Ainda assim, as suas exposições continuam a atrair público, fazendo dele um dos poucos músicos cuja obra visual se transformou num tema de discussão por mérito próprio.

Caso problemático: Ed Sheeran

Pinturas “Cosmic Carpark” de Ed Sheeran receberam críticas duras
Pinturas “Cosmic Carpark” de Ed Sheeran receberam críticas duras HENI

A incursão de Ed Sheeran no mundo da arte teve uma receção que até pode deixar Jack White mais descansado.

O cantor e compositor britânico apresentou, no ano passado, uma série de pinturas inspiradas em Pollock, descrevendo-as como uma via criativa que explorou entre digressões e sessões de estúdio.

O crítico independente Nigel Ip (fonte em inglês) escreveu que as “Cosmic Carpark Paintings” “não eram tão aborrecidas como pensei que seriam” – um dos poucos elogios que Sheeran recebeu.

Numa crítica também publicada no The Guardian, Jonathan Jones descartou o trabalho como “um golpe de mão bem oleado”, argumentando que a celebridade de Sheeran transformou uma experiência amadora em evento de galeria. Outros foram mais diretos, acusando Sheeran de se limitar a copiar Jackson Pollock.

Pela positiva, a venda das obras viria a angariar fundos para organizações de base ligadas à música.

Talvez os críticos de White fossem um pouco mais indulgentes se a sua exposição tivesse terminado da mesma forma.

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários

Notícias relacionadas

Reino Unido: Jack White revela obras privadas na sua primeira grande exposição

Exposição de Jack White alvo de críticas: que músicos singram nas belas-artes?

Imagem em óleo de Trump em futebol americano torna-se viral e gera piadas sobre o Pride