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Le Pen promete dar prioridade aos franceses e enfrentar crise da habitação e do custo de vida

Líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, saúda a multidão no final do comício em Henin-Beaumont, no norte de França, a 13 de setembro
Líder da extrema-direita francesa, Marine Le Pen, saúda a multidão no final do comício em Henin-Beaumont, no norte de França, a 13 de setembro Direitos de autor  AP Photo
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De Estelle Nilsson-Julien
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No primeiro comício, Le Pen afirmou que a política de “prioridade nacional” vai aplicar-se à habitação, defendendo o acesso preferencial dos franceses à habitação social.

Marine Le Pen colocou a habitação e a crise do custo de vida no centro da sua campanha presidencial no domingo, aproveitando o primeiro grande discurso na antiga cidade mineira de Hénin-Beaumont, no norte de França, para prometer que os cidadãos franceses que seriam “a prioridade no seu próprio país”, independentemente da cor da pele, da religião ou da origem.

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“Garantiremos a todos os cidadãos franceses um direito natural e justo, como acontece em todos os países do mundo”, afirmou a líder da formação de extrema-direita Rassemblement National (RN).

A candidata à presidência francesa atacou a crise do custo de vida, prometendo resolver os problemas tanto no parque de habitação social como no setor privado, apontando o dedo às restrições ambientais e administrativas que regem as leis de ordenamento do território.

Le Pen disse que a política de “prioridade nacional” se aplicaria à habitação, acrescentando que os cidadãos franceses deveriam ter acesso preferencial à habitação social.

Disse ainda aos apoiantes que se comprometia a reduzir o IVA de 20% para 5,5% no gás, na eletricidade e no gasóleo para aquecimento, criticando, ao mesmo tempo, a carga fiscal: “Para onde está a ir o dinheiro, se impostos e taxas aumentam enquanto os serviços prestados aos cidadãos franceses se degradam?”

Hénin-Beaumont, bastião do Rassemblement National

Ao longo dos anos, Hénin-Beaumont, com cerca de 26.000 habitantes, tornou-se um bastião do partido Rassemblement National. O presidente da câmara, Steeve Briois, está no poder há 14 anos, enquanto Le Pen representa desde 2017 o departamento de Pas-de-Calais – onde se situa a cidade – na Assembleia Nacional francesa.

Quase 20 anos antes, em 1998, conquistou o primeiro mandato político como conselheira regional da região Nord-Pas-de-Calais (atual Hauts-de-France).

“Como poderei exprimir a minha gratidão por ver tantos de vocês, mais uma vez este ano, aqui, nesta bela e patriótica antiga terra mineira?”, declarou Le Pen à multidão no domingo.

O deputado do Rassemblement National e porta-voz do partido, Laurent Jacobelli, disse à Euronews que é fácil perceber porque é que o partido conquistou os habitantes locais.

“A região de Pas-de-Calais era outrora um polo mineiro, onde as pessoas trabalhavam duro, pagavam os seus impostos e davam tudo à França para sustentar as famílias e construir casas. Mas foram brutalmente abandonadas pela globalização, pelo falhanço dos serviços públicos. Aqui percebemos que a soberania significa alguma coisa, que a pátria e a nação são valores importantes”, disse à Euronews.

“É por isso que Marine Le Pen conquistou eleitores: porque mostra que a soberania e a reindustrialização são objetivos alcançáveis.”

Embora Jordan Bardella, que concorre ao cargo de próximo primeiro-ministro francês, não se tenha dirigido à multidão no domingo, Le Pen levou os apoiantes a cantarem-lhe o “Parabéns a você”. Um gesto de unidade numa altura em que circulam rumores sobre possíveis tensões entre as duas principais figuras do partido.

Le Pen teve um fim de semana preenchido: antes de seguir para Hénin-Beaumont no domingo, reuniu-se no sábado, à porta fechada, com deputados do Rassemblement National na estância costeira de Le Touquet.

O que pensam os habitantes?

Mas, para os habitantes, a visita de Le Pen não foi o único ponto da agenda: o domingo coincidiu com a feira da ladra anual da cidade. Embora Le Pen tenha cancelado o desfile pelo mercado devido às “condições meteorológicas”, moradores e residentes de localidades vizinhas compareceram em força para vender artigos em segunda mão, sem se deixarem deter pela chuva.

Cathy, residente local, disse à Euronews que houve uma altura em que as posições do Rassemblement National eram “mais difíceis de defender”, mas que já não tem essa perceção, descrevendo Marine Le Pen como “muito corajosa”.

Jean-Marie Le Pen, fundador da Frente Nacional (antecessora do partido), enfrentou numerosos processos judiciais por racismo, discurso de ódio e negação do Holocausto. Desde que assumiu a liderança, a filha, Marine Le Pen, tem feito um esforço significativo para normalizar a imagem do partido, dentro e fora de portas, numa tentativa de se afastar do legado do pai.

Na semana passada, o Rassemblement National foi alvo de fortes críticas quando o jornal regional francês Midi Libre divulgou um vídeo, filmado em novembro de 2025, no qual vários agentes da polícia municipal de Carcassonne faziam comentários racistas, sexistas e ligados a teorias da conspiração durante uma patrulha noturna.

Embora a divulgação do vídeo tenha feito manchetes em toda a França, apoiantes locais disseram que não tinham ouvido falar do caso ou que não lhe atribuíam grande importância.

“Não penso que, só porque votamos em Marine Le Pen, sejamos racistas”, respondeu Antoine, ativista do Rassemblement National, de 19 anos, que não comentou os detalhes do vídeo.

Um jovem segura uma bandeira francesa durante o comício da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, em Hénin-Beaumont, 13 de setembro de 2026.
Um jovem segura uma bandeira francesa durante o comício da líder da extrema-direita francesa Marine Le Pen, em Hénin-Beaumont, 13 de setembro de 2026. AP Photo/Jean-François Ba

Entretanto, muitos habitantes, como o polícia Laurent, disseram apoiar firmemente Le Pen. Para ele, corresponde ao perfil de presidente ideal: “alguém que dá prioridade aos interesses nacionais e luta pelo povo”.

Para Catherine, residente que trabalha em Lille, as autoridades locais fazem um bom trabalho ao manter a cidade segura, limpa e com muitas atividades para jovens e idosos.

Vários moradores elogiaram também os impostos locais: o município reduziu repetidamente a taxa de imposto municipal sobre edifícios.

Questionados sobre a candidatura presidencial de Marine Le Pen em 2027, muitos habitantes disseram apoiá-la, mas evitaram comentar as propostas concretas ou admitiram não conhecer os pormenores.

Uma recém-reformada, que vive em Hénin-Beaumont há 25 anos e falou à Euronews sob anonimato, afirmou que o Rassemblement National está a fazer tudo o que pode para “deslumbrar” os habitantes.

“Muitas empresas aqui são geridas por argelinos, marroquinos e tunisinos. Algumas pessoas pensam que, se o Rassemblement National chegar ao poder, todos os árabes se vão embora. Mas nós somos franceses, temos passaportes franceses e muitos de nós têm dupla nacionalidade.”

"Sei que muitos dos meus vizinhos votam no Rassemblement National mas finjo que não vejo. Sabemos viver juntos aqui, como comunidade", disse.

Para Sana, uma empresária local hispano-marroquina, a proposta de Marine Le Pen de realizar um referendo para proibir o hijab em todos os espaços públicos é uma medida inaceitável.

“Não uso véu, mas, pelos direitos de outras mulheres, sou contra este tipo de medida”, disse à Euronews.

Entretanto, ativistas do coletivo antifascista da região mineira (Collectif Anti-Fasciste du Bassin Minier) colocaram uma faixa de protesto em frente à estação ferroviária de Hénin-Beaumont no domingo.

A ativista Ludivine disse à Euronews que há muitos residentes na circunscrição de Marine Le Pen que “se opõem firmemente à extrema-direita”.

“Vivemos em zonas pós-industriais abandonadas, onde o desemprego aumenta, por isso a narrativa de que a culpa é toda de bodes expiatórios ganha terreno muito rapidamente”, afirmou.

Já a ativista Laurence sublinhou que “o facto de o Rassemblement National estar no poder não significa que não haja muitas pessoas descontentes; podem simplesmente ficar caladas, ter medo ou não saber como expressar a oposição e a resistência às ideias horríveis e perigosas defendidas por este partido”.

Questionado sobre a sua opinião acerca deste partido, um empresário local disse nem sequer querer falar sob condição de anonimato, por receio de ter “problemas” com as autoridades locais e enfrentar possíveis intimidações.

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