"Iftar" no Dubai. A celebração do Ramadão onde todos são bem-vindos

O céu é o limite quando se trata de celebrar o Ramadão no Dubai. Desde quebrar o jejum diário com os locais até um iftar num jato privado, são várias as opções.
Para os muçulmanos, o Ramadão é um tempo de abstinência de comida e água, durante o dia, de forma a viverem na primeira pessoa a situação dos menos afortunados; é também um momento de doação e oração, ara se aproximarem de Alá.
Ao longo de 30 dias, o Ramadão é também um momento para restabelecer a ligação com a família e os amigos, através da interrupção noturna do jejum, uma refeição conhecida como "iftar".
No Dubai, a celebração é estendida aos não-muçulmanos, convidados a descobrir mais sobre os costumes locais durante o Ramadão e a participar nas refeições tradicionais.
"Portas abertas, mentes abertas"
O lema orienta, desde 1998, o Centro para o Entendimento Cultural Sheikh Mohammed bin Rashid Al Maktoum (SMCCU) na missão de quebrar as barreiras culturais.
Situado no bairro histórico de Al Fahidi, o centro realiza programas para os visitantes conhecerem a herança cultural dos emiradenses. Entre a oferta, estão programas de refeições culturais.
Meera Al Falasi trabalha como voluntária no SMCCU, onde apresenta as tradições locais "numa conversa aberta".
"Sabemos que muitas pessoas têm perguntas diferentes para os Emirati e tentamos criar um ambiente muito aberto onde qualquer pessoa pode fazer quaisquer perguntas que tenha".
Durante o Ramadão, o centro dirige programas especiais de iftar, proporcionando aos hóspedes uma visita guiada a uma mesquita do bairro e a participação num iftar doméstico tradicional.
Um Iftar clássico no Dubai
No coração de Jumeirah. o restaurante Samad Al Iraqi é um local de iftar especialmente popular para famílias muçulmanas e não-muçulmanas.
A refeição tradicional começa com tâmaras, uma fonte rápida de energia rápida, ideal no final do jejum diário. O prato central do banquete é o cordeiro, em representação do animal sacrificado, abatido no lugar do filho do profeta Abraão, após a oferenda da criança a Alá.
Outro clássico do Médio Oriente é a kunafa, uma sobremesa composta por camadas de massa estaladiça ensopada em xarope e por queijo derretido.
Além do prazer gastronómico, outro fim reúne os muçulmanos à mesa. Para Moe Alhaj, sócio do restaurante local, o objetivo principal é "passar tempo com pessoas que amamos e quebrar jejuns com a família e amigos, e ter essa viagem no dia-a-dia durante os 30 dias que jejuamos é algo muito especial no mundo de hoje, em que estamos sempre ocupados. É algo que nos une".
Iftar nos céus
No que toca ao iftar, no Dubai há lugar para todos os gostos, mesmo para os menos tradicionais. A oferta é variada e vai até à quebra do jejum nas nuvens, como promete o programa "Iftar nos Céus" (do inglês "Iftar in the Sky"). O nome diz praticamente tudo: os passageiros s`ão convidados a quebrar o jejum enquanto sobrevoam os Emirados Árabes Unidos num avião privado.
"Esta é a primeira experiência mundial deste tipo para o Ramadão", explica Oleg Kafarov, da empresa Jetex, que desenvolveu a experiência tendo em vista quem nunca voou em jatos privados e todos os que têm estado impedidos de voar por causa da pandemia de covid-19.
"Convidamos os nossos passageiros - até seis passageiros - a juntarem-se a nós num voo através do país onde vemos marcos dos sete estados que compõem os Emiratos Árabes Unidos", conta Oleg. "Ao pôr-do-sol, é a melhor luz. Temos uma cozinha fantástica; temos um chefe a bordo e temos a nossa tripulação a cuidar dos passageiros. Esta é uma experiência feliz para aqueles que sentem falta de viajar".
O luxuoso aeroporto também oferece aos hóspedes um café personalizado, um bar aberto de caviar e uma receção ao som de piano. A proposta não é para todas as carteiras, custa cerca de 15.100 euros para seis pessoas, 10 por cento do custo é doado à instituição de solidariedade Dubai Cares.