Loader
Encontra-nos
Publicidade

Irão: presidente pede fim da guerra a partir de “posição de força”

Foto de arquivo: Mísseis iranianos Zolfaghar e Zolfaghar Bassir, de fabrico nacional, em exposição temporária perante o Monumento da Liberdade, em Teerão, 29 julho 2026
FOTO: Mísseis iranianos Zolfaghar e Zolfaghar Bassir, fabricados no país, expostos numa mostra temporária diante do monumento à Liberdade, em Teerão, 29 julho 2026 Direitos de autor  AP Photo
Direitos de autor AP Photo
De Aleksandar Brezar
Publicado a
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google
Partilhar Close Button

O Presidente Pezeshkian afirmou que o Irão está numa posição de “força e dignidade” e deve pôr fim à guerra nos seus próprios termos, mesmo enquanto Washington se prepara para reforçar sanções económicas que apelida de “Dia D económico”

Presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou esta sexta-feira que chegou a altura de pôr fim à guerra, que dura há vários meses, com os Estados Unidos, por considerar que Teerão está numa posição de força face a Washington.

PUBLICIDADE
PUBLICIDADE

“É melhor terminarmos a guerra agora, enquanto estamos numa posição de poder e dignidade”, disse Pezeshkian.

“Todo o mundo reconhece a nossa vitória e sublinha que os Estados Unidos atacaram as nossas escolas, hospitais e infraestruturas, em violação de todas as normas, e são odiados em todo o mundo.”

O ministério dos Negócios Estrangeiros do Irão acusou antes os EUA de “terrorismo económico” e de “crimes contra a humanidade”, depois de Washington ter anunciado o reforço das sanções para aumentar a pressão sobre Teerão.

“Os autores e instigadores destas sanções merecem ser julgados e punidos por cometerem crimes tão hediondos”, afirmou a diplomacia iraniana, em comunicado divulgado pelos meios de comunicação estatais.

Outros altos responsáveis iranianos também criticaram o plano de sanções dos EUA.

“O chamado ‘Dia D Económico’ é uma distração face à própria crise dos Estados Unidos: uma dívida sem precedentes e custos de juros em forte alta”, escreveu o ministro dos Negócios Estrangeiros, Abbas Araghchi, na rede X.

As conversações entre as duas partes continuam suspensas, com ambos os lados no conflito, iniciado pelos Estados Unidos e por Israel no final de fevereiro, presos num impasse.

Teerão mantém encerrado o estratégico estreito de Ormuz e Washington prossegue com um contrabloqueio naval ao Irão.

China apela a ‘medidas responsáveis’

Washington instou outros governos, incluindo a China, a juntarem-se aos esforços para isolar a economia iraniana.

Questionado sobre as ameaças do presidente norte-americano, Donald Trump, o porta-voz do ministério chinês dos Negócios Estrangeiros, Lin Jian, disse esta sexta-feira aos jornalistas que “sanções e pressões não vão ajudar a resolver a questão”.

“A China apela a todas as partes envolvidas para que adotem medidas responsáveis e resolvam o problema por meios políticos e diplomáticos”, acrescentou.

ARQUIVO: Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com o presidente da China, Xi Jinping, no complexo governamental de Zhongnanhai, em Pequim, 15 de maio de 2026
ARQUIVO: Presidente dos EUA, Donald Trump, fala com o presidente da China, Xi Jinping, no complexo governamental de Zhongnanhai, em Pequim, 15 de maio de 2026 AP Photo

O presidente chinês, Xi Jinping, deverá visitar a Casa Branca a 24 de setembro, ocasião em que o dossiê iraniano deverá voltar à mesa, tal como aconteceu quando Trump viajou a Pequim para uma cimeira em maio.

O responsável do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, afirmou que o plano para reforçar as sanções económicas contra o Irão torna menos provável que Washington tenha de regressar a operações militares de grande envergadura contra o país.

Bessent adiantou que dará mais pormenores sobre as medidas económicas contra o Irão numa conferência de imprensa na segunda-feira.

Penúria económica, pressão política

O Irão vive sob sanções ocidentais há anos e tornou-se hábil a contorná-las parcialmente.

O país aumentou a produção interna, recorreu a redes informais de comércio transfronteiriço, comprou bens restringidos através de terceiros países e utilizou uma frota fantasma para transportar o seu petróleo.

“A capacidade de resistência do Irão não só evita o colapso, como também impede que a dor económica se traduza na pressão política e nas mudanças que os EUA esperam”, afirmou Hadi Kahalzadeh, especialista na economia iraniana na Universidade Brandeis.

Ainda assim, a inflação no Irão deverá aumentar para perto de 70% até ao final do ano, segundo o Fundo Monetário Internacional, e prevê-se que a economia do país recue mais de 5%.

ARQUIVO: Pessoas passam diante das montras de uma loja de roupa num mercado no norte de Teerão, 20 de agosto de 2026
ARQUIVO: Pessoas passam diante das montras de uma loja de roupa num mercado no norte de Teerão, 20 de agosto de 2026 AP Photo

Apesar de a gasolina se manter barata graças aos subsídios estatais, a situação poderá não durar para sempre, à medida que a oferta aperta.

Um assessor presidencial disse, na semana passada, à televisão estatal iraniana que o país já consome diariamente mais gasolina do que produz e que Teerão poderá ter de aumentar os preços, algo que no passado desencadeou protestos generalizados.

Num contexto de dificuldades económicas, Pezeshkian afirmou que o seu governo prefere uma solução negociada para terminar a guerra.

“O que nos preocupa são os meios de subsistência das pessoas e a sua situação económica, e estamos a fazer tudo o que podemos para lidar com isso”, disse aos jornalistas na semana passada.

Mas a força mais poderosa no Irão continua a ser a elite paramilitar dos Guardas da Revolução Islâmica (IRGC), que só reforçou a sua posição depois de resistir a ataques aéreos norte-americanos e israelitas que mataram alguns dos principais dirigentes iranianos nas primeiras vagas da guerra.

Os Guardas pressionam por maiores concessões por parte dos EUA, incluindo o controlo iraniano sobre Ormuz e compensações financeiras pela guerra.

Com as negociações para pôr fim ao conflito bloqueadas, a ala dura iraniana acredita que o país consegue suportar as pressões económicas durante mais tempo do que os adversários.

O aiatola Mojtaba Khamenei nomeou este mês um antigo comandante dos Guardas da Revolução para liderar o poderoso Conselho Supremo de Segurança Nacional, sinal de que privilegia uma linha mais dura.

Outras fontes • AFP, AP

Ir para os atalhos de acessibilidade
Partilhar Comentários Siga a Euronews no Google

Notícias relacionadas

Irão executa cidadão estrangeiro por alegado envolvimento em protestos de janeiro

Irão executou pelo menos 900 pessoas desde janeiro, denuncia ONG de direitos humanos

Qatar devolve corpo de piloto iraniano e nega deter outros três