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Gatos da família Chandoha
Gatos da família de Walter Chandoha Direitos de autor  ©️ 2026 Walter Chandoha Archive courtesy and published by DAMIANI BOOKS
Direitos de autor ©️ 2026 Walter Chandoha Archive courtesy and published by DAMIANI BOOKS
Direitos de autor ©️ 2026 Walter Chandoha Archive courtesy and published by DAMIANI BOOKS

Novo livro celebra fotógrafo lendário de gatos Walter Chandoha

De Amber Louise Bryce
Publicado a Últimas notícias
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Antes dos memes de gatos, havia Walter Chandoha. As primeiras imagens do lendário fotógrafo felino são homenageadas no novo livro "Family Cats: From the Archive 1949-1968".

Entre quem passa a vida online circula uma teoria popular conhecida como Cat Distribution System (CDS, o Sistema de Distribuição de Gatos). Defende que, tão certo como o céu é azul e a relva é verde, o universo acabará um dia por pôr um gato no seu caminho - muitas vezes precisamente quando mais precisa dele.

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Para um homem chamado Walter Chandoha, o CDS fez a sua magia numa noite gelada de 1949.

Depois de ter trabalhado como fotógrafo de combate durante a Segunda Guerra Mundial, regressara aos Estados Unidos e estudava marketing na Universidade de Nova Iorque (New York University, NYU). Ao voltar a pé das aulas, um gatinho cinzento surgiu de repente, pequeno e a tremer, em plena tempestade de neve.

Levou-o para casa, para junto da mulher, Maria, e depressa perceberam que era um autêntico caos felpudo. Ao vê-lo disparar em círculos pelo apartamento ao som do apito de uma fábrica ali perto, Maria exclamou: “Esse gato é loco!”

E assim nasceu o seu nome.

Não tardou até Loco se tornar a principal fonte de inspiração fotográfica de Chandoha; instantâneos de Loco a saltar pelo ar em poses quase baléticas ou a olhar para o reflexo no espelho - de patas traseiras no chão e uma espécie de “jazz hands” felinas.

Estas imagens, tiradas em momentos de diversão espontânea, captaram algo de especial: o humor estranho e a capacidade de espanto que definem a personalidade dos gatos.

Uma imagem de “Walter Chandoha: Family Cats” - Long Island, EUA, 1955.
Uma imagem de “Walter Chandoha: Family Cats” - Long Island, EUA, 1955. ©️ 2026 Walter Chandoha Archive

Acabariam também por redefinir o resto da vida de Chandoha e levá-lo a ser conhecido como o maior fotógrafo de gatos do mundo.

“Algumas dessas primeiras fotos de Loco chamaram a atenção de revistas ilustradas em todo o mundo, tornando-se virais muito antes da era digital”, disse a Walter Chandoha Archive and Family à Euronews.

“A partir daí, dedicou a sua prática e a sua carreira a fotografar gatos e, mais tarde, também cães. Estava verdadeiramente fascinado pelos gatos e por todas as suas diferentes personalidades e características”, acrescentaram.

Os primeiros registos - alguns deles nunca antes divulgados - estão reunidos num novo livro intitulado “Family Cats: From the Archive 1949-1968”, editado pela Damiani Books.

Ao contrário de coleções anteriores, há nestas fotografias uma bela intimidade; a espontaneidade do preto e branco revela os laços familiares de onde floresceu a carreira de Chandoha.

Amor entre gatinho e cãozinho, Long Island, EUA, 1957.
Amor entre gatinho e cãozinho, Long Island, EUA, 1957. ©️ 2026 Walter Chandoha Archive

“Estas fotografias espelham verdadeiramente a sua prática fotográfica do dia a dia, a fotografar os gatos da família”, explicou a família de Chandoha. “Do Loco a todos os gatos da casa (também eles resgatados), conheciam-se e confiavam uns nos outros, e estavam juntos todos os dias, não apenas como companheiros queridos, mas também como musas.”

Nas últimas décadas, os gatos tornaram-se um pilar da cultura moderna da internet. De Keyboard Cat a Grumpy Cat, há qualquer coisa nestas pequenas criaturas que continua a cativar os humanos sem fim.

Mas muito antes de serem memes ou estrelas de vídeos virais, Chandoha já dominava a arte de criar conteúdos felinos cheios de alegria, que traduziam na perfeição a sua estranheza e excentricidades quase humanas.

A família acredita que foi o olhar compassivo de Chandoha, a atenção ao detalhe e uma paciência extrema que fizeram dele o documentarista felino ideal.

“Conseguia captar a singularidade inata de cada gato, criando imagens vivas e fáceis de identificar, que colocam o observador ao nível dos olhos do animal”, disseram.

“É reconhecido pelo domínio com que sabia brincar com as convenções do retrato - os seus retratos de gatos sugeriam semelhanças com seres humanos e redefiniram a forma como os animais de estimação eram vistos em fotografia.”

Um gato apanhado em foco. Long Island, EUA, 1954.
Um gato apanhado em foco. Long Island, EUA, 1954. ©️ 2026 Walter Chandoha Archive

Poucos fotógrafos de animais atingiram o mesmo nível de sucesso comercial de Chandoha, cujas imagens icónicas apareceram em centenas de anúncios, em mais de 300 capas de revistas, em embalagens de comida para animais, puzzles, calendários e muito mais. Inspiraram também inúmeros outros artistas, incluindo o livro “Holy Cats”, de Andy Warhol.

Talvez a parte mais impressionante da obra de Chandoha, porém, continue a ser o simples facto de ter conseguido trabalhar com gatos. Qualquer pessoa que vive com um sabe que não gostam que lhes digam o que fazer.

Um dos mais famosos treinadores de animais de Hollywood, Ray Berwick, chegou a afirmar que treinar gatos para o filme de 1969 Eye of the Cat foi um dos trabalhos mais difíceis da sua carreira, enquanto os responsáveis por Game of Thrones admitiram ter despedido um gato tigrado ruivo por se portar como uma diva nas filmagens.

Segundo a família de Chandoha, foi a forte ligação que mantinha com os gatos que permitiu criar uma relação de respeito mútuo e trabalhar lado a lado de forma tão fluida.

“Os gatos confiavam verdadeiramente nele, mas ele também era incrivelmente paciente e podia passar horas até conseguir a fotografia certa.”

Dois solitários em passeio. New Jersey, EUA, 1962.
Dois solitários em passeio. New Jersey, EUA, 1962. ©️ 2026 Walter Chandoha Archive

Ao mesmo tempo nostálgicas e contemporâneas, as hipnotizantes fotos felinas de Chandoha continuam a ultrapassar o tempo e o significado. O kitsch e o glamour de forte contraste da sua obra posterior foram recentemente apresentados na Milan Design Week, numa exposição colaborativa com o estúdio criativo TOILETPAPER, onde gatos persas de cara achatada olhavam, de olhos bem abertos, a partir de bolos cobertos de glacé e de bancos em forma de coração.

É essa qualidade intemporal que a família de Chandoha espera que ressoe junto de quem vê os seus trabalhos mais antigos; lembretes reconfortantes de que, enquanto as estações passam e o mundo muda, o nosso amor por gatos permanece o mesmo.

“[Esperamos que traga] a alegria e o encanto de descobrir este notável conjunto de obras de outra época, que é icónico.”

“Walter Chandoha: Family Cats From the Archive 1949-1962” é publicado pela DAMIANI BOOKS e já está à venda.

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