Com o incêndio considerado “controlado”, os residentes puderam regressar a casa este fim de semana a Lacanau, na Gironda. Nos parques de campismo evacuados, alguns turistas já voltaram e faz‑se o balanço.
Na sequência dos incêndios que devastaram 42.000 hectares no departamento da Gironda, em França, cerca de quatro mil veraneantes tiveram de abandonar o município de Lacanau, estância balnear muito procurada pelos turistas.
Os parques de campismo foram particularmente atingidos. Um grupo de amigos diz ter hesitado durante muito tempo em manter as férias que tinha reservado há algum tempo. O parque de campismo onde ficaram, tal como muitos outros em Lacanau, tinha sido evacuado a 28 de julho e só agora reabriu.
“Passámos a semana toda a perguntar-nos: ‘Vamos? Vamos ou não? E se formos e voltar a haver um incêndio?’ Sim, foi muito stressante. Penso que agora se vê que a situação parece estar controlada. Por isso, para já, estamos relativamente satisfeitos”, explica Antoine.
“Agora já podemos, finalmente. relaxar. Vimos bem que algumas estradas continuam cortadas e que há desvios, por isso sabemos que o incêndio não está longe e que ainda temos de manter a prudência. Mas sim, podemos finalmente descontrair e aproveitar as férias entre amigos”, acrescenta Maxime, outro membro do grupo de veraneantes.
O estabelecimento reabriu este fim de semana e os funcionários trabalham a todo o gás sem saber ao certo quantos irão aparecer. Uma coisa é certa: a taxa de ocupação ficará abaixo da do ano passado.
“Ainda estamos a fazer o ponto da situação, porque há estadas que tinham sido colocadas em stand-by, as pessoas estavam à espera para ver, outras queriam adiar. Vai haver um impacto económico, vamos ter de rever alguns projetos, realizá-los de forma diferente ou noutras datas. Temos uma taxa de ocupação inferior ao habitual, mas que está a evoluir todos os dias”, explica Myriam Vignolles, diretora do parque de campismo Les Jardins du Littoral.
Após uma semana de paralisação, a estância balnear vai recuperando pouco a pouco, mas o episódio deixou cicatrizes. Segundo Patrick Seguin, presidente da Câmara de Comércio e Indústria da Gironda, das 40.000 empresas afetadas direta ou indiretamente pelos incêndios na região, cerca de 20.000 estão em dificuldade.
Foi criado um número verde e uma célula de crise para os profissionais em causa.