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Profissionais da saúde apresentam propostas para o futuro em feira no Dubai

De  Natalie Lindo, Jane Witherspoon & Euronews
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Profissionais da saúde apresentam propostas para o futuro em feira no Dubai
Direitos de autor  euronews   -   Credit: Dubai
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A Arab Health 2021, que recentemente decorreu no Dubai, voltou a decorrer no local, centrando-se nas mais recentes tecnologias médicas e soluções inovadoras, desde equipamentos de imagem de última geração a novidades e avanços em cirurgia e próteses.

Em 2020, a feira fechou acordos no valor de cerca de 850 milhões de euros e, este ano, estima-se que esse valor seja ultrapassado.

A pandemia de covid-19 está a colocar uma enorme pressão sobre a força de trabalho, infraestruturas e cadeia de fornecimento do setor da saúde mundial, acelerando a mudança em todo o setor, que o evento quis unir através de a feira e conferências.

Com a participação de mais de 20 mil profissionais da saúde e empresas, também a OpenCast quis marcar presença. A companhia é especializada em moldes para ossos partidos, maleáveis e moldados por calor.

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Arab Health 2021BUSINESS LINE / EURONEWSCredit: Dubai

August Park, responsável pelas vendas e marketing da empresa, diz que "em comparação com o gesso convencional, em que é necessário haver uma proteção entre a pele e o gesso, o nosso gesso pode estar diretamente em contacto com a pele, o que significa que se pode tomar banho e, porque se pode tomar banho, não cheira mal, não faz comichão. Os médicos podem ver a pele".

Na área da tecnologia médica, a CMR Surgical apresentou o "Versius", um sistema de cirurgia robótica, que, de acordo com John Acker, responsável pelo departamento comercial nos Estados Unidos da América, "serve para cirurgias gerais, procedimentos ginecológicos. Também já fizemos intervenções coloretais e torácicas. Arobótica oferece uma interface digital entre o paciente e o cirurgião e essa informação pode ser recolhida sob a forma de dados".

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Arab Health 2021BUSINESS LINE / EURONEWSCredit: Dubai

Da robótica aos dispositivos médicos, o tema deste ano foi o de estar unido pelos negócios e impulsionar a indústria.

Entre os expositores, a Vocera apresentou um dispositivo concebido para otimizar os cuidados prestados aos pacientes.

"É um dispositivo portável que podemos ativar por voz e instruir para chamar alguém. Como todos sabemos, a paragem cardíaca é muito grave, os segundos contam, e o que podemos fazer é dar a oportunidade a um enfermeiro de notificar a equipa apropriada. Isto vai diminuir o tempo e com certeza vai aumentar a probabilidade de o paciente sobreviver", explica Omar Masri, responsável de vendas da empresa.

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Arab Health 2021BUSINESS LINE / EURONEWSCredit: Dubai

No início de junho, os Emirados Árabes Unidos tornaram-se no primeiro país fora dos Estados Unidas a receber o mais recente tratamento antiviral para a covid-19.

Estudos revelaram que o Sotrovimab ajudou a reduzir em 85% o risco de hospitalização prolongada e morte.

Prever o futuro a partir do Dubai

A inteligência artificial e a tecnologia estão a desempenhar um papel cada vez maior na nossa vida e muitos países desenvolveram estratégias de planeamento e adaptação.

A Fundação Dubai Future trabalha no sentido de assegurar o futuro da cidade, de estratégias autónomas de transporte a blockchain e novas formas de realizar negócios.

Parte de ser futurista é ser sensível a estas mudanças emergentes e começar a pensar em como elas podem ter impacto
Noah Raford
Chefe de futurologia e responsável pelas relações externas da Fundação Dubai Future

Noah Raford é o chefe de futurologia e responsável pelas relações externas da organização, cargos que, de acordo com o próprio "compreendem duas partes diferentes" do trabalho da fundação. "Uma é tentar compreender e imaginar como o mundo está a mudar, como poderá ser o futuro e o que podemos fazer hoje, aqui, no Dubai. E a outra parte é porque, evidentemente, vivemos num contexto globalizado. O Dubai é a cidade mais cosmopolita do mundo. E por isso, tudo o que fizermos terá de ser feito em parceria com as pessoas que vivem aqui".

Prever o futuro é difícil, garante. O que na fundação tentam fazer é "imaginar como poderá ser o futuro porque nunca podemos realmente dizer com qualquer grau de certeza o que realmente vai acontecer. Mas se olharmos para a combinação da ciência e tecnologias emergentes e tendências sociais e económicas emergentes, podemos começar a tentar imaginar como é que elas se podem combinar mesmo num lugar como o Dubai, que é extremamente rápido".

E terá sido esse trabalho suficiente para prever a atual pandemia? Noah Raford diz que "'previsão' é uma palavra um pouco forte". Mas, "porque o Dubai é um lugar tão global e porque parte do nosso papel é ter uma rede global de especialistas, artistas e designers, à medida que a covid-19 começou a evoluir e a propagar-se, ao longo de janeiro e fevereiro na Ásia e sobretudo na China, muitos dos nossos amigos e colegas estavam lá e começámos a ver o impacto que estava a ter nessas economias, nas sociedades, com vários meses de antecedência", relembra.

Por outras palavras, "parte de ser futurista é ser sensível a estas mudanças emergentes e começar a pensar em como elas podem ter impacto. Tomando a pandemia como exemplo, estamos todos ligados globalmente por aviões. É apenas uma questão de lógica e de tempo que, se algo está a acontecer a oito horas de voo, vai acabar por chegar aqui. Por isso, sensibilizámo-nos muito cedo para o tipo de símbolos que podem representar essa chegada. Na altura em que chegou, estávamos preparados, felizmente".

Há muitas desvantagens na forma como obtemos alimentos em todo o mundo. Portanto, embora se tratem de ameaças tremendas, representam também um estímulo extraordinário e oportunidades extraordinárias para reimaginarmos totalmente a natureza dos nossos negócios, a natureza da nossa economia, a natureza da nossa cadeia alimentar, a natureza do nosso próprio sentido de identidade
Noah Raford
Chefe de futurologia e responsável pelas relações externas da Fundação Dubai Future

Devido à sua situação geográfica, as alterações climáticas e a escassez de água e alimentos são fatores com grande impacto no Dubai e que, na perspetiva do futurista, vão "continuar a ter, a um ritmo sempre crescente", uma vez que "os Emirados Árabes Unidos, como muitos países do Conselho do Golfo, importam cerca de 85% dos seus alimentos, dessalinizam cerca de 85 a 90% da água".

No entanto, e apesar considerar que os líderes reconhecem "que se trata de um risco estratégico", a fundação olha para estas ameaças também como "uma tremenda oportunidade de crescimento, uma tremenda oportunidade de inovação, porque há muitas desvantagens na forma como obtemos alimentos em todo o mundo. Portanto, embora se tratem de ameaças tremendas, representam também um estímulo extraordinário e oportunidades extraordinárias para reimaginarmos totalmente a natureza dos nossos negócios, a natureza da nossa economia, a natureza da nossa cadeia alimentar, a natureza do nosso próprio sentido de identidade".

Algas como componente alimentar

Das águas tunisinas está a emergir uma indústria com base no que a natureza tem para oferecer.

O país é considerado pioneiro na cultura mediterrânica de algas marinhas, para produção de agentes gelificantes e espessantes, que se estão a tornar cada vez mais num substituto dos produtos de origem animal em alguns alimentos, cosméticos e produtos farmacêuticos.

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Recolha e tratamento de algas na TunísiaBUSINESS LINE / EURONEWSCredit: Dubai

Mariem Mouheddine, bióloga e gestora de desenvolvimento do grupo Selt Marine conta que os "produtos de texturização são usados em confeitaria, pastelaria e laticínios". A empresa desenvolve "um produto que pode substituir as proteínas animais, umas pepitas produzidas com os nossos produtos de texturização e proteínas vegetais. Isto significa que não contêm carne, mas têm uma textura e um sabor que se assemelham à carne", explica.

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Alimentos que usam espessante à base de algasBUSINESS LINE / EURONEWSCredit: Dubai

Após anos de investigação, surgiu a primeira colheita de algas à escala industrial do grupo.

O seu fundador, Mounir Buklout, conta que o processo passa por "colocar estas algas, a biomassa natural, em redes. Deixamo-las crescer. Após terem crescido, recolhemos 80% da produção e secamo-la, enrolamo-la em bolas e enviamos as bolas para a fábrica".

Em 2023, a empresa espera chegar aos 80 hectares de algas cultivadas, com a ajuda desta nova geração de produtores.