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Deputados europeus ganham milhares com empregos paralelos ao hemiciclo

O Parlamento Europeu em Estrasburgo
O Parlamento Europeu em Estrasburgo Direitos de autor  Jean-Francois Badias/AP Photo
Direitos de autor Jean-Francois Badias/AP Photo
De Jack Schickler & Gregoire Lory
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Uma investigação recentemente publicada revela que os legisladores da UE recebem dinheiro dos lóbis dos agricultores e do setor automóvel, embora sejam ativos nas mesmas áreas políticas.

Cerca de 30% dos 720 deputados do Parlamento Europeu auferem, coletivamente, um rendimento paralelo de mais de 6,3 milhões de euros por ano, para além do seu salário de deputado, de acordo com uma investigação publicada na quinta-feira.

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As conclusões da Transparência Internacional da UE mostram que os eurodeputados trabalham para grupos de pressão agrícolas, em consultadoria automóvel e para grandes empresas financeiras, o que faz com que a fronteira entre os interesses públicos e privados seja pouco clara.

No topo da lista está Gheorghe Piperea (Roménia/Conservadores e Reformistas Europeus), que tem um rendimento externo estimado em 657 mil euros por ano, principalmente com o escritório de advogados que fundou.

Seguem-se-lhe o médico francês, Laurent Castillo, e o italiano, Roberto Vannacci, cujo livro político Il Mondo Al Contrario, publicado em 2023, foi um sucesso surpreendente e aparentemente lucrativo.

Estes pagamentos extra vêm juntar-se aos benefícios já existentes de todos os eurodeputados: um salário base de 124 000 euros, um subsídio de despesas de 59 400 euros e um subsídio de presença, por norma, no valor de 52 800 euros.

Os eurodeputados podem ter empregos externos, mas têm de os declarar publicamente, de acordo com as regras que foram reforçadas na sequência do alegado escândalo de lobbying, conhecido como Qatargate.

No entanto, a Transparência Internacional não está tão preocupada com o quantum dos rendimentos dos deputados, mas sim com o potencial de interferência nos empregos quotidianos.

"Os eurodeputados não têm o direito de exercer atividades de lóbi remuneradas", de acordo com o regulamento interno do Parlamento, disse à Euronews Raphaël Kergueno, responsável político da organização.

Mas, acrescentou, a imprecisão dessa regra significa que "é deixado ao critério de cada político dizer se existe ou não um conflito de interesses".

A sua investigação descreve casos como os de Stefan Köhler (Alemanha/Partido Popular Europeu) e Christine Singer (Alemanha/Renew Europe), que ganham milhares de euros por mês com a Associação dos Agricultores da Baviera, que representa os interesses regionais da agricultura e da silvicultura, ao mesmo tempo que fazem parte das comissões parlamentares da agricultura e do ambiente.

Filip Turek (República Checa/Patriotas pela Europa) declara ganhar 10.000 euros por mês como consultor independente na indústria automóvel - um setor sobre o qual também fala muito no seu trabalho como eurodeputado, tendo falado sobre o assunto durante uma sessão plenária recente do Parlamento.

Alguns eurodeputados afirmam que é importante manter os laços com o mundo real.

"É indispensável manter uma ligação no terreno, para não ser um representante desligado", disse Castillo à Euronews, numa declaração enviada por correio eletrónico.

"Não há qualquer conflito entre a luta por uma melhor política de saúde no Parlamento e a ambição de toda uma vida de cuidar dos outros como médico", disse.

Monika Hohlmeier (Alemanha/PPE), que ganha cerca de 75 mil euros por ano pelo seu trabalho na multinacional de agricultura e energia BayWa, já defendeu o mesmo ponto de vista, dizendo à Euronews que os eurodeputados não devem "estar apenas ativos na torre de marfim política", mas sim envolver-se nas empresas e na sociedade.

Outros defendem que não existe qualquer conflito com as suas funções quotidianas.

Charles Goerens (Luxemburgo/Renew Europe) ganha 43.000 euros como administrador independente na Foyer Finance, que detém participações em empresas de investimento e de seguros, mas salienta que participa em comissões parlamentares que tratam da agricultura e dos assuntos constitucionais, e não da regulação do setor financeiro.

"Não há a mínima interferência" com o seu papel de deputado europeu, disse Goerens à Euronews, "caso contrário, teria interrompido a minha atividade".

Kergueno nem sempre se deixa convencer por este tipo de explicação, uma vez que um eurodeputado pode apresentar perguntas sobre um determinado assunto ou tentar influenciar os seus colegas, mesmo que não esteja diretamente envolvido no trabalho da comissão competente, defendendo, por isso, um regulamento mais forte.

"As declarações devem ser verificadas de forma pró-ativa pelo Parlamento Europeu ou, melhor ainda, por um organismo externo... Também devem ser aplicadas sanções em caso de violação do código de conduta", explicou.

Esta não é a primeira vez que a Transparência Internacional elabora a sua lista.

Em maio passado, o eurodeputado lituano Viktor Uspaskich encabeçou o ranking, declarando rendimentos anuais de três milhões de euros oriundos uma empresa com interesses imobiliários russos significativos.

Uspaskich deixou de ser eurodeputado na sequência das eleições de junho e, em agosto, foi revelado como alvo de uma investigação criminal sobre pagamentos fraudulentos no valor de mais de 500 mil euros, alegações que disse serem "infundadas" aos meios de comunicação social locais.

Piperea, Köhler, Singer e Turek não responderam a um pedido de comentário.

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